poluição do ar diminui capacidades cognitivas

Poluição do ar reduz a inteligência

Por | Ambiente

Que a poluição do ar provoca problemas respiratórios e rouba anos de vida já era certo e sabido. Agora, um novo estudo chinês acrescenta aqui outros efeitos, garantindo que a contaminação está também a ‘roubar’ capacidades cognitivas.

Muito se tem falado sobre o tema, mas ainda que poucos estudos se tenham debruçado sobre o impacto ao nível intelectual da poluição.

Este novo trabalho, realizado na China, um dos países mais poluídos e que mais polui do mundo, e publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, procurou ir mais além do que os anteriores e olhou para a forma como a exposição a longo prazo à poluição atmosférica afeta o desempenho na área da matemática e de linguagem em mais de 25 mil pessoas.

E confirma que as pessoas expostas a elevados níveis de poluição podem ver reduzia a sua capacidade intelectual, situação que acontece mais nos homens e sobretudo entre os mais idosos.

Custo total da poluição pode estar a ser subestimado

Tudo foi feito através de uma comparação entre os testes de linguagem e matemática e os níveis de dióxido de nitrogénio e enxofre, dois elementos que integram o ‘cocktail’ da poluição do ar. Os dados confirmam que, de facto, quanto mais elevados os valores da contaminação, piores os resultados.

E dão também conta de que “o efeito indireto sobre o bem-estar social pode ser muito maior do que se pensava anteriormente”. O que significa, garantem os autores do estudo, que podemos estar a “subestimar o custo total da poluição do ar”.

Dados que preocupam os investigadores, tanto mais que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a poluição do ar foi responsável por qualquer coisa como 4,2 milhões de mortes prematuras em todo o mundo só em 2016, mais de um milhão das quais na China.

Aos números acrescentou o alerta de que a exposição a curto e longo prazo à contaminação atmosférica aumentou o risco de AVC, doenças cardíacas, cancro do pulmão, doenças crónicas e doenças respiratórias agudas.

Consumo continuado de peixe-gato põe em risco a saúde

Por | Nutrição

Vem do Vietname e é um dos peixes mais consumidos no mundo, resultado sobretudo do seu preço baixo e de se apresentar sem espinhas, em forma de filete, o que torna um dos preferidos nas cantinas escolares. No entanto, a avaliação feita por investigadores espanhóis ao peixe panga, ou peixe-gato, ou ainda pangasius, dá conta de elevados níveis de mercúrio, que o tornam ‘persona non grata’ à mesa, sobretudo das crianças.

É sobretudo do rio Mekong, um dos mais poluídos do mundo devido à presença de pesticidas e outros elementos químicos usados, entre outros, no cultivo de arroz, que vem este peixe. Não será, por isso, grande surpresa o facto de estar também ele contaminado, como já comprovaram avaliações de várias origens, uma das quais da Organização Mundial de Saúde, que já alertou para as elevadas concentrações de metais, como o mercúrio.

Foi para avaliar este risco que um grupo de investigadores espanhóis das Canárias analisou um total de 80 amostras de filetes de panga congelados. Os  resultados, publicado na revista científica Chemosphere, dão conta de que várias destas amostras excediam as concentrações máximas estabelecidas pela legislação europeia (0,5 mg/kg) como admissíveis para os alimentos.

Foram várias as concentrações de mercúrio detetadas, que iam dos 0,10 aos 0,69 mg/kg, com um valor médio de 0,22 mg/kg. Valores que levam os investigadores a concluir que, nos casos em que a concentração máxima permitida é excedida e após o consumo continuado, pode haver um risco para saúde, na sequência da acumulação de mercúrio em adultos e sobretudo nas crianças.

Para estes últimos, recomendam mesmo o consumo de outros peixes em vez do peixe-gato, que sai também prejudicado na comparação com outros devido à sua pobreza nutricional.