A perda auditiva é a terceira maior causa de incapacidade no mundo. Não só afeta os idosos, como também está a aumentar entre jovens e adultos de meia-idade. E embora já se saiba que hábitos de vida influenciam o risco de perda de audição, não era claro como é que isso acontece: se através da inflamação no corpo, ou através de problemas metabólicos. Um novo estudo ajuda a desvendar essa questão e a resposta pode surpreender.
Uma equipa da Universidade de Fudan, na China, analisou dados de 441.844 pessoas com idades entre 40 e 69 anos, seguidas ao longo de 14 anos, em média, e avaliou sete hábitos: fumar, beber álcool, praticar exercício, dormir bem, passar tempo sentado, ter vida social e tomar suplementos.
Ao longo do estudo, 20.743 pessoas desenvolveram perda auditiva. Mas quem tinha hábitos de vida mais saudáveis teve um risco 14% menor de perder audição, comparado com quem tinha hábitos menos saudáveis. O fator que mais ajudou foi parar de fumar, seguido de passar menos tempo sentado. Ter mais vida social também não teve efeito comprovado.
A descoberta mais importante do estudo foi esta: o principal responsável pela associação entre estilo de vida e audição não é a inflamação, mas o metabolismo. Dois fatores, o peso corporal (IMC) e o colesterol bom (HDL), explicam juntos cerca de 30% dessa ligação. A inflamação, no total, explica bem menos: cada marcador inflamatório contribui com menos de 6%.
Os investigadores também notaram que cada hábito atua de forma diferente. Fumar prejudica a audição por dois caminhos ao mesmo tempo: inflamação e metabolismo. Já o exercício físico, menos tempo sentado e sono de qualidade ajudam sobretudo através do metabolismo, ao melhor a forma como o corpo processa açúcar e gordura, e reduzir o peso. Acredita-se que isso protege a circulação sanguínea no ouvido interno e evita danos nas células responsáveis pela audição.
O estudo é robusto: teve muitos participantes, um seguimento longo e os resultados mantiveram-se estáveis em diferentes testes. Ainda assim, tem limites. Por ser um estudo observacional, não prova causa e efeito, mas mostra uma associação. Além disso, a perda auditiva foi identificada por registos médicos, não por testes de audição, o que pode ter gerado alguns erros.
No entanto, os investigadores consideram que tem impacto na prática, ao sugerir que prevenir a perda auditiva não passa só por evitar o ruído, mas passa também por cuidar da saúde metabólica: parar de fumar, mexer-se mais e manter peso e colesterol equilibrados.
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