Um consumo adequado de leite e produtos lácteos em diferentes fases da vida pode ajudar a prevenir várias doenças crónicas, garante um novo estudo, que fez a revisão de vários artigos sobre a relação entre leite e saúde.

Publicado na Advances in Nutrition, uma das revistas científicas mais importantes do mundo no campo da nutrição e dietética, o trabalho, realizado por cientistas de diferentes universidades espanholas, europeias e norte-americanas, encontrou uma ligação positiva entre a ingestão moderada de leite durante a gravidez e peso ao nascer, assim como o comprimento e conteúdo mineral ósseo durante a infância.

A esta descoberta, acrescenta outra: a de que uma ingestão diária de leite e produtos lácteos entre os idosos pode reduzir o risco de fragilidade e sarcopenia (perda de massa muscular).

Produtos lácteos reduzem risco de mortalidade

O leite e os seus derivados contêm vários nutrientes e contribuem para satisfazer as necessidades nutricionais de proteínas, cálcio, magnésio, fósforo, potássio, zinco, selénio, vitamina A, riboflavina ou vitamina B12. No entanto, o seu papel na nutrição e saúde tem sido muito questionado, o que tem dado origem a uma redução do seu consumo para níveis abaixo do recomendado em muitos países.

Esta revisão, coordenada pela Universidade de Granada, visa avaliar e sintetizar as evidências científicas sobre o efeito do consumo de leite e produtos lácteos na prevenção de várias doenças crónicas e mortalidade por todas as causas, tendo em conta a importância de manter uma adequada qualidade da dieta nas diferentes fases do ciclo de vida.

As descobertas foram variadas. Uma delas refere-se ao risco de diminuição de fraturas associadas à osteoporose. Aqui, ao contrário do esperado, foi possível perceber que uma maior ingestão de produtos lácteos não apresenta uma associação clara à redução do risco destas fraturas, ainda que isso se verifique com as fraturas vertebrais.

Não foi, também, identificada qualquer associação entre o consumo de produtos lácteos e o aumento do risco de mortalidade. De facto, a ingestão total destes produtos, desde que com baixo teor de gordura foi, isso sim, associada a um risco reduzido de síndroma metabólica, apoiando a ideia de que o consumo destes produtos não aumenta o risco de doença cardiovascular e pode, pelo contrário, ter um efeito ligeiramente protetor.

No que diz respeito à diabetes do tipo 2, esta avaliação conclui que o consumo de produtos lácteos, sobretudo laticínios e iogurtes com baixo teor de gordura, pode estar associado a um menor risco desta doença.

Risco reduzido também no caso do cancro colorretal e da bexiga.