Sem cura conhecida para a doença de Parkinson, a investigação sugere que o exercício físico é uma das formas mais eficazes de atrasar a sua progressão. “O exercício pode ser mais do que apenas benéfico para a saúde em geral, uma vez que pode realmente ajudar a retardar a progressão do Parkinson, reduzindo a inflamação cerebral que está na origem da doença”, afirma Merrill Landers, da Escola de Ciências Integradas da Saúde da Universidade de Nevada, Las Vegas, e fisioterapeuta com 30 anos de experiência.
A doença de Parkinson, uma doença neurodegenerativa diagnosticada mais comummente entre os 55 e os 65 anos, afeta o movimento, o sono, a cognição e até o controlo da bexiga.
“Até que seja encontrada uma cura, um dos maiores objetivos da investigação sobre Parkinson é encontrar um tratamento que possa realmente atrasar ou interromper a doença”, refere Landers. “Um dos candidatos mais promissores para atrasar a progressão da doença é o exercício aeróbico, que é o foco da minha investigação atual.”
O investigador passou décadas a trabalhar com pessoas com doença de Parkinson, como fisioterapeuta. No âmbito da sua investigação, trabalha com pessoas com a doença, orientando-as em exercícios com diferentes intensidades aeróbicas. Em seguida, recolhe amostras de sangue destas sessões para ajudar a compreender quais as quantidades e níveis de exercício que podem ser mais eficazes para as pessoas que vivem com Parkinson.
Importância (e os benefícios!) do exercício
O exercício atua como um “fertilizante para o cérebro“, explica Landers. Gera um aumento do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), uma proteína que promove a sobrevivência e o crescimento dos neurónios.
“O BDNF também reduz a inflamação em todo o corpo e cérebro, desencadeando a libertação de sinais anti-inflamatórios dos músculos e tecidos durante o exercício”, acrescenta.
Embora a inflamação seja essencial para o sistema imunitário do organismo, o excesso de inflamação pode danificar os tecidos saudáveis. Em termos simples, a inflamação acelera a morte dos neurónios, mas o aumento da atividade física aeróbica diminui o estado inflamatório de base.
Landers recomenda qualquer forma de exercício aeróbico contínuo, seja caminhar na passadeira, andar de bicicleta, dançar ou qualquer outra atividade que acelere o ritmo cardíaco.
Recomenda também que o exercício seja de intensidade moderada, porém desafiante; suficientemente intenso para conseguir falar em frases curtas, mas não tão ligeiro que torne uma conversa completa sem esforço. Este ponto ideal, aproximadamente entre 60% e 75% da frequência cardíaca máxima, produz o maior aumento dos níveis de BDNF.
“O ideal é permanecer nesta zona de intensidade para conseguir sustentá-la durante um período relativamente longo”, refere. “Se o exercício for demasiado intenso, não conseguirá praticá-lo durante o tempo suficiente para obter o aumento de BDNF.”
Brach Poston, professor de cinesiologia e ciências da nutrição, afirmou que existem benefícios no treino de força, no treino intervalado e até no boxe. A sua investigação centra-se no uso da estimulação cerebral não invasiva para melhorar a aprendizagem de competências motoras em doentes com Parkinson, idosos e jovens adultos.
“O boxe envolve movimentos mais complexos”, afirma. “Tem uma componente aeróbica e mais treino intervalado. Obriga as pessoas a ficarem de pé e desafia o seu equilíbrio.”
À medida que os sintomas começam a interferir com as atividades diárias, recomenda-se que as pessoas com Parkinson tomem uma medicação que ajuda a aumentar os níveis de dopamina no cérebro. “Para a maioria das pessoas, demora cerca de seis anos após o diagnóstico para que os sintomas se agravem”, revela Poston.
Mais sobre a doença de Parkinson
A experiência do ator Michael J. Fox aumentou a consciencialização sobre a doença de Parkinson. Fox foi diagnosticado com a doença aos 29 anos, uma raridade para Parkinson. Agora, aos 64 anos, ainda vive com a doença, mas apresenta discinesias, que são movimentos involuntários e erráticos.
“Dar mais atenção à doença de Parkinson é algo positivo”, refere Merrill Landers. “Isto não só envolve mais pessoas na discussão, como esperamos que, em última análise, leve a mais financiamento para investigação que possa mudar vidas.”
A doença de Parkinson é uma perturbação progressiva do sistema nervoso que atrasa o funcionamento de diversos sistemas neurotransmissores no cérebro, incluindo a dopamina, uma substância química que ajuda a controlar os movimentos.
A maioria dos diagnósticos ocorre entre os 55 e os 65 anos de idade e a idade do diagnóstico desempenha um papel crucial na determinação da qualidade de vida posterior, sendo que o início precoce está associado a uma progressão mais rápida e a uma maior suscetibilidade à erosão a longo prazo do controlo motor, também conhecida como discinesias.
Os primeiros sintomas da doença de Parkinson antes do diagnóstico incluem obstipação, distúrbio comportamental do sono, fadiga diurna excessiva, depressão e perda de olfato (96% dos indivíduos recém-diagnosticados com Parkinson apresentam este tipo de alterações).
As pessoas com doença de Parkinson já perderam cerca de 70% dos neurónios produtores de dopamina antes de apresentarem sintomas motores mais evidentes.
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