Dormir a sesta é, para os ‘nuestros hermanos’, sagrado. Por cá, há quem consiga um ocasional fechar de olhos à tarde, mas ao contrário do que se passa em Espanha, a sesta não é uma ‘instituição’. Isto apesar de serem vários os estudos que confirmam os seus benefícios. Um novo trabalho associa-a agora a um menor risco de doenças cardiovasculares.

A investigação concentrou o seu trabalho na frequência com que a sesta é feita durante a tarde. E os resultados, publicados na revista Heart, indicam que as pessoas que fazem uma soneca apenas uma ou duas vezes por semana têm menor risco de sofrer um evento cardiovascular.

“No nosso estudo, encontramos apenas uma associação entre a frequência das sestas e as doenças cardiovasculares, mas não foi encontrada nenhuma relação com a duração da sesta”, confirma à Agência Sinc Nadine Hausler, principal autora do estudo.

Contas feitas, as sestas ocasionais, ou seja, realizadas uma a duas vezes por semana, surgem associados a uma redução de quase metade no risco de insuficiência cardíaca (48%), quando comparando com os que não o fazem.

Sestas e o alívio do stress

No estudo, realizado com 3.462 residentes de Lausanne (Suíça) selecionados aleatoriamente, cada participante tinha entre 35 e 75 anos. E foram considerados fatores como idade e duração do sono noturno, além de outros riscos que causam doenças cardiovasculares, como pressão alta ou colesterol.

Os participantes foram avaliados e acompanhados ao longo de cinco anos, durante os quais se contaram 155 episódios de doenças cardiovasculares fatais e não fatais.

De acordo com os resultados, mais da metade dos participantes (58%) não fez uma sesta durante a semana anterior, 19% fizeram uma ou duas vezes, 12% fizeram-no três a cinco vezes e 11% seis a sete por semana.

Por ser um estudo observacional, os investigadores que o realizaram consideram que existem limitações. Mas apesar disso, avançam que a associação entre sesta e menos problemas cardiovasculares pode ter a ver com o facto de as pessoas que dormem à tarde compensarem a falta de sono noturno, conseguindo um descanso que pode ajudar no alívio do stress.