Chama-se e_COR – Prevalência de Fatores de Risco Cardiovasculares na População Portuguesa, é um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que revela que 68% da população apresenta dois ou mais fatores de risco para doenças cardiovasculares, com mais de metade dos portugueses obesos ou pré-obesos e 43% a apresentarem hipertensão arterial.

A necessidade de um melhor controlo dos fatores de risco para doenças cérebro e cardiovasculares, por parte da população portuguesa, é uma das principais conclusões do estudo, que confirma que as doenças cardiovasculares são um importante problema de saúde pública a nível mundial, sendo responsáveis por uma elevada taxa de morbilidade e mortalidade.

Por cá, apesar de se ter verificado um decréscimo nos últimos anos, estas doenças continuam a ser a principal causa de morte, sendo a esperança de vida saudável aos 65 anos inferior à média europeia.

Atingindo homens e mulheres de todas as nacionalidades e estratos económicos, sobretudo em idades produtivas, contribuem para um aumento drástico dos custos nos cuidados de saúde e, consequentemente, da economia em geral.

Segundo os autores do estudo, 68% da população apresenta dois ou mais fatores de risco para doenças cardiovasculares e 22% quatro ou mais, sendo os mais relevantes a diabetes mellitus, colesterol elevado, hipertensão arterial, pré-obesidade/obesidade e tabagismo.

Dados que justificam, segundo os especialistas, a necessidade de “estratégias para rastrear a população em geral quanto aos fatores de risco para as doenças cardiovasculares e promover medidas de estilo de vida adequadas e literacia em saúde”.

Desconhecimento dos fatores de risco

Com uma amostra de 1.688 pessoas, o trabalho do INSA socorreu-se de um exame físico, análises clínicas e de um questionário para chegar aos resultados obtidos, estimando prevalências de diversos determinantes de saúde, como uma dieta inadequada (71,3%), pré-obesidade/obesidade (62,1%), hipertensão arterial (43,1%), hábitos tabágicos (25,4%) e nível baixo de atividade física (29,2%).

E aproveitam para chamar a atenção para “o elevado grau de desconhecimento dos indivíduos em relação à sua situação clínica e à medicação prescrita”.