O cansaço constante é frequentemente atribuído ao stress, ao envelhecimento ou ao ritmo acelerado do dia a dia. No entanto, para algumas pessoas, pode ser o primeiro sinal de uma doença rara e grave do sangue: a mielofibrose. Um grupo de especialistas portugueses em Hematologia alerta para a necessidade de aumentar o conhecimento da população sobre esta doença, que continua pouco conhecida apesar do seu impacto profundo na vida dos doentes.
A mielofibrose é um tipo raro de cancro do sangue que afeta a medula óssea, dificultando a produção normal de células sanguíneas. Entre as manifestações mais frequentes encontram-se a anemia, o aumento do volume do baço, a perda de peso involuntária, a febre, os suores noturnos e uma fadiga persistente que pode limitar significativamente as atividades diárias.
A anemia é uma das complicações mais comuns e incapacitantes da doença. Estudos internacionais mostram que cerca de quatro em cada dez pessoas apresentam anemia no momento do diagnóstico, proporção que aumenta para mais de metade dos doentes ao longo do primeiro ano de evolução da doença.
“Quando falamos de anemia associada à mielofibrose, falamos muitas vezes de doentes que deixam de conseguir trabalhar, praticar atividade física ou realizar tarefas simples do quotidiano devido ao cansaço extremo. O impacto vai muito além das análises clínicas”, explica Ricardo Pinto, hematologista na ULS de São João e coautor da publicação “Gestão prática das citopenias no doente com mielofibrose adaptada à realidade em Portugal“.
Além de comprometer a qualidade de vida, a anemia está associada a um pior prognóstico da doença, maior dependência de cuidados de saúde e necessidade frequente de transfusões sanguíneas. A condição pode ainda contribuir para a perda de autonomia e aumentar o peso físico, emocional e social para os doentes e as suas famílias.
Os especialistas defendem que uma maior sensibilização da população pode favorecer um diagnóstico mais atempado e uma melhor valorização de sintomas que são muitas vezes desvalorizados ou confundidos com outras condições mais comuns.
Mielofibrose, doença rara que exige atenção
Apesar de rara, a mielofibrose é uma doença oncológica crónica que requer acompanhamento especializado e pode evoluir de forma significativa ao longo do tempo. O reconhecimento precoce dos sintomas e o acesso a equipas diferenciadas de Hematologia são considerados essenciais para melhorar o acompanhamento dos doentes, pois existem abordagens terapêuticas capazes de controlar os sintomas, reduzir o tamanho do baço e melhorar a qualidade de vida.
Os especialistas reforçam que conhecer os sinais de alerta pode fazer a diferença. Fadiga persistente, anemia sem causa aparente, aumento do volume abdominal devido ao crescimento do baço, perda de peso inexplicada, febre ou suores noturnos são sinais de alerta. Muitas vezes, um simples hemograma (análise ao sangue) solicitado pelo médico de família é o primeiro passo para detetar a doença e referenciar o doente para a consulta de especialidade
Sobre a mielofibrose
A mielofibrose é um cancro raro do sangue pertencente ao grupo das neoplasias mieloproliferativas crónicas. Caracteriza-se pela substituição progressiva da medula óssea por tecido fibrótico, comprometendo a produção normal de células sanguíneas. As principais manifestações incluem anemia, aumento do baço, fadiga intensa e outros sintomas sistémicos que podem afetar profundamente a qualidade de vida dos doentes.
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