app para devolver voz

Investigadores nacionais querem dar voz a quem a perdeu

Por Investigação & Inovação

Seja por afonia temporária ou permanente, doenças oncológicas (cancro da tiroide ou da laringe), esclerose múltipla, Parkinson ou distúrbios psicológicos, como a ansiedade, perder a voz é perder um pedaço de nós. É para ajudar os milhões que, no mundo, são afetados por falta de voz que um grupo de investigadores portugueses pretende criar um sistema inovador para a reconstrução da voz natural.

O projeto DyNaVoiceR já arrancou, reunindo engenheiros, otorrinolaringologistas e terapeutas da fala, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e da Universidade de Aveiro.

“O objetivo é criar um assistente tecnológico avançado que converta sinais de fala sussurrada em sinais de fala natural”, ou seja, uma aplicação, refere ao Notícias UP Aníbal Ferreira, investigador principal e professor da FEUP.

Sistema projeta e corrige a voz

O sistema em que agora trabalham pretende ser um “amplificador modificado, mas inteligente”, capaz de projetar a voz e, ao mesmo tempo, de a corrigir.

O DyNaVoiceR surge na sequência de outros projetos na área da voz falada e cantada, como o projeto ARTTS, também liderado por Aníbal Ferreira.

Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, conta ainda com a participação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e do Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro.

casal de idosos

Dois terços dos idosos nacionais não se consideram saudáveis

Por Bem-estar

Dor, a perda de memória e a solidão são os principais fatores que levam cerca de dois terços dos idosos portugueses a avaliar o seu estado de saúde como não saudável, conclui um novo estudo.

Os dados resultam de uma amostra de pessoas com mais de 65 anos, residentes em Portugal, e integram o estudo realizado por Maria Piedade Brandão, docente da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro e investigadora do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, e Margarida Fonseca Cardoso, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

A investigação analisou e comparou as perceções das ameaças à saúde e ao bem-estar entre os idosos de Portugal e da Polónia, dois países europeus que estão abaixo da média em medidas como o rendimento e a riqueza.

Ao todo, 69,2% dos idosos portugueses classificaram o seu estado de saúde como razoável ou mau, valor superior ao verificado entre os idosos polacos (66,5%), tendo, por cá, as mulheres uma maior tendência para avaliarem a sua saúde como razoável ou má, enquanto as pessoas viúvas têm mais tendência para se considerarem não saudáveis.

Dinheiro associado a saúde

Nos dois países, o dinheiro influencia a forma como se olha para a saúde, sobretudo a falta destes. Entre a amostra portuguesa, cerca de um quarto dos idosos declararam chegar ao final de cada mês sem dinheiro para as suas despesas, percentagem superior à encontrada na Polónia (14,8%). 

O mesmo acontece com a dor. Entre as variáveis analisadas, esta está presente em mais de 80% dos idosos estudados que se dizem não saudáveis. O que, contas feitas, significa que os idosos portugueses com dor têm um risco nove vezes maior de reportar um estado de saúde razoável ou insatisfatório.

Também a falta de ar durante atividades do dia-a-dia e problemas mentais, como a solidão e a perda de memória, estão claramente associadas a perceções mais negativas sobre o estado de saúde e bem-estar.

A solidão é mesmo uma das mais importantes ameaças a ter em conta. Segundo este estudo, 71,9% dos idosos avaliados que não se consideram saudáveis dizem que se sentem sós e mais de metade dos que se consideram saudáveis referem este sentimento.

cancro da próstata

“Auxiliares de decisão” ajudam na prevenção do cancro da próstata

Por Cancro

Há momentos em que a decisão em saúde não é fácil para o doente, momentos em que é preciso escolher intervenções que podem ter tanto de bom como de mau. Nestes casos, os “auxiliares de decisão” são fundamentais, revela um estudo nacional, que confirma que serem capazes de ajudar os homens a decidir se realizam ou não uma análise que pode identificar o cancro da próstata, mas que apresenta diversos riscos. E são os auxiliares disponibilizados através da web que melhor funcionam.

De acordo com os especialistas, estes auxiliares mais não são do que informação em saúde de qualidade, disponibilizada sob diferentes formatos, como sites, apps, vídeos ou panfletos, que aumentam o conhecimento dos doentes e permitem que estes tenham um papel ativo na decisão. 

A confirmação da sua importância foi dada por um grande estudo, realizado por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, que fez uma síntese estatística dos mais importantes trabalhos realizados sobre este tema, com honras de publicação no Journal of Medical Internet Research.

Dar ao doente uma voz na decisão

“Há casos em que as intervenções médicas apresentam uma probabilidade de causar dano semelhante, ou até superior, à probabilidade de causar benefício. Nestas situações, e para que o doente decida de um modo informado, deve ser encorajado a tomar parte no processo de decisão”, refere Carlos Martins, investigador do CINTESIS responsável pela investigação.

No caso do rastreio do cancro da próstata, o doente compreende o risco e gravidade da doença e é informado dos riscos, benefícios, alternativas e incertezas do teste PSA, um dos exames usados para ajudar a identificar a doença, cabendo-lhe a tarefa de os ‘pesar’ e de decidir.

Neste estudo, comparou-se o impacto dos auxiliares de decisão baseados na Internet com outros formatos para o apoio à decisão do rastreio do cancro da próstata. E confirmou-se que estes “melhoram o conhecimento sobre o rastreio, diminuem o conflito decisional e fomentam um papel ativo do doente na decisão”.

Podem, por isso, ser os mais indicados para aumentar a capacidade de os homens participarem no processo de decisão relativamente à realização do teste PSA, de forma fácil, anónima e com baixo custo.

saúde não é prioridade

Maioria dos portugueses considera que saúde não é uma prioridade do Governo

Por País

A esmagadora maioria dos portugueses (74%) considera que a saúde não é uma prioridade do Governo. Um inquérito à população, realizado no âmbito do projeto ‘3f – Financiamento, Fórmula para o Futuro’, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), com o apoio da Roche, confirma que apenas 26% têm uma resposta positiva.

O estudo, realizado com uma amostra representativa da população e que contou com a participação de 600 pessoas, confirma a importância dada pelos cidadãos nacionais ao tema. Ao todo, oito em cada 10 atribuem à saúde o valor máximo da escala e outros tantos têm queixas em relação à forma de funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na hora de escolher, 87% optam pela oferta pública (foram aos hospitais do SNS nos últimos seis meses), mas não sem críticas. Queixam-se dos tempos de espera, superiores no público, da possibilidade de aceder aos tratamentos inovadores, da qualidade das instalações e do equipamento.

O inquérito revela ainda que entre aqueles que fizeram a visita a um hospital do SNS, a maior parte (28%) fê-lo por ser mais barato, com a qualidade a merecer apenas 6% das respostas.

A eterna questão do financiamento

A questão do financiamento, ou falta dele, no Serviço Nacional de Saúde é consensual. Na Fundação Calouste Gulbenkian, num encontro sobre o tema, Alexandre Lourenço, presidente da APAH, chamou a atenção para as “restrições financeiras”, depois confirmadas pelo ministro da Saúde, convidado do mesmo evento.

É sobre as respostas a este problema que muito se tem pensado. Agora, há conclusões, em forma de recomendações e dois projetos-piloto que as vão pôr em prática.

Ao longo de cerca de um ano, 22 peritos de diferentes áreas reuniram-se para refletir. Uma reflexão no âmbito do projeto 3f – Financiamento, Fórmula para o Futuro, uma iniciativa da APAH com o apoio da Roche, destinada a identificar e definir soluções que permitam reduzir o desperdício e promover a inovação em saúde.

“Abandonar a modalidade de pagamento assente no volume de cuidados” é algo que, defende Alexandre Lourenço, deverá ser feito. Das 90 recomendações sugeridas pelos peritos encontram-se várias associadas a esta ideia. Como aquela que defende o “desenvolvimento de ferramentas que permitem incluir a experiência  do utente no modelo de financiamento da saúde”.

A satisfação e qualidade são, de resto, dois conceitos que têm andado alheados do sistema e que os especialistas os querem agora ver incluídos.

Mas há mais, muito mais a fazer, desde o aumento da literacia em saúde, que permitirá uma maior participação dos cidadãos, a uma integração entre os cuidados primários e os restantes, que se admite estar em falta, sem esquecer a medição dos resultados, que deve servir de bússola para o financiamento. 

Da teoria à prática: os projetos-piloto

O Instituto de Oncologia do Porto e o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) são as duas instituições que vão protagonizar projetos-pilotos. A ideia é aplicar, na prática, muito do que foi identificado na teoria.

No primeiro, pretende-se implementar um modelo de financiamento centrado na medição de resultados dos doentes com cancro do pulmão, em que serão definidos incentivos associados à qualidade e não à quantidade. Como resultado final, espera-se “mais acesso, maior sustentabilidade, mais responsabilidade, mais transparência, melhores resultados para o doente e maior satisfação com a experiência dos cuidados de saúde”.

No CHTMAD, a ideia é articular os cuidados de saúde primários com os secundários. “Temos um número elevadíssimo de doentes frequentes nas urgências”, confirma João Oliveira, presidente do conselho de administração do CHTMAD. E um dos projetos é criar “um plano de intervenção para utilizadores frequentes da urgência”.

Os números confirmam essa necessidade. Em 2017, foram muitos os utentes com mais de 40 idas anuais às urgências. Um deles chegou mesmo a ir 67 vezes.

proteger do sol

Cuidados com o sol, só em teoria. Portugueses falham na prática

Por Atualidade, Investigação & Inovação

Numa altura em que se anunciam temperaturas de bater recordes, multiplicam-se os alertas. Todos o cuidado com o sol é pouco, mas cuidado é algo que os portugueses devia ter mais, revelam os dados de inquéritos realizados à população nacional.

Os estudos, realizados com o CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, procuraram avaliar os conhecimentos da população nacional em relação à exposição solar.

E tudo começou pela praia. Aqui, o olhar atento de Ana Filipa Duarte, estudante de doutoramento da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, confirma a falta de cuidado. De facto, mais de metade dos inquiridos chegou à zona balnear nas horas menos recomendadas para exposição solar.

Mais ainda, dos que responderam às questões colocadas pelos investigadores, foram aqueles com idades compreendidas entre os 16 e 40 anos que mais desrespeitaram o horário de segurança. 

A investigadora quis também perceber, já que a prevenção e informação devem começar cedo, quais os hábitos dos mais pequenos (dos sete aos 11 anos). Mais uma vez, os resultados deixam a desejar.

É que, embora 64% dos petizes usem o chapéu para se proteger do sol, já o protetor solar, nem por isso. Apenas 15% o fazem na escola, valor que sobe para 37% na praia.

A boa notícia é que a maioria (85%) das crianças tem um conhecimento adequado sobre as medidas de proteção solar. O menos bom é que, e de forma errada, mais de metade (64%) defende que o protetor solar protege melhor que a roupa ou a sombra.

Maioria dos atletas tem comportamento desadequado

No que diz respeito aos atletas que praticam desporto ao ar livre, outros dos grupos de risco quando em causa estão as lesões causadas pelo sol, o inquérito revela motivos para preocupação.

Ao todo, 75% dos inquiridos têm um comportamento desadequado. As mulheres são mais cuidadosas quanto ao uso do protetor solar, mas preocupam-se menos quanto aos horários recomendados para a exposição solar.