Investigadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego lideraram o primeiro ensaio clínico do mundo a demonstrar que os tratamentos contra o cancro podem ser personalizados de forma segura e eficaz com base no ADN exclusivo do tumor de cada pessoa.
Os resultados do estudo, publicados no Journal of Clinical Oncology, revelaram que individualizar os tratamentos com múltiplos medicamentos, de acordo com as mutações tumorais específicas de cada doente, através de testes moleculares, pode aumentar significativamente o sucesso do tratamento.
“Cada doente e cada cancro são únicos, e o mesmo deve acontecer com a forma como os tratamos”, afirma Jason Sicklick, autor sénior do estudo. “Os nossos resultados demonstram que a oncologia de precisão a nível individual é possível. Quando o tratamento de cada doente é orientado pelo ADN distintivo do seu tumor, podemos tratar o cancro com maior precisão.”
Resultados promissores
O ensaio clínico utilizou a sequenciação genómica avançada para identificar as alterações que impulsionam o cancro de cada pessoa. Os médicos desenvolveram, então, planos de tratamento personalizados com doses cuidadosamente ajustadas de medicamentos para cada pessoa, visando precisamente essas alterações moleculares, o oposto de uma abordagem única para todos.
Entre um grupo de 210 pessoas com cancros avançados que foram tratadas, quase 95% apresentavam perfis de ADN tumoral distintos, ou seja, não existiam dois cancros iguais. Isto levou a 157 regimes de tratamento diferentes, incluindo 103 novas combinações de medicamentos que nunca tinham sido testadas em conjunto antes.
Os doentes cujas terapias eram mais adequadas às suas mutações tumorais obtiveram melhores resultados de tratamento, aumentando as suas hipóteses de resposta e sobrevivência. É importante salientar que aqueles que receberam novas combinações de medicamentos não apresentaram efeitos secundários mais graves do que os doentes que receberam as terapêuticas padrão.
O estudo também descobriu que iniciar novas combinações de medicamentos com doses mais baixas e aumentá-las cuidadosamente ao longo do tempo manteve os tratamentos seguros, mesmo com terapias que nunca tinham sido utilizadas em conjunto antes.
“O estudo mostra o que é possível quando deixamos que a biologia do doente guie o seu tratamento”, explica Shumei Kato, professora de Medicina na Escola de Medicina da UC San Diego e oncologista clínica. “Ao utilizar biomarcadores para selecionar medicamentos e ajustar as doses, podemos criar combinações que visam precisamente os fatores que impulsionam o cancro de cada pessoa.”
“Este estudo reflete a força da nossa abordagem multidisciplinar baseada em equipas, combinando liderança científica, experiência em ensaios clínicos e a infraestrutura necessária para levar as descobertas diretamente aos doentes. É um exemplo poderoso de como estamos a moldar o futuro da oncologia de precisão e a colocar o doente no centro de cada decisão”, reforça Diane Simeone, diretora do Moores Cancer Center.
“Em vez de uma abordagem única para todos, estamos a caminhar para uma abordagem personalizada”, conclui Sicklick.
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