criar medicamentos para crianças

Aliança europeia quer facilitar a criação de medicamentos para crianças

Por | Saúde Infantil

Facilitar o desenvolvimento de novos medicamentos para crianças europeias é um dos objetivos do consórcio conect4children (c4c), uma nova parceria público-privada lançada recentemente.

São, ao todo, 33 instituições académicas, 10 parceiros da indústria de 20 países europeus e mais de 550 outros parceiros, que pretendem usar os conhecimentos existentes para estudos sobre a história natural das doenças, registos, novas terapêuticas e estudos comparativos com terapêuticas existentes.

Ao longo de seis anos, este projeto pioneiro configura uma oportunidade para que, em toda a Europa, “as vozes das crianças, dos jovens e das suas famílias se façam ouvir”, lê-se no comunicado sobre o tema.

Permitir às crianças “que façam parte do progresso médico”

“As crianças deverão ter acesso a terapêuticas médicas inovadoras que tenham sido desenvolvidas com o mesmo grau de urgência e rigor como aquelas que são desenvolvidas para os adultos”, defende Joanne Waldstreicher, diretora médica na Johnson & Johnson.

No entanto, são vários os desafios a enfrentar na realização de ensaios clínicos pediátricos, tal como confirma Carlo Giaquinto, da Universidade de Pádua e Fundação PENTA.

“Os ensaios clínicos com medicamentos para uso pediátrico são uma das áreas científicas mais sensíveis – tanto na perspetiva médica como na perspetiva ética”, refere Michael Devoy, diretor Médico na Bayer. “Melhorar a infraestrutura de ensaios clínicos é um passo importante, permitindo que as crianças façam parte do progresso médico.”

De facto, há problemas “no desenho, implementação e conduta operacional dos ensaios clínicos pediátricos”, destacando-se, entre outros, a escassez de doentes elegíveis para participar nos estudos em muitas indicações pediátricas.

“Com o contributo do conect4children, a Europa une-se num esforço conjunto”, com o objetivo de “melhorar a utilização segura e eficaz de terapêuticas em crianças”.

140 milhões para medicamentos inovadores

De acordo com Mark Turner, da Universidade de Liverpool e co-coordenador do projeto, “esta rede vai ter um impacto significativo na forma como desenvolvemos medicamentos inovadores, extremamente necessários, e aperfeiçoados para bebés, crianças e adolescentes”

Com um orçamento de cerca de 140 milhões de euros, o projeto c4c é financiado conjuntamente pelo Programa de Investigação e Inovação Horizonte 2020 da União Europeia e pela Indústria Farmacêutica Europeia.

Super-heróis trabalham diariamente para o desenvolvimento da ciência em Portugal

Por | Iniciativas

Em Portugal há uma grande equipa de Super-Heróis. Não usam capa, não têm uma identidade secreta, não ocupam a ribalta, mas trabalham dia e noite para zelar pela vida dos doentes e para contribuir para a evolução da ciência e criação de novos medicamentos. São homens e mulheres, profissionais de saúde, que trabalham em ensaios clínicos.

No âmbito do Dia Internacional do Ensaio Clínico, é tempo de lhes prestar a devida homenagem, de reconhecer a importância do seu trabalho, através de um vídeo que dá a conhecer algumas das suas caras.

De acordo com os últimos dados publicados pelo Infarmed sobre os ensaios clínicos, esta área tem tido um crescimento exponencial em Portugal, com o número de ensaios autorizados a passaram de 87 para 144 nos últimos cinco anos.

Estes números evolutivos são da responsabilidade destes Super-Heróis e dos doentes que se esforçam para participar em ensaios clínicos, ainda que tenham outro trabalho ou atividade laboral.

E é com base neles que a Roche Farmacêutica criou um vídeo que homenageia todos os profissionais de saúde que contribuem para o avanço na ciência no nosso país, dando a conhecer as suas “armas secretas”, os seus “esconderijos” e os seus “fatos especiais”.

Um dia para celebrar os ensaios clínicos

Foi no dia 20 de Maio de 1747 que ‘nasceu’ o Dia Internacional do Ensaio Clínico, data em que James Lind, médico da marinha britânica, conduziu o que hoje é reconhecido como o primeiro ensaio clínico da história.

O primeiro estudo comparativo realizado em condições experimentais controladas foi aplicado num grupo de marinheiros que sofriam de escorbuto e permitiu registar, pela primeira vez, os efeitos positivos da vitamina C num grupo de indivíduos a quem foram administrados citrinos.

Um dia que serve também para aumentar a consciencialização para os ensaios clínicos e para todos os profissionais que se dedicam a este tipo de investigação, reconhecendo as suas contribuições para a saúde pública e para o progresso médico.

Homens também devem ser incluídos nos ensaios do cancro da mama

Por | Cancro

É necessários que também os homens passem a ser incluídos nos ensaios clínicos destinados a melhorar os tratamentos para o cancro da mama. O apelo foi lançado por Robert Mansel, Presidente da 11ª Conferência Europeia sobre o Cancro da Mama (EBCC-11) e professor de Cirurgia da Escola de Medicina da Universidade de Cardiff, no Reino Unido.

Depois de um novo estudo ter revelado que as mulheres pré-tratadas com medicamentos direcionados, capazes de encolher os tumores antes da cirurgia, podem evitar cirurgias radicais, Mansel lamentou não se saber se estas descobertas se podem aplicar aos homens, porque estes “nunca são incluídos nos ensaios clínicos”.

Pede, por isso, que os elementos do sexo masculino passem a ser contemplados, para que se consiga perceber quais os melhores tratamento para eles.

“O resultado cosmético após a cirurgia é também importante para os homens”, acrescentou. “Atualmente, os homens com cancro da mama passam frequentemente por uma cirurgia radical para remover todo o cancro, mas porque é que os cirurgiões removem o mamilo e a aréola se isso não for necessário? Os homens sentem-se constrangidos sobre a sua aparência, porque se querem nadar ou ir à praia, o seu peito vai estar a descoberto.”

Embora 100 vezes menos comum nos homens do que nas mulheres, em Portugal 1% de todos os casos de cancro da mama são diagnosticados nos homens, enquanto no Reino Unido se contam aproximadamente 390 homens diagnosticados com a doença todos os ano.

Cada vez mais doentes com cancro disponíveis para ensaios clínicos

Por | Cancro

São cada vez mais os doentes disponíveis para participar em ensaios clínicos, cada vez mais cedo, confirmam os especialistas no arranque do Congresso Internacional Targeted Anticancer Therapies, que decorre até dia 7 de março, em Paris, França. E fazem-nos porque querem combater o cancro o máximo que puderem.

“A importância dos ensaios nas fases iniciais está a aumentar devido à necessidade urgente de novos medicamentos”, afirma Markus Joerger, oncologista no St Gallen Cancer Center, na Suíça. Uma importância que foi acompanhada pelo crescente interesse dos doentes em participar nestes ensaios.

“O público sabe que o tratamento do cancro não é apenas a quimioterapia, muitas vezes acompanhada de efeitos secundários substanciais. Agora também temos terapias direcionadas e a imunoterapia”, refere, acrescentando que a isto se junta “uma compreensão mais profunda da biologia do tumor”, o que permite uma melhor seleção dos doentes que participam nos ensaios, “levando a maiores taxas de resposta e aumento do benefício clínico. Os ensaios em estádio inicial incluem mais doentes do que antes, então existe o potencial de benefício para um maior número de pessoas”.

Combater a doença

Foi para saber o que levava as pessoas a participar nestes ensaios que Benjamin Verret, do Institut Gustave Roussy, em França, realizou um trabalho, que teve por base as respostas a um questionário. “Há dez anos, os ensaios clínicos de fase 1 talvez talvez fossem a única opção para doentes com cancro em fase avançada, que não respondiam ao tratamento padrão”, explica. “Hoje já não é assim. Quem participa nos estádios iniciais dos ensaios tem acesso a alternativas de tratamento”, acrescenta.

Combater a doença o mais possível foi um dos principais motivos que leva os doentes a optar por participar num ensaio clínico de fase 1. “No nosso estudo, apenas um em cada seis doentes afirmar que participar era sua única opção. Mais de dois terços disseram que o motivo para participar foi ‘ter acesso ao melhor tratamento contra o cancro’.”