A osteoartrite é o distúrbio articular mais comum e a principal causa de incapacidade nos idosos, afetando, em todo o mundo, qualquer coisa como 242 milhões de pessoas. É para atrasar o seu aparecimento ou mesmo diminui-lo que estão a trabalhar especialistas de vários países, um trabalho liderado por uma equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto – i3S, e que agora recebeu um financiamento de 5,5 milhões de euros.

Regenerar a cartilagem, afetada por este problema, é o que 10 instituições de sete países pretendem, no âmbito de um projeto, o RESTORE, que visa criar matrizes 3D com nanomateriais inteligentes para reparar defeitos de cartilagem do joelho.

Ao site de notícias da Universidade do Porto, Meriem Lamghari, investigadora do i3S que lidera o consórcio europeu, explica que estas matrizes “são desenhadas para serem implantadas à medida e preencherem o espaço do defeito e responder às forças mecânicas da articulação do joelho”.

A isto juntam-se as “nanopartículas inteligentes com propriedades regeneradoras, anti-inflamatórias e antimicrobianas, que têm propriedades regeneradoras e podem ser ativadas remotamente, sem métodos invasivos, sempre que for necessário”.

Para isso, será também desenvolvida uma joelheira “equipada com sensores capazes de ativar as nanopartículas que se encontram na matriz implantada”.

Cerca de um milhão para o i3S

Dos 5,5 milhões de financiamento, cerca de um milhão de euros irá para a equipa do i3S, que vai trabalhar na “produção das nanopartículas para libertação de fármacos, testar a sua segurança e eficácia, incorporá-las nas matrizes e voltar a testar a funcionalidade”.

Um trabalho que será desenvolvido ao longo dos próximos 44 meses, com a participação de parceiros de Espanha, Itália, Alemanha, Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia, em articulação com outro projeto europeu, o MIRACLE, centrado no diagnóstico da degradação da articulação do joelho.