acesso aos cuidados de saúde

Associações de doentes defendem direito de todos no acesso a cuidados de saúde

Por Atualidade

O receio inicial, manifestado por alguns nos primeiros tempos da pandemia, deu lugar ao desejo, que se faz acompanhar pela necessidade de retomar o que a Covid-19 obrigou a adiar, sejam rastreios, exames, consultas ou tratamentos. Porque “para quem está doente o tempo conta”, mensagem de uma campanha que junta várias associações de doentes, unidas à volta da importância de se encontrar uma solução que permita dar resposta à pandemia, sem colocar em causa o acompanhamento e cuidados de saúde de outros doentes.

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informações do médico

Doentes mais stressados retêm menos a informação do médico

Por Bem-estar

Vergonha, ansiedade, medo. Há quem os sinta com mais ou menos intensidade, mas estes são sentimentos partilhados por muitos doentes antes de uma visita ao médico, o que os torna mais tensos. Uma tensão para a qual chama a atenção um grupo de especialistas norte-americanos, que considera prejudicial à atenção e que considera que torna mais difícil a compreensão da informação do médico.

“Uma emoção negativa intensa pode levar o doente a concentrar-se em apenas uma ou duas informações e a encobrir outros detalhes importantes referentes a estas mensagens”, explica Koji Takahashi, estudante de pós-graduação em psicologia e principal autor do estudo.

Especialistas da Universidade do Michigan tentaram então perceber se, através da meditação, os doentes se tornavam mais relaxados, reduzindo os sentimentos negativos que antecedem a ida ao médico.

Foram quatro os estudos que serviram de base a este trabalho, que envolveram cerca de 1.450 adultos. Os participantes foram divididos em grupos: alguns meditavam ou ouviam áudio com exercícios respiratórios e de relaxamento, enquanto outros simplesmente ouviram informações históricas.

Depois disso, todos leram informações sobre gripe, cancro, VIH, herpes e gonorreia.

Para melhor reter a informação do médico

Os resultados revelaram que aqueles que relaxaram prestaram mais atenção às mensagens de saúde. Ou seja, a meditação criou um efeito positivo, o que permitiu que retivessem a informação, referiu Allison Earl, professora assistente de psicologia e coautora do estudo.

“Um sentimento negativo afasta a atenção das informações desagradáveis ​​ou ameaçadoras”, acrescenta a especialista. O facto de estar calmo faz com que o doente “seja capaz de lidar melhor com as informações”.

Os investigadores recomendam, por isso, que as pessoas usem seu tempo com sabedoria na sala de espera, meditando ou ouvindo músicas tranquilizadoras, em vez de simplesmente assistirem ao que está a passar na televisão ou mexerem nos telemóveis.

Para os que acham que não vão conseguir relaxar, o melhor mesmo é que levem um elemento da família ou amigo para a consulta, para que este possa estar atento às considerações do médico.

Consultar o mesmo médico evita mortes

Consultar sempre o mesmo médico pode salvar vidas

Por Atualidade, Investigação & Inovação

Costuma mudar muitas vezes de médico? Se sim, talvez seja melhor repensar essa estratégia. É que, de acordo com um estudo inovador, os doentes que consultam o mesmo médico ao longo do tempo têm menores taxas de mortalidade.

A garantia é dada pelos especialistas da Clínica de St Leonard em Exeter e da University of Exeter Medical School, no Reino Unido que, num trabalho publicado na revista BMJ Open, fazem a primeira revisão sistemática da relação entre as taxas de mortalidade e a continuidade dos cuidados de saúde.

“Há muito que os doentes sabem que importa qual o médico que veem e como podem comunicar com ele. Até agora, permitir que consultem o médico da sua escolha tem sido considerada uma questão de conveniência ou cortesia: mas é claro que se trata da qualidade da prática médica e é literalmente ‘uma questão de vida ou morte'”, esclarece Denis Pereira Gray, um dos autores do trabalho.

“A continuidade do cuidado acontece quando um doente e um médico se veem repetidamente e se conhecem. Isso leva a uma melhor comunicação, satisfação do paciente, adesão ao aconselhamento médico e muito menor uso de serviços hospitalares”, garante Philip Evans, da da University of Exeter Medical School.

“Como a tecnologia médica e os novos tratamentos dominam as notícias médicas, o aspeto humano da prática médica tem sido negligenciado. O nosso estudo mostra que pode potencialmente salvar vidas e deve ser priorizado.”

Redução confirmada da mortalidade

De acordo com o estudo, o contacto repetido entre médico e doente está relacionado com um menor número de mortes. O efeito encontra-se em diferentes culturas e verificou-se não apenas para médicos de família, mas também para especialistas, incluindo psiquiatras e cirurgiões.

A revisão feita analisou os resultados de 22 estudos, de nove países com culturas e sistemas de saúde muito diferentes. Destes, 18 (82%) verificaram que o contacto repetido com o mesmo médico ao longo do tempo representava menos mortes ao longo dos períodos de estudo, comparando com aqueles sem continuidade.

Internistas responsáveis por 23% de todos os doentes saídos dos hospitais do SNS

Por País

Em 2017, os internistas foram responsáveis, só nos hospitais do SNS, pela realização de cerca de 587 mil consultas e pelo atendimento da grande maioria das quatro milhões e 600 mil admissões nas urgências gerais dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Números apresentados no congresso que reúne estes especialistas.

Portugal tem mais de 2.600 internistas inscritos na Ordem dos Médicos, mais de 1.700 dos quais apenas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O que significa que 8,6% da totalidade dos médicos nestes hospitais são internistas, que dão resposta a milhares de doentes e de consultas: em 2017, saíram dos serviços de Medicina dos hospitais do SNS 188.307 doentes, o que representa mais de 42% dos internamentos médicos (440.188) e 23% de todos os doentes saídos dos hospitais do SNS (802.129).

Estes e outros números foram apresentados esta sexta-feira (1 de junho) na Sessão Solene de Abertura do 24º Congresso Nacional de Medicina Interna, que decorre até ao próximo domingo (dia 3), no Centro de Congressos do Algarve, nos Salgados, por Luís Campos, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que cessa agora as suas funções.

O especialista tomou a palavra para mostrar, com recurso aos números, porque é que a Medicina Interna é uma “especialidade nuclear para o sistema de saúde” nacional.

“Em 2017 realizamos, só nos hospitais do SNS, cerca de 587 mil consultas (586.781) e fomos responsáveis pelo atendimento da grande maioria das quatro milhões e 600 mil admissões nas urgências gerais dos hospitais do SNS.”

A estes dados, que confirmam o peso e importância do papel dos internistas, juntam-se vários outros números. “Os serviços de Medicina, nos últimos 10 anos, têm tido uma taxa de ocupação média entre os 102 e os 130%, enquanto a taxa de ocupação média nos hospitais situa-se entre os 80 e os 85%.”

“Os serviços de Medicina Interna foram responsáveis, em 2017, por 85% dos internamentos por pneumonia, 81% dos internamentos por insuficiência cardíaca, 70% dos internamentos por acidente vascular cerebral, 80% dos internamentos por DPOC e 82% dos internamentos por lupus”, apontou Luís Campos, que acredita “que o sistema de saúde e os doentes precisam cada vez mais da Medicina Interna”.

Uma afirmação que justifica socorrendo-se, uma vez mais, de números, que falam bem alto. “A evolução demográfica, particularmente o aumento da esperança de vida, faz com que atualmente tenhamos dois milhões de idosos e que, em 2050, se preveja que tenhamos três milhões e meio. Isto vai fazer aumentar o número de doentes crónicos e particularmente o número de doentes com multimorbilidades.”

Uma ‘peça’ indispensável no SNS

O crescimento do conhecimento é, segundo Luís Campos, outro fator que confirma a necessidade dos internistas e das suas consultas. “Estima-se que o conhecimento em geral duplique a cada treze meses. Isto origina uma fragmentação das especialidades, uma hiperespecialização, gente que sabe cada vez mais sobre cada vez menos. Isto é inexorável, mas os doentes andam ao contrário e precisam que tomem conta deles de uma forma global.”

Finalmente, Luís Campos chamou a atenção para uma “ameaça à sustentabilidade do sistema induzida pela introdução da inovação, particularmente por medicamentos que são cada vez mais caros. A necessidade de maior racionalidade, de escolhas custo-efectivas e o combate ao desperdício vão ser cada vez mais uma prioridade”.

Porque os internistas em Portugal “mantiveram uma capacidade holística, cada vez mais inestimável, são flexíveis, multipotenciais e eficientes e estão preparados para liderar novas modelos de prestação de cuidados mais adaptados aos doentes”, serão eles os protagonistas preferenciais de uma mudança que urge operar.

Uma mudança que, segundo Luís Campos, passa pela “criação de departamentos de medicina geridos por internistas, implementação de unidades diferenciadas, como unidades de AVC, de insuficiência cardíaca, de cuidados intermédios, de geriatria, de doenças autoimunes e outras; de modelos de cogestão dos doentes cirúrgicos, de alternativas aos internamentos, como a hospitalização domiciliária, unidades de diagnóstico rápido e uma melhor utilização dos hospitais de dia”.

Passa ainda por “programas de integração entre os diferentes níveis de cuidados, que garantam a continuidade de cuidados e retirem os doentes crónicos das urgências” e passa ainda por “novos modelos de resposta aos doentes agudos e pela implementação dos cuidados paliativos”.

Os números apresentados são da Administração Central do Sistema de Saúde, tendo sido trabalhados pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Farmácias vão passar a ter consultas de nutrição

Por Atualidade

Uma nova portaria, publicada recentemente, atualiza os serviços farmacêuticos e outros serviços de promoção da saúde e bem-estar que podem ser prestados nas farmácias comunitárias. Entre outros, as farmácias vão passar a ter consultas de nutrição, realizar testes rápidos para o rastreio de infeções por VIH, VHC e VHB ou fazer o tratamento de feridas.

Programas de adesão à terapêutica, de reconciliação da terapêutica e de preparação individualizada de medicamentos, assim como programas de educação sobre a utilização de dispositivos médicos ou cuidados na prevenção e tratamento do pé diabético, de acordo com as orientações estabelecidas pela Direção-Geral da Saúde, são outros dos serviços agora acrescentados.

As farmácias vão ainda poder promover campanhas e programas de literacia em saúde, prevenção da doença e de promoção de estilos de vida saudáveis, com todos os serviços a terem de ser prestados nas condições legais e regulamentares e por profissionais legalmente habilitados.

“As farmácias devem divulgar o tipo de serviços prestados e o respetivo preço, de forma visível, nas suas instalações, podendo ainda esta informação ser divulgada nos seus sítios da Internet”, revela o documento, que entra em vigor trinta dias após a sua publicação.