café

Abusa do café? Então tenha cuidado com a sua saúde cardiovascular

Por Investigação & Inovação

Cerca de três mil milhões de chávenas de café são consumidas diariamente em todo o mundo. Por outro lado, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte a nível mundial, vitimando cerca de 17,9 milhões de pessoas por ano. Mas como é que estes dois assuntos podem estar relacionados? Segundo uma nova pesquisa, o consumo excessivo de café pode ser prejudicial para a saúde do coração.

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café agrava a ansiedade

Sofre de ansiedade? Então tenha cuidado com a cafeína

Por Bem-estar

Aumenta a energia, melhora o estado de alerta e produz uma sensação geral de bem-estar. É assim o café, mas apenas quando consumido em moderação. Se sofre de ansiedade, então é melhor mudar para outra bebida.

Quando os limites são ultrapassados, os efeitos deixam de ser tão ‘simpáticos’. O bem-estar passa a insónia, nervosismo e inquietação. Efeitos que, para aqueles que já lutam contra a ansiedade, podem ser difíceis de enfrentar.

Julie Radico, psicóloga clínica da Universidade Estadual da Pensilvânia, não tem dúvidas que a cafeína pode ajudar na concentração. Mais, acrescenta ainda, considera que “a cafeína não é o inimigo”.

“Mas incentivo as pessoas a conhecerem s limites saudáveis ​​e consumi-los estrategicamente, porque o café é um ativador e pode imitar ou exacerbar os sintomas de ansiedade.”

O que é demais para a ansiedade e não só

Afinal, o que é considerado demasiado? Os valores entre 50 e 200 mg podem considerar-se baixas doses de cafeína. Consumir mais de 400 mg de uma só vez abre a porta aos efeitos secundários mais desagradáveis ​​desta substância.

Além de se sentirem super estimulados e ansiosos, os que consomem muita cafeína podem sentir ainda o coração acelerado, náusea ou dor abdominal.

Para os que já são ansiosos por natureza, o café piora os sintomas de ansiedade, podendo ainda interagir de forma negativa com medicamentos para distúrbios convulsivos, doença hepática, doença renal crónica, algumas doenças cardíacas ou doenças da tiroide.

Depois, há ainda que pensar que algumas pessoas são mais sensíveis à cafeína do que outras, sendo o consumo recomendado baseado no peso corporal. O que significa que as crianças podem estar em risco de efeitos negativos. Por isso, os especialistas recomendam que os adolescentes e as crianças não consumam mais de 100 mg de cafeína por dia, um limiar muito baixo, tendo em conta o número de produtos com cafeína (uma bebida energética pode ter cerca de 400 mg).

café ajuda a queimar gorduras

Poderá o café ser o segredo para o combate à obesidade?

Por Bem-estar

São muitos os artigos sobre o café: que apregoam o seus benefícios e malefícios, que aconselham o número de chávenas a beber e por aí fora. Este é mais um, mas aqui, aquela que é uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo surge associada à obesidade, ou melhor, ao combate às gorduras acumuladas. 

É da Universidade de Nottingham que vem a descoberta de que beber uma chávena de café pode estimular as defesas do próprio corpo e o combate à gordura, que pode mesmo ser a chave para combater a obesidade e a diabetes.

O estudo pioneiro, publicado na revista Scientific Reports, é um dos primeiros a ser realizado em humanos, em busca de componentes capazes de terem um efeito direto sobre as funções da “gordura castanha”, um dos dois tipos de gordura encontrados em seres humanos e outros mamíferos.

A sua principal função é gerar calor corporal, queimando as calorias (em oposição à gordura branca, que é resultado do armazenamento de calorias em excesso).

As pessoas com um menor índice de massa corporal (IMC) têm, por isso, uma maior quantidade de gordura castanha.

Os efeitos de uma chávena de café

Michael Symonds, especialista da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, coautor do estudo, explica que “a gordura castanha funciona de maneira diferente das outras gorduras no corpo e produz calor, queimando açúcar e gordura, muitas vezes em resposta ao frio”.

Ainda de acordo com o especialista, “aumentar a sua atividade melhora o controlo do açúcar no sangue, assim como melhora os níveis de lípidos no sangue. E as calorias extras ajudam na perda de peso. No entanto, até agora, ninguém encontrou uma forma aceitável de estimular a sua atividade nos seres humanos”.

“Este é o primeiro estudo em humanos a mostrar que algo como uma chávena de café pode ter um efeito direto sobre as nossas funções da gordura castanha. As potenciais implicações dos nossos resultados são muito grandes, já que a obesidade é uma grande preocupação de saúde para a sociedade e também temos uma crescente epidemia de diabetes. A gordura castanha poderia ser parte da solução para atacá-los.”

Em busca de novas confirmações

A equipa deu início a uma série de estudos com células-estaminais para verificar se a cafeína estimularia a gordura castanha. Depois de terem encontrado a dose certa, passaram para os humanos para ver se os resultados eram semelhantes.

Para isso, usaram uma técnica de geração de imagens térmicas, para rastrear as reservas de gordura castanha do corpo. 

“Os resultados foram positivos e agora precisamos de averiguar se a cafeína, como um dos ingredientes do café, está a agir como estímulo ou se há outro componente que ajuda na ativação da gordura castanha”, refere a mesma fonte.

quanto café posso beber por dia?

Há um limite para as chávenas de café que pode beber por dia

Por Bem-estar

Bica, carioca, cappuccino, pingado, cheio ou curto, cafés há muitos. Assim como há também muitos que se perdem no sabor e aroma encorpado desta bebida, perdendo a conta ao número de chávenas bebidas. Mas ainda que o café possa ser parte integrante da rotina diária, quanto é considerado demais?

Uma investigação feita pela University of South Australia arrisca um número: seis. É este o limite. A partir da 6.ª chávena, o café passa a ser prejudicial à saúde, aumentando o risco de doenças cardiovasculares em até 22%. 

Apostados em saber mais sobre a relação entre o consumo de café a longo prazo e estas doenças, Ang Zhou e Elina Hyppönen, do Centro Australiano de Saúde de Precisão, lançaram mãos à obra. E revelam o ponto em que o excesso de cafeína pode causar pressão arterial elevada, um dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

O que torna esta a primeira vez que um limite máximo é associado a um consumo seguro de café e à saúde cardiovascular.

Três mil milhões de chávenas consumidas em todo o mundo

“O café é o estimulante mais consumido no mundo”, refere Elina Hyppönen. “Ele acorda-nos, aumenta a nossa energia e ajuda a concentração, mas as pessoas perguntam sempre ‘quanta cafeína é demais?'”, acrescenta.

“A maioria das pessoas concorda que, se alguém toma muito café, pode sentir-se nervoso, irritado ou até mesmo ter náuseas, isso porque a cafeína ajuda o corpo a trabalhar mais depressa e com mais força, mas também sugere que se atingiu o limite naquele momento.”

“Também sabemos que o risco de doença cardiovascular aumenta com a pressão alta, uma consequência conhecida do consumo excessivo de cafeína.”

O que significa, refere ainda, que “para manter um coração saudável e uma pressão arterial saudável, as pessoas devem limitar os seus cafés a menos de seis chávenas por dia. Com base nos nossos dados, seis foi o ponto de inflexão em que a cafeína começou a afetar negativamente o risco cardiovascular”.

“Estima-se que três mil milhões de chávenas de café sejam apreciadas todos os dias à volta do mundo”, refere a mesma fonte. “Conhecer os limites do que é bom e o que não é é imperativo. Tal como acontece com muitas coisas, é tudo uma questão de moderação”.

relação entre produtos lácteos e saúde cardiovascular

Café, álcool ou produtos lácteos: amigos ou inimigos do coração?

Por Nutrição & Fitness

Quais são, afinal, os alimentos que fazem bem à saúde cardiovascular? É que, para cada estudo que elege um novo aliado da saúde do coração, parecem surgir vários que o contradizem. A esta troca investigativa junta-se mais um elemento, da autoria do Colégio Americano de Cardiologia, que pretende trazer uma nova luz sobre o tema.

O objetivo é, lê-se no trabalho, publicado no Journal of the American College of Cardiology, “fornecer aos médicos informações atualizadas para discussão com os doentes no ambiente das consultas”. 

Para isso, os especialistas dividiram vários alimentos e bebidas em três grupos: aqueles para os quais há “evidência de dano”, os que cabem na categoria de “falta de evidência” e finalmente aqueles para os quais existe “evidência de benefício”. 

Produtos lácteos: amigos ou inimigos?

São muitos os estudos que já se debruçaram sobre os produtos lácteos, acusando-os de inimigos da saúde cardiovascular. Outros há que os aconselham, tornando difícil, para quem é leigo na matéria, perceber de que lado se encontram: dos vilões ou dos heróis alimentares.

A análise feita pela Academia Americana de Cardiologia chama a atenção para isso mesmo. E ainda que estes produtos possam ser ricos em gorduras saturadas e sal, é também um facto que são uma fonte de vitaminas e minerais, o que os coloca do lado dos alimentos para os quais há “falta de evidência” sobre os seus benefícios… ou risco.

Falta de evidência associada aos alimentados fermentados e algas

Os alimentos que se seguem são os alimentos fermentados e as algas. E também estes acabam por ser incluídos na categoria dos produtos lácteos, uma vez que não existe evidência “de alta qualidade” dos benefícios do seu consumo para as doenças cardiovasculares.

“Estudos observacionais e ensaios clínicos sugerem que, tanto os probióticos naturais, como as algas apresentam benefícios potenciais para as doenças cardiovasculares, dislipidemia e peso. No entanto, não há evidências suficientes para, atualmente, os recomendar rotineiramente, embora também não haja evidências de danos causados por eles.”

Cuidado com os açúcares

Na lista dos produtos para os quais esta organização norte-americana considera existirem evidências de danos estão os açúcares adicionados. 

Aqui, pede-se aos médicos o cuidado de recomendarem aos seus doentes uma leitura atenta dos rótulos dos alimentos e a escolha de alimentos pobres em açúcares, para melhor protegerem a sua saúde.

Desta lista fazem ainda parte as bebidas energéticas. “Devem ser evitadas”, referem os especialistas, “até que investigações mais definitivas possam ser realizadas”. É que, por enquanto, “parece haver alguma evidência de dano”.

Os amigos da saúde cardiovascular

A última categoria é a dos alimentos para os quais existe evidência de benefícios, o que significa que os podemos consumir regularmente, sem receios.

São eles as leguminosas, uma fonte de proteína e fibra, cujo consumo está associado a uma redução na incidência de doenças coronárias, melhores níveis de colesterol e de pressão arterial, assim como de peso corporal.

Ou seja, “as leguminosas devem fazer parte de qualquer dieta que vise promover a saúde cardiometabólica”.

Segue-se o café, “geralmente associado a menor risco de mortalidade por todas as causas e mortalidade por doenças cardiovasculares”, o chá, também associado a benefícios semelhantes e as bebidas alcoólicas. Neste caso, “a investigação revelou alguns benefícios do álcool”, apesar de não existirem “evidências de alta qualidade suficientes para recomendar bebidas alcoólicas específicas para a redução do risco cardiovascular”.

Os especialistas salientam que “não é recomendado que os indivíduos comecem a ingerir álcool para benefícios cardiovasculares”, devendo ser, para aqueles que bebem, aconselhada a limitação da sua ingestão.

Os cogumelos, que “podem estar associados à melhora das vias inflamatórias”, os alimentos ricos em ómega 3, que melhoram os perfis lipídicos e a vitamina B12, são também benéficos.

aroma a café tem benefícios

Basta o cheiro a café para melhorar as capacidades a matemática

Por Investigação & Inovação

Já não é preciso beber café para que o resultado seja um reforço de energia. Parece que basta apenas cheirá-lo para que se consigam resultados semelhantes, garante um novo estudo, que afirma que este aroma melhora as capacidades matemáticas.

Os benefícios desta bebida já foram comprovados por vários estudos. Para além do estímulo físico que proporciona, pode diminuir o risco de doenças cardíacas, diabetes e demência. E até pode ajudar a viver mais. Agora, a esta lista junta-se o reforço das capacidades analíticas. 

A investigação realizada pelo Stevens Institute of Technology destaca que, não só o perfume a café proporciona um reforço cognitivo, como reforça ainda a expectativa de que os alunos terão um desempenho melhor nestas tarefas.

“O cheiro a café ajudou as pessoas a saírem-se melhor em tarefas analíticas, o que por si já é interessante”, refere Adriana Madzharov, autora do estudo. Mas o interesse reforça-se porque cheirar o café, que não tem cafeína, tem um efeito semelhante ao de o beber, o que sugere um efeito placebo.

Aroma melhora resultado nos testes

No seu trabalho, Madzharov e a sua equipa submeteram 100 alunos de cursos superiores de gestão, divididos em dois grupos, a um teste de álgebra composto por 10 perguntas.

Um dos grupos realizou o teste na presença do cheiro a café, enquanto o grupo de controlo respondeu às mesmas questões, mas numa sala livre de aromas.

E aqueles que se encontravam na sala onde se cheirava o café tiveram uma pontuação significativamente mais alta no teste.

Madzharov e os seus colegas queriam saber mais. Será que o estímulo do primeiro grupo ao raciocínio rápido poderia ser explicado, em parte, pela expectativa de que o aroma de café aumentaria o estado de alerta e, subsequentemente, melhoraria o desempenho?

A equipa fez então uma nova investigação, com mais de 200 novos participantes, questionando-os sobre crenças relacionadas com vários aromas e os seus efeitos percebidos no desempenho humano.

Os participantes acreditavam que se sentiriam mais alertas e enérgicos na presença de um cheiro a café, quando comparado com o cheiro a flores ou nenhum cheiro; e que a exposição ao aroma do café aumentaria o seu desempenho nas tarefas mentais.

Os resultados sugerem que as expectativas sobre o desempenho podem ser explicadas pelas crenças de que o aroma do café, por si só, torna as pessoas mais alertas e enérgicas.

Um cheiro bom para os negócios

Madzharov considera que esta descoberta – a de que o cheiro de café age como um placebo para o desempenho do raciocínio analítico – tem muitas aplicações práticas, incluindo na área dos negócios.

“O olfato é um dos nossos sentidos mais poderosos”, afirma.

“Os arquitetos, projetores de edifícios, gerentes de espaço de comércio e outros, podem usar aromas subtis para ajudar a moldar a experiência dos empregados ou elementos num determinante meio. É uma área de grande interesse e potencial.”