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Hemorroidas: mitos, verdades e sinais a que deve estar atento

hemorroidas

Continuam a ser muitos os mitos sobre a doença hemorroidária, que contribuem para a desinformação que continua a afastar muitos doentes dos cuidados de saúde. Sara Folgado Alberto, assistente hospitalar graduada de Gastrenterologia, explica que as hemorroidas fazem parte da anatomia normal e que só se tornam doença quando aumentam de tamanho e provocam sintomas, sublinhando que a presença de sangue, mesmo sem dor — deve motivar sempre uma avaliação médica.

“Apesar de, segundo a Sociedade Portuguesa de Coloproctologia, a doença hemorroidária ser extremamente frequente na população adulta, as hemorroidas continuam a estar envoltas em mitos, constrangimento e alguma desinformação. Muitas pessoas evitam falar sobre o assunto ou procurar ajuda médica, o que pode atrasar o diagnóstico correto e o tratamento adequado.

Mas afinal, o que são realmente as hemorroidas? Um dos mitos mais frequentes é a ideia de que as hemorroidas são uma doença. Na realidade, todos temos hemorroidas: são vasos sanguíneos localizados no ânus e no reto que fazem parte da anatomia normal do nosso corpo. Fala-se em doença hemorroidária apenas quando esses vasos aumentam de tamanho e passam a provocar sintomas como dor ou desconforto anal, sensação de inchaço nessa região ou perdas de sangue vivo.

A doença hemorroidária é uma condição benigna, mas exige cuidados e tratamento apropriado. Existe ainda a perceção de que as hemorroidas causam sempre dor, o que não é verdade. Em muitos casos, manifestam-se apenas por perdas de sangue vivo indolores, o que leva algumas pessoas a desvalorizar os sinais. No entanto, a presença de sangue, seja vivo, escuro, digerido ou em coágulos, nunca deve ser ignorada. Estes sinais justificam uma avaliação médica, não só para confirmar o diagnóstico, mas também para excluir outras doenças, como o cancro do cólon e do reto, cujos sintomas podem ser semelhantes.

Por outro lado, importa esclarecer que a doença hemorroidária não tem uma única causa. Fatores como história familiar, prisão de ventre, esforço excessivo ao evacuar, obesidade, gravidez, envelhecimento e sedentarismo contribuem para o seu aparecimento. Pequenas alterações no estilo de vida podem, por isso, ter um impacto significativo tanto na prevenção como no alívio dos sintomas.

Uma alimentação equilibrada, rica em fibra, uma ingestão adequada de água, a prática regular de atividade física e a redução do esforço ao evacuar são medidas simples, mas eficazes. Em contrapartida, o consumo excessivo de alimentos muito picantes ou condimentados pode agravar os sintomas e, por isso, deve ser moderado.

Contudo, quando as medidas do dia a dia não são suficientes, existem hoje várias opções de tratamento adaptadas à gravidade da situação. Em casos mais ligeiros, o controlo da prisão de ventre e a utilização de pomadas locais podem ajudar a aliviar os sintomas. Outra solução são os comprimidos venotrópicos, que tratam os sinais e sintomas da doença hemorroidária, atuando na sua origem.

Noutras situações, é possível recorrer a tratamentos realizados em consulta de ambulatório, como a esclerose ou a laqueação elástica. Apenas em casos mais graves poderá ser necessária cirurgia, existindo atualmente técnicas menos invasivas, como o laser, a par das abordagens mais tradicionais.

A mensagem mais importante a reter é simples: a doença hemorroidária é comum, tem tratamento e, na maioria das situações, esse tratamento não é doloroso nem complicado. Perante desconforto anal, sensação de inchaço nessa região ou perdas de sangue, procurar uma consulta médica é fundamental para uma avaliação correta e atempada. Falar abertamente sobre o tema é o primeiro passo para desmistificar a doença e melhorar a qualidade de vida de quem dela sofre.”

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