Novas tendências na saúde em destaque na reunião anual da ESTeSC

Por Marque na Agenda

Está lançado o tema de discussão para o Annual Meeting 2021: “Saúde Global: Novas Tendências”. O congresso – organizado pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC) e aberto a todos os estudantes, docentes e investigadores das áreas da saúde decorre entre 22 e 24 abril, estando já abertos os prazos para inscrição e submissão de trabalhos científicos sobre novas tendências na saúde.

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spray

Um spray para combater a depressão? Cientistas estão a trabalhar para isso

Por Investigação & Inovação

A realidade prepara-se para imitar a ficção, pelo menos em parte, ao tentar copiar a ideia retratada no filme O Perfume, realizado por Tom Tykwer e baseado num romance de Patrick Süskind, em que o protagonista tudo fez para reproduzir o perfume da beleza numa garrafa, extraindo a fragrância da pele de mulheres bonitas. O caminho da ciência não é esse, mas um grupo de investigadores quer criar um spray em perfume para combater a depressão.

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síndrome do coração partido

Cérebro dá novas pistas para explicar coração partido

Por Investigação & Inovação

Sim, o coração também se parte. E parece que o cérebro pode ter muito a ver com a síndrome do coração partido, revela um novo estudo.

Também conhecida como síndrome de Takotsubo, palavra japonesa que descreve o formato do coração nas pessoas que dela sofrem, trata-se de um problema motivado por um trauma emocional forte e que encontra agora parte da explicação no cérebro.

De acordo com os investigadores, parece que as regiões do cérebro responsáveis ​​pelo processamento de emoções e pelo controlo do funcionamento inconsciente do corpo – batimentos cardíacos, respiração e digestão – não comunicam entre si como deviam.

Comunicação comprometida

Publicada no European Heart Journal, a investigação debruça-se sobre a síndrome do coração partido, caracterizado por um enfraquecimento súbito e temporário dos músculos do coração, que faz com que o ventrículo esquerdo assuma uma forma semelhante à de uma armadilha de polvo japonesa, da qual recebe o nome.

Um problema pela primeira vez descrito em 1990, estando associado a episódios de sofrimento emocional grave, como luto, raiva ou medo, ou reações a eventos felizes ou alegres e afetando sobretudo as mulheres (apenas 10% dos casos ocorrem em homens).

Aqui, os doentes sentem dores no peito e falta de ar, o que pode motivar enfartes e até a morte. 

Unidos por um fim comum, neurocientistas e cardiologistas realizaram ressonâncias magnéticas ao cérebro de 15 pessoas com este problema, avaliadas no Hospital Universitário de Zurique, na Suíça, imagens depois comparadas com as 39 pessoas saudáveis. 

“Estávamos interessados ​​em quatro regiões específicas do cérebro, espacialmente separadas umas das outras, mas funcionalmente ligadas, o que significa que partilham informações”, explica Christian Templin, professor de cardiologia do Hospital Universitário de Zurique.

“Descobrimos que os doentes com esta síndrome tiveram uma diminuição de comunicação entre as regiões cerebrais associadas ao processamento emocional e o sistema nervoso autónomo, que controla o funcionamento inconsciente do corpo, quando comparadas com as pessoas saudáveis”, acrescenta.

“Identificámos, pela primeira vez, uma relação entre as alterações na atividade funcional de regiões cerebrais específicas e esta síndrome, o que suporta a ideia de que o cérebro está envolvido no mecanismo subjacente da doença”, reforça o especialista.

Um enigma ainda por resolver

Amígdala, hipocampo e o giro cingulado, que controlam emoções, motivação, aprendizagem e memória, foram as regiões do cérebro analisadas.

A amígdala e o giro cingulado estão também envolvidas no controlo do sistema nervoso autónomo e na regulação da função cardíaca. Para além disso, o giro cingulado está associado à depressão e outros transtornos de humor, comuns nestes doentes.

“É importante ressaltar que as regiões que identificamos como comunicando menos umas com as outras em doentes com esta síndrome são as mesmas que se acredita serem responsáveis pelo controlo da nossa resposta ao stress. Ou seja, esta diminuição na comunicação pode afetar negativamente a forma como os doentes respondem ao stress e os torna mais suscetíveis ao desenvolvimento da síndrome”, explica Templin.

Jelena Ghadri, coautora do estudo, considera que os resultados “sugerem que devem ser realizados estudos adicionais para determinar se esta é uma relação causal”.

“Esperamos que este estudo ofereça novos pontos de partida para o estudo desta síndrome, em termos de entender que é muito mais que o “coração partido” e envolve claramente as interações entre o cérebro e o coração, que ainda não são totalmente compreendidas.”

E reforça o trabalho aqui feito, que uniu neurocientistas e cardiologistas. “Um problema na investigação desta síndrome é que geralmente os cardiologistas concentram-se apenas no coração. Acreditamos que abordar este problema de forma multidisciplinar pode ajudar a descobrir a verdadeira natureza e as suas causas.”

Falta generalizada de iodo ameaça desenvolvimento do cérebro das crianças

Por Atualidade

Até 50% de todos os recém-nascidos na Europa podem não atingir o seu potencial cognitivo devido à deficiência de iodo, um micronutriente essencial para o desenvolvimento do cérebro das crianças presente na água que bebemos e na comida que ingerimos, revela um estudo do EUthyroid, um projeto financiado pela Comissão Europeia.

Os efeitos adversos da deficiência deste micronutriente são diversos e impõem uma carga significativa aos sistemas de saúde públicos. E embora este seja um facto reconhecido, na Europa, os programas de prevenção dos transtornos mentais associados à deficiência de iodo “recebem surpreendentemente pouca atenção dos formuladores de políticas, formadores de opinião e dos cidadãos”, referem em comunicado os autores do estudo.

O que faz ainda menos sentido, tendo em conta que “a deficiência de iodo pode ser evitada de uma forma económica, através do fornecimento de alimentos fortificados com iodo”.

Por isso, investigadores europeus de 27 países uniram as suas vozes para alertar para o que dizem ser a deterioração do compromisso dos decisores políticos para lidar com a deficiência de iodo na Europa. E decidiram lançar uma abordagem para chamar a atenção dos políticos, cientistas e população em geral, no sentido de se assegurarem estratégias efetivas para prevenir esta deficiência, implementadas em toda a Europa.

Foi então lançada a Declaração de Cracóvia, que exige, para a erradicação da deficiência de iodo:

  • métodos de prevenção das desordens resultantes da deficiência de iodo, através do uso de sal iodado e do livre comércio, na União Europeia, de alimentos enriquecidos e rações para animais;
  • que os governos nacionais e as autoridades de saúde pública façam a monitorização e uma avaliação harmonizada dos programas de fortificação em intervalos regulares, para garantir o fornecimento ideal de iodo à população;
  • que os cientistas, juntamente com os profissionais de saúde pública, organizações de doentes, a indústria e o público, apoiem as medidas necessárias para garantir que os programas de prevenção são sustentáveis, dentro de um ambiente em rápida mudança e maior consciência social da questão.