Dois grupos de investigadores da Universidade de Coimbra vão receber mais de três milhões de euros para estudar as doenças do cérebro e do envelhecimento cardiovascular. Os projetos DYNABrain e RESETageing receberam, respetivamente, 2,5 milhões de euros e 900 mil euros do programa europeu Spreading Excellence and Widening Participation promovido pelo Horizonte 2020.

O projeto DYNABrain vai recrutar um grupo de investigação na área de neurociências de sistemas e computacionais, aplicadas ao estudo das doenças neuropsiquiátricas e neurodegenerativas, e prevê a criação de um programa doutoral em Neurociências Integrativas para a formação de investigadores de topo nesta área de investigação.

“A área de Neurociências de Sistemas tira partido de avanços tecnológicos recentes que permitem identificar circuitos e redes neuronais na base do comportamento, e de que forma alterações na sua atividade estão relacionadas com doenças neuropsiquiátricas e com a fase inicial de doenças neurodegenerativas”, explica Ana Luísa Carvalho, líder de grupo.

Já o projeto RESETageing foi financiado na categoria Twinning, permitindo a várias instituições, com diferentes competências e indicadores de desempenho, partilhar as melhores práticas entre si.

Este projeto tem como objetivo potenciar as competências científicas e de inovação da Universidade de Coimbra na área do envelhecimento cardiovascular, uma vez que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morbilidade/mortalidade em Portugal.

Aos portugueses juntam-se, neste projeto, especialistas da Universidade de Newcastle upon Tyne (Reino Unido), da Universidade de Maastricht (Países Baixos) e do Leibniz Institute on Aging – Fritz Lipman Institute (Alemanha).

Potenciar a investigação na área das doenças do cérebro

Lino Ferreira, coordenador nacional deste projeto, explica que “o envelhecimento demográfico na Europa, e em particular em Portugal, tem vindo a acentuar-se ao longo dos anos – em Portugal, por cada 100 jovens existem atualmente 154 idosos (em 1960 existiam apenas 27)”.

A isto junta-se o aumento da esperança média de vida, que cresceu “cerca de sete anos no mesmo período. Hoje uma pessoa com 65 anos vive, em média, mais 20 anos, no entanto apenas sete desses anos são anos de vida saudável. Durante os restantes anos as pessoas sofrem múltiplas doenças e incapacidades, que têm um impacto significativo quer no seu bem-estar, quer nas economias das diferentes sociedades”, acrescenta.

Segundo Cláudia Cavadas, vice-reitora da Universidade de Coimbra para a área da investigação, “estes dois projetos vão permitir potenciar a investigação de excelência na Universidade de Coimbra, nomeadamente na área das neurociências e no envelhecimento cardiovascular. Este financiamento vai ainda contribuir para formar uma nova geração de jovens investigadores nessas áreas científicas, com uma componente de formação avançada noutras competências, nomeadamente relacionadas com a inovação e empreendedorismo”.