O que é que a hora do dia tem a ver com a gravidade das doenças? Muito, garante um novo estudo, que explica como o ritmo circadiano, ou seja, o nosso relógio interno, pode influenciar a forma como os problemas de saúde nos afetam. Ou seja, estar doente de manhã pode ser diferente de estar doente à noite.

Investigadores da Universidade de Genebra, na Suíça, tornaram pública a sua investigação, na revista Trends in Immunology, com base em trabalhos feitos com ratinhos de laboratório. Nela, descrevem como a altura do dia tem impacto em quatro doenças: enfarte, pneumonia, infeções parasitárias e ataques de asma.

Parece que o corpo reage a estímulos, como a luz e as hormonas, para antecipar ritmos recorrentes de sono, metabolismo e outros processos fisiológicos. Tanto em humanos como nos ratinhos, o número de leucócitos (glóbulos brancos), elementos fundamentais do sistema imunitário, também oscila de forma circadiana, o que coloca a questão: será possível, um dia, otimizar a resposta imunitária através da perceção e utilização do relógio circadiano?

Ainda que a resposta não tenha sido encontrada, passos importantes foram dados nesses sentido. Resultados considerados “impressionantes” pelo autor sénior do estudo, o imunologista Christoph Scheiermann, que defende mesmo que devem “ser relevantes para aplicações clínicas, na área dos transplantes a da vacinação”.

Enfartes mais comuns pela manhã; ataques de asma de madrugada

Os resultados revelam que os enfartes em humanos costumam ser mais frequentes durante a manhã, com a investigação a sugerir que os ataques cardíacos matinais tendem a ser mais graves do que aqueles que ocorrem à noite. 

No caso das infeções por parasitas, ficou claro que estas dependem da hora do dia. Os ratinhos infetados durante a manhã com o parasita gastrointestinal Trichuris muris foram capazes de matar os vermes significativamente mais rápido do que os ratos infetados à noite.

Também a pneumonia foi aqui contemplada, com o recrutamento de células do sistema imunitário durante a inflamação pulmonar a exibir um padrão de oscilação circadiana. Os investigadores verificaram que é durante a tarde que tendiam a ser recrutados mais monócitos, uma espécie de leucócitos.

Já os sintomas alérgicos, que também seguem um ritmo dependente da hora do dia, geralmente pioram entre a meia-noite e o início da manhã.