antibióticos

Uso de antibiótico em Portugal caiu este ano 20%

Por Bem-estar

De acordo com dados do Infarmed, a autoridade nacional de saúde em matéria de medicamentos, e em linha com últimos anos, a utilização de antibióticos em Portugal registou uma descida entre janeiro e setembro de 2020, face ao período homólogo. Dados partilhados a propósito do âmbito da Semana Mundial dos Antibióticos e do Dia Europeu do Antibiótico, que se assinala a 18 de novembro.

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remédio antigo para infeções

Remédio da medicina medieval pode ser tratamento para infeções modernas

Por Investigação & Inovação

A resistência aos antibióticos é uma batalha crescente para os cientistas, uma vez que são necessários cada vez mais antimicrobianos para tratar infeções. No entanto, cientistas da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Warwick, no Reino Unido, consideram que a investigação de antimicrobianos naturais pode fornecer candidatos para preencher a lacuna na descoberta de antibióticos.

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antibióticos programáveis

Um passo mais próximo dos antibióticos desenhados à medida

Por Investigação & Inovação

Criar uma nova geração de antibióticos muito seletivos, “desenhados à medida” e capazes de evitar as resistências é o objetivo do trabalho de um grupo de investigadores da Universidade Politécnica de Madrid e do Instituto Pasteur, que garante estar próximo de o conseguir.

Os antibióticos são a linha de defesa essencial ao dispor da medicina na luta contra as bactérias. Mas uma das suas maiores desvantagens é que atacam de forma indiscriminada todos os tipos de bactérias, incluindo as benéficas, fomentando as multirresistências.

De resto, e de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que, até 2050, a resistência aos antibióticos seja responsável por cerca de 10 milhões de mortes anuais.

Publicado na revista Nature Biotechnology, o novo estudo visa projetar um tipo de antibióticos programáveis, adaptados para o ataque apenas das bactérias “más” e prevenção do surgimento de resistências. 

Matar apenas as bactérias más

“Assim como estamos a desenvolver probióticos para regular as bactérias que temos na nossa microbiota intestinal, nós projetamos ‘bactérias sentinela’ programáveis, capazes de detetar e matar apenas as bactérias nocivas sem afetar as boas”, explica Alfonso Rodríguez-Patón, professor do Departamento de Inteligência Artificial da Escola de Engenharia de Computação da Universidade Politécnica de Madrid (UPM) e um dos autores deste trabalho.

Para o conseguir, os investigadores desenvolveram o que chamam de “bomba programável genética”. “O nosso antibiótico, transportado por bactérias sentinela, é uma toxina programada para se ativar e matar somente quando  reconhecer as bactérias más”, acrescenta Rodríguez Paton.

Esta bomba é transmitida pela bactéria sentinela às bactérias vizinhas através de um processo chamado de conjugação. “A conjugação é um mecanismo de transmissão de ADN usado por bactérias”, acrescenta.

Este mecanismo de ativação seletiva pode ser usado para atacar diferentes bactérias resistentes e é possível graças a uma molécula chamada “inteína”, para a qual o Instituto Pasteur solicitou uma patente.

Um trabalho de cinco anos

Testada experimentalmente em organismos vivos, como peixes-zebra e crustáceos infetados com a bactéria aquática da cólera, esta nova geração de antibióticos foi bem-sucedida.

“Conseguimos que o nosso antibiótico eliminasse a cólera resistente aos antibióticos neste peixe infetado e que o resto das bactérias presentes nestes peixes não fossem afetadas e sobrevivessem. Isto é relevante, porque a cólera também afeta mais de um milhão de pessoas por ano e, em casos graves, causa a morte”, refere o especialista.

O trabalho foi realizado por engenheiros, físicos e microbiologistas da UPM e do Instituto Pasteur graças ao projeto de pesquisa europeu PLASWIRES (“PLASmids-asWIRES”), dirigido por Rodríguez-Patón.

“Esta investigação e os resultados que temos alcançado não teriam sido possíveis sem o apoio de um projeto interdisciplinar europeu, que nos permitiu ser muito ambiciosos e enfrentar este novo tipo de antibióticos sabendo que havia uma elevada probabilidade de fracasso”, explica Rodríguez Paton.

“Foram cinco longos anos de trabalho, variações nos desenhos de circuitos genéticos, experiências malsucedidas. Mas no final, graças à tenacidade e trabalho de toda a equipa e especialmente ao grupo do Instituto Pasteur de Paris, conseguimos.”

Novo dispositivo deteta alergias a antibióticos em menos de uma hora

Por Investigação & Inovação

São vários os testes que permitem identificar as alergias a antibióticos. Testes invasivos, que não são suficientemente sensíveis, o que pode resultar num diagnóstico impreciso, são demorados e, em muitos casos, caros. Algo que pode mudar em breve.

Para resolver estes problemas, investigadores europeus, liderados pela Universidade Politécnica de Valência, desenvolveram um teste de baixo custo e elevada sensibilidade, capaz de detetar, de forma não invasiva e com uma pequena quantidade de sangue, alergias a antibióticos, como a amoxicilina ou penicilina, em menos de uma hora. 

As vantagens são muitas e para além de ser rápido e barato, este protótipo destaca-se por ser capaz de detetar, numa só amostra, até dez alergias aos antibióticos. E de poder analisar até seis amostras diferentes ao mesmo tempo.

“A análise é muito simples”, explica Anjo Maquieira, investigador da Universidade Politécnica de Valência.

“Depois de carregada no disco, a amostra é inserida no leitor. A partir da interação entre a amostra e os reagentes, obtém-se o resultado, que ajudará os médicos a diagnosticar se o paciente não é alérgico. Tudo em menos de uma hora”, confirma o especialista.

“Mais seguro, rápido e com menos custos”

É em Valência e Montpellier, França, que estão a decorrer os testes, que têm como objetivo confirmar o desempenho do dispositivo em situações reais. Segue-se a aplicação prática no Hospital Universitário La Fe i Politécnico.

Para Ethel Ibáñez, alergologista desta unidade, o novo teste pode fornecer o diagnóstico de alergia a antibióticos com menos custos, reduzindo, ao mesmo tempo, o desconforto e risco para os doentes.

“Atualmente, o diagnóstico começa com uma história clínica do paciente e, dependendo do risco que teve, são realizados testes cutâneos. Estes são invasivos e podem envolver uma série de riscos”, refere Ethel Ibáñez.

“Para além disso, realizamos testes analíticos e exposição ao medicamento, fornecido ao paciente por via oral, o que acarreta um risco maior do que os testes cutâneos. Todos estes testes também exigem deslocamentos sucessivos”, acrescenta.

“O equipamento que foi desenvolvido neste projeto é muito mais seguro, rápido e gera muito menos custos. Quando o doente chega à consulta, com uma pequena amostra de sangue (25 microlitros) sabemos se é alérgico ou não”.

no caminho de novos antibióticos

Descobertas nacionais abrem porta ao desenho de novos antibióticos

Por Investigação & Inovação

Cientistas nacionais identificaram novos alvos para combater um tipo de bactérias (micobactérias) atípicas responsáveis por infeções pulmonares graves, um passo importante na luta contra as doenças causadas por estes agentes, extremamente resistentes a condições ambientais adversas, a desinfetantes e à maioria dos antibióticos, e cada vez mais frequentes em pessoas com sistema imunitário enfraquecido, incluindo doentes crónicos ou idosos.

Investigadores do Centro de Neurociências (CNC) e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S/IBMC) da Universidade do Porto, com a participação de um grupo do Instituto de Tecnologia Química Biológica da Universidade Nova de Lisboa, uniram os seus esforços para uma descoberta, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA.

Um trabalho de cinco anos, que passou por compreender como estas bactérias constroem uma parede protetora única que, segundo Nuno Empadinhas, investigador do CNC, “poderá ser a chave para a conseguir “derrubar””.

No caminho do desenho de novos antibióticos

Passos importantes, confirmam os especialistas, que podem ser fundamentais para o futuro desenho de antibióticos de alta precisão. 

“Todos estes passos em sincronia foram determinantes, não só porque nos permitiram conhecer a um nível fundamental um pouco mais da fisiologia destas micobactérias ambientais, mas também porque fornecem plataformas eventualmente únicas para o desenvolvimento futuro de estratégias antimicobacterianas mais eficientes do que as que existem atualmente”, acrescenta Nuno Empadinhas.

“Este é um claro exemplo de como os esforços coordenados das várias equipas envolvidas alcançaram um resultado que dificilmente estaria acessível a qualquer delas individualmente”, reforça Pedro Pereira, investigador principal do i3S/IBMC.

Ou seja, “um mapa molecular único e detalhado deste importante processo biológico, que não só serve de ponto de partida para o nosso trabalho futuro nesta área como esperamos venha a facilitar futuramente o combate às infeções causadas por micobactérias atípicas”.

ameaças à saúde

As 10 ameaças globais à saúde em 2019

Por Bem-estar

Do regresso de doenças evitáveis a bactérias resistentes aos medicamentos, sem esquecer as novas epidemias, são vários os desafios que o mundo enfrente em termos de saúde em 2019. Ameaças que a Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de identificar, ao mesmo tempo que dá início a um novo plano estratégico para garantir mais saúde para todos.

Respirar um ar poluído

poluição do ar

Nove em cada dez pessoas respiram ar poluído.

Em cada dez pessoas, nove respiram ar poluído todos os dias. Por isso, este ano, a poluição do ar é considerada pela OMS como o maior risco ambiental para a saúde.

Ainda que sem se ver, os poluentes microscópicos presentes no ar podem conseguem penetrar nos sistemas respiratório e circulatório, danificando os pulmões, coração e cérebro, matando prematuramente sete milhões de pessoas todos os anos, vítimas de doenças como cancro, AVC, doenças cardíacas e pulmonares. 

Um cenário que não tem tendência a melhorar: entre 2030 e 2050, espera-se que as alterações climáticas provoquem 250.000 mortes adicionais por ano, de desnutrição, malária, diarreia e stress associado ao calor.

Luta contra as doenças não transmissíveis

As doenças não transmissíveis, como a diabetes, cancro e doenças cardiovasculares, são, todas juntas, responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo. Contas feitas, o valor chega aos 41 milhões de pessoas, 15 milhões das quais de forma prematura, com idades entre 30 e 69 anos.

Tabaco, sedentarismo, abuso do álcool, alimentação pouco saudável e poluição do ar são os principais fatores a estas associados, responsáveis também pela agudização de problemas de saúde mental, que podem começar cedo. De facto, metade de todas as doenças mentais têm início aos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detetada e tratada.

O que significa que, este ano, a OMS vai trabalhar com governos para os ajudar a atingir a meta global de reduzir a inatividade física em 15% até 2030.

Uma pandemia de gripe no horizonte

É uma certeza: o mundo vai enfrentar uma pandemia de gripe, não se sabendo apenas quando e quão grave será.

Por isso, a OMS está constantemente a monitorizar a circulação dos vírus influenza para detetar possíveis estirpes pandémicas e, todos os anos, recomenda as que devem ser incluídas na vacina contra gripe para proteger as pessoas da gripe sazonal.

Cenários cada vez mais frágeis

Mais de 1,6 mil milhões de pessoas (22% da população mundial) vivem em locais com crises prolongadas, seja devido à seca, fome, conflitos armados, etc, com sistemas de saúde incapazes de fornecer os cuidados mais básicos.

O reforço do trabalho nestas zonas é uma promessa da OMS.

Resistência que pode matar

antibióticos

Resistência resulta do uso excessivo de antibióticos na saúde humana, mas também ​na produção de alimentos.

A resistência aos antibióticos ameaça enviar o mundo de volta a um tempo em que este era incapaz de tratar facilmente infeções como pneumonia, tuberculose ou salmonelose.

E esta incapacidade de prevenir infeções pode comprometer seriamente a cirurgia e os procedimentos como a quimioterapia.

Uma resistência que resulta do uso excessivo de antibióticos na saúde humana, mas também ​na produção de alimentos, assim como no meio ambiente. 

Luta contra o Ébola

Em 2018, foram dois os surtos de Ébola confirmados na República Democrática do Congo, que se espalharam para cidades com mais de um milhão de pessoas. 

É, por isso, fundamental estar preparados para emergências de saúde como estas, um trabalho que promete ser reforçado este ano.

Cuidados de saúde primária fracos

Os cuidados de saúde primários são, por norma, o primeiro ponto de contacto que as pessoas têm com o seu sistema de saúde. E deve, idealmente, fornecer cuidados abrangentes, acessíveis e baseados na comunidade ao longo da vida.

É, por isso, necessário ter sistemas de saúde com cuidados de saúde primários fortes, para que se consiga alcançar a cobertura universal de saúde.

No entanto, isso continua a não se verificar em muitos países.

Em defesa da vacinação

vacinação

O número de casos de sarampo aumentou 30% em todo o mundo.

A relutância ou a recusa em vacinar, apesar da disponibilidade das vacinas, ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças evitáveis. Isto apesar de a vacinação prevenir, de forma simples e económica, dois a três milhões de mortes por ano.

O número de casos de sarampo, por exemplo, registou um aumento de 30% em todo o mundo, sendo que, em alguns países, foi a falta de vacinas que o tornou possível.

Dengue, uma ameaça crescente

O dengue é uma doença transmitida por mosquitos, que causa sintomas semelhantes aos da gripe e pode ser fatal e matar até 20% das pessoas.

Trata-se de uma ameaça crescente há décadas, estando a doença a espalhar-se para países menos tropicais e mais temperados, onde tradicionalmente não existia.

Estima-se que 40% do mundo esteja em risco de dengue.

Acabar com a epidemia de VIH

O progresso feito contra o VIH/Sida tem sido enorme, mas a epidemia continua a alastrar, com quase um milhão de pessoas por ano a morrer com a infeção.

Desde o início da epidemia, mais de 70 milhões de pessoas adquiriram a infeção e cerca de 35 milhões morreram. Hoje, cerca de 37 milhões de pessoas no mundo vivem com o VIH.

Este ano, a OMS vai trabalhar com os países para dar apoio à introdução do auto-teste, para que mais pessoas que vivem com o VIH conheçam o seu estado e possam receber tratamento.

antibióticos para crianças

Estudo alerta: crianças são tratadas com antibióticos que devem ser usados com moderação

Por Saúde Infantil

As crianças são muitas vezes tratadas com antibióticos que fazem parte de uma lista de medicamentos cujo uso deve ser moderado, devido ao risco de desenvolvimento de resistências. O alerta vem de um estudo que fez a análise da venda de antibióticos orais destinados aos mais pequenos em 70 países.

De acordo com o mesmo trabalho, o consumo varia muito de país para país, mas é pequena a relação entre a riqueza desses países e o tipo de medicação prescrita.

É preocupante, no entanto, o uso relativamente baixo da amoxicilina, um antibiótico destinado ao tratamento das infeções infantis mais comuns.

A isto junta-se o consumo elevado, num quarto de todos os países, de antibióticos que devem ser usados ​​apenas para indicações específicas, o que representam 20% do consumo total deste tipo de medicamentos e aumenta o risco de resistência por parte das bactérias.

Uso de amoxicilina relativamente baixo

Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) agrupou os antibióticos em três categorias, com recomendações sobre quando cada categoria deveria ser usada, para garantir a disponibilidade dos medicamentos e a sua correta utilização e, ao mesmo tempo, reduzir o desenvolvimento de bactérias resistentes.

Embora o relatório conclua que o consumo de antibióticos considerados mais acessíveis represente, em média, 76% das formulações para crianças em todos os países, o uso de amoxicilina na prática comunitária é relativamente baixo (uma mediana de 31%). E este deveria ser usado como primeira escolha para as indicações mais comuns de tratamento com antibióticos.

Evidência sobre consumo permite melhorar políticas

Julia Bielicki, especialista na Universidade de Londres e líder do estudo, explica que “esta é a primeira tentativa de criar métricas simples sobre o uso de antibióticos em comunidades infantis globais, com base no agrupamento da OMS”.

De acordo com Manica Balasegaram, diretora executiva da Global Antibiotic Research and Development Partnership, “a OMS encoraja fortemente o uso de antibióticos de maior acesso para tratar a maioria das infeções de crianças e adultos, porque são acessíveis, geralmente menos tóxicos e menos propensos a conduzir a futura resistência”.

E acrescenta que dar “aos formuladores de políticas dos países evidências sobre quais os medicamentos que estão a ser prescritos no seu país é um primeiro passo importante para ajudar a lidar com a prescrição inadequada de antibióticos”.

animais e antibióticos

60% de todas as doenças humanas têm origem nos animais

Por Bem-estar

Qualquer coisa como 700 mil pessoas morrem, todos os anos, no mundo, na sequência da resistência aos antibióticos, um problema que, na União Europeia, ceifa anualmente 33.000 vidas. Na luta contra este problema, a saúde animal desempenha também um importante papel, uma vez que 60% de todas as doenças humanas têm origem nos animais.

O alerta vem da Organização Mundial de Saúde (OMS), que chama a atenção para o facto de muitos dos micróbios que afetam os seres humanos serem também responsáveis por doenças em animais. Uma partilha que não se fica por aqui. Também a solução, os antibióticos, são usados por animais e humanos, o que significa que quando existe resistência aos medicamentos nos primeiros, isso pode facilmente afetar a saúde dos segundos.

“A saúde humana, animal e ambiental é igualmente responsável pelo uso correto de antimicrobianos e importante para evitar a ameaça da resistência antimicrobiana”, refere em comunicado Zsuzsanna Jakab, diretora regional da OMS para a Europa.

“À medida que nos esforçamos para garantir que os antibióticos são usados ​​corretamente na comunidade e nos serviços de saúde, percebemos que um setor sozinho não resolverá o problema”, acrescenta, reforçando a necessidade de unir os profissionais de saúde humana, animal, alimentar e ambiental numa mesma frente.

Compromisso pedido aos países europeus

O apelo foi transformado em repto e dirigido às autoridades de todos os países europeus, a quem a OMS pede um “compromisso”.

“Com 33.000 mortes anuais como consequência de uma infeção devido a bactérias resistentes a antibióticos e mil milhões em gastos anuais com cuidados de saúde, precisamos de garantir que os antibióticos são usados ​​com cautela e que as medidas de prevenção de infeção são implementadas em todos os contextos, em toda a Europa”, afirma Andrea Ammon, diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

“Como as taxas de resistência a antibióticos e as taxas de consumo de antibióticos, assim como as práticas de prevenção de infeção variam de país para país, é essencial adaptar estratégias para atender a necessidades específicas. O ECDC apela à continuação da ação a todos os níveis.”

Cuidar da saúde animal para proteger a saúde humana

O alerta é deixado a propósito da 4ª Semana Mundial de Consciencialização sobre Antibióticos, que decorre até ao próximo domingo (18 de novembro) e que tem como lema: One Health (Uma só Saúde).

Isto porque, segundo a OMS, “uma forma eficaz de proteger a saúde humana é reduzir as probabilidades de desenvolvimento de resistência de micróbios em animais”.

Até porque os antimicrobianos são amplamente utilizados na produção pecuária, muitas vezes para promover o crescimento dos animais e muitas outras para prevenir a infeção, em vez de se tratar o animal. Um uso excessivo que pode levar ao aumento das resistências a estes medicamentos.

Por outro lado, as mesmas classes de antimicrobianos são frequentemente usadas em animais consumidos mais tarde pelos seres humanos, sendo a cadeia alimentar uma via importante para a transmissão de doenças, o que requer uma monitorização e coordenação rigorosas.

Ou seja, nenhum setor sozinho tem a capacidade para resolver o problema crescente da resistência antimicrobiana. No entanto, uma ação coletiva pode ajudar o mundo a progredir nesta batalha.

E é isso que a OMS pede, uma abordagem única, com ações coordenadas entre os setores, como saúde pública, veterinária e saúde ambiental, com um objetivo único: alcançar os melhores resultados de saúde para todas as espécies.