doces já não podem ser vendidos no SNS

Os doces e salgados que já não pode consumir no SNS

Por | Política de Saúde

Águas aromatizadas, bebidas energéticas e bebidas com cola ou extrato de chá, guloseimas tipo rebuçados, caramelos, pastilhas com açúcar, gomas, snacks doces ou salgados, como tiras de milho, batatas fritas, aperitivos e pipocas. Esta é a lista de alimentos que, a partir de agora, deixam de poder ser vendidos nos hospitais, centros de saúde e afins, do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O diploma entrou em vigor no passado sábado (30 de junho), definindo a limitação de venda de produtos, doces e salgados, prejudiciais à saúde nos espaços destinados à exploração de bares, cafetarias e bufetes, pelas instituições do Ministério da Saúde, com o objetivo de promover uma alimentação mais saudável.

Publicado a 28 de dezembro de 2017, a medida contemplava um período de seis meses para que as entidades pudesse fazer as alterações necessárias.

Os alimentos que podem ser vendidos no SNS

O mesmo diploma define ainda a proibição, nos novos contratos a venda, de chocolates em embalagens superiores a 50g, chocolates com recheio, bebidas com álcool e molhos como ketchup, maionese ou mostarda e obriga a que seja disponibilizado aos utentes água potável gratuita e de garrafa.

Publicidade ou venda de refrigerantes ou refeições rápidas, designadamente hambúrgueres, cachorros quentes, pizzas ou lasanhas, ficam também no âmbito do que não pode ser disponibilizado.

A lista dos aceitáveis inclui leite simples meio-gordo/magro, iogurtes meio-gordo/magro, preferencialmente sem adição de açúcar, queijos curados ou frescos e requeijão, sumos de fruta e/ou vegetais naturais, bebidas que contenham pelo menos 50 % de fruta e/ou hortícolas e monodoses de fruta.

O pão faz também parte da lista, “preferencialmente de mistura com farinha integral e com menos de 1 g de sal por 100 g”, a fruta fresca, da época, se for possível, podendo ser apresentadas como salada de fruta fresca sem adição de açúcar.

As saladas, sopa de hortícolas e leguminosas, frutos oleaginosos ao natural, sem adição de sal ou açúcar, tisanas e infusões de ervas sem adição de açúcar podem também ser vendidos.

De acordo com o diploma, estas medidas devem ser acompanhadas por programas com o objetivo de informar e capacitar para escolhas alimentares mais saudáveis, promovendo-se o aumento da literacia alimentar e nutricional da população que frequenta os espaços de oferta alimentar do SNS.

Sociedades de Medicina Interna ibéricas unidas na luta pelos sistemas de saúde

Por | Política de Saúde

Numa sociedade em mudança, sucedem-se as ameaças à sustentabilidade dos sistemas de saúde, situação que Portugal partilha com os vizinhos espanhóis. É por isso que a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e a sua congénere espanhola, a SEMI, assinaram uma Declaração onde reafirmam a importância da Medicina Interna para o futuro dos sistemas de saúde.

Juntas, manifestam “o seu empenho na criação de práticas de alto valor que contribuam para a sustentabilidade do sistema de saúde”.

“Portugal e Espanha pretendem demonstrar como a medicina interna pode garantir um sistema de saúde mais equilibrado”, esclarece João Araújo Correia, presidente da SPMI.

Das dez diretrizes apontadas na Declaração dos Açores, uma das de compreensão mais imediata é a importância de, nos internamentos hospitalares, haver sempre um médico com conhecimentos alargados (o Internista), que se responsabilize pela articulação dos cuidados médicos para cada doente.

Seja nos serviços médicos ou nos cirúrgicos, onde tradicionalmente apenas se encontram os médicos que operam os pacientes, é fundamental garantir a segurança de todos os doentes até à alta hospitalar.

Declaração dos Açores reclama mudanças na saúde

Sendo Espanha e Portugal dos países em que os cidadãos mais recorrem aos Serviços de Urgência, as Sociedades Ibéricas apontam soluções alternativas, em que a Medicina Interna poderá encaminhar os doentes para circuitos mais eficazes, mais baratos e menos desgastantes, tanto para as pessoas, como para o Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Também para os doentes crónicos, este documento defende mecanismos de articulação entre os cuidados hospitalares e os cuidados primários, com programas de gestão mais eficientes e com menos perdas de informação, além de uma otimização da integração com o Serviço Social, que tem um papel muito importante na resolução integral dos problemas das pessoas.

Algumas destas estratégias já estão a ser implementadas em Espanha, e outras em Portugal, com um impacto positivo no sistema.

Com a Declaração dos Açores, a SPMI e a SEMI pretendem alertar para a importância do apoio das principais entidades da área da Saúde à participação crescente da Medicina Interna neste tipo de estratégias, visando em Portugal a construção de um SNS que dê a melhor resposta às necessidades da população.

Internistas responsáveis por 23% de todos os doentes saídos dos hospitais do SNS

Por | País

Em 2017, os internistas foram responsáveis, só nos hospitais do SNS, pela realização de cerca de 587 mil consultas e pelo atendimento da grande maioria das quatro milhões e 600 mil admissões nas urgências gerais dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Números apresentados no congresso que reúne estes especialistas.

Portugal tem mais de 2.600 internistas inscritos na Ordem dos Médicos, mais de 1.700 dos quais apenas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O que significa que 8,6% da totalidade dos médicos nestes hospitais são internistas, que dão resposta a milhares de doentes e de consultas: em 2017, saíram dos serviços de Medicina dos hospitais do SNS 188.307 doentes, o que representa mais de 42% dos internamentos médicos (440.188) e 23% de todos os doentes saídos dos hospitais do SNS (802.129).

Estes e outros números foram apresentados esta sexta-feira (1 de junho) na Sessão Solene de Abertura do 24º Congresso Nacional de Medicina Interna, que decorre até ao próximo domingo (dia 3), no Centro de Congressos do Algarve, nos Salgados, por Luís Campos, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que cessa agora as suas funções.

O especialista tomou a palavra para mostrar, com recurso aos números, porque é que a Medicina Interna é uma “especialidade nuclear para o sistema de saúde” nacional.

“Em 2017 realizamos, só nos hospitais do SNS, cerca de 587 mil consultas (586.781) e fomos responsáveis pelo atendimento da grande maioria das quatro milhões e 600 mil admissões nas urgências gerais dos hospitais do SNS.”

A estes dados, que confirmam o peso e importância do papel dos internistas, juntam-se vários outros números. “Os serviços de Medicina, nos últimos 10 anos, têm tido uma taxa de ocupação média entre os 102 e os 130%, enquanto a taxa de ocupação média nos hospitais situa-se entre os 80 e os 85%.”

“Os serviços de Medicina Interna foram responsáveis, em 2017, por 85% dos internamentos por pneumonia, 81% dos internamentos por insuficiência cardíaca, 70% dos internamentos por acidente vascular cerebral, 80% dos internamentos por DPOC e 82% dos internamentos por lupus”, apontou Luís Campos, que acredita “que o sistema de saúde e os doentes precisam cada vez mais da Medicina Interna”.

Uma afirmação que justifica socorrendo-se, uma vez mais, de números, que falam bem alto. “A evolução demográfica, particularmente o aumento da esperança de vida, faz com que atualmente tenhamos dois milhões de idosos e que, em 2050, se preveja que tenhamos três milhões e meio. Isto vai fazer aumentar o número de doentes crónicos e particularmente o número de doentes com multimorbilidades.”

Uma ‘peça’ indispensável no SNS

O crescimento do conhecimento é, segundo Luís Campos, outro fator que confirma a necessidade dos internistas e das suas consultas. “Estima-se que o conhecimento em geral duplique a cada treze meses. Isto origina uma fragmentação das especialidades, uma hiperespecialização, gente que sabe cada vez mais sobre cada vez menos. Isto é inexorável, mas os doentes andam ao contrário e precisam que tomem conta deles de uma forma global.”

Finalmente, Luís Campos chamou a atenção para uma “ameaça à sustentabilidade do sistema induzida pela introdução da inovação, particularmente por medicamentos que são cada vez mais caros. A necessidade de maior racionalidade, de escolhas custo-efectivas e o combate ao desperdício vão ser cada vez mais uma prioridade”.

Porque os internistas em Portugal “mantiveram uma capacidade holística, cada vez mais inestimável, são flexíveis, multipotenciais e eficientes e estão preparados para liderar novas modelos de prestação de cuidados mais adaptados aos doentes”, serão eles os protagonistas preferenciais de uma mudança que urge operar.

Uma mudança que, segundo Luís Campos, passa pela “criação de departamentos de medicina geridos por internistas, implementação de unidades diferenciadas, como unidades de AVC, de insuficiência cardíaca, de cuidados intermédios, de geriatria, de doenças autoimunes e outras; de modelos de cogestão dos doentes cirúrgicos, de alternativas aos internamentos, como a hospitalização domiciliária, unidades de diagnóstico rápido e uma melhor utilização dos hospitais de dia”.

Passa ainda por “programas de integração entre os diferentes níveis de cuidados, que garantam a continuidade de cuidados e retirem os doentes crónicos das urgências” e passa ainda por “novos modelos de resposta aos doentes agudos e pela implementação dos cuidados paliativos”.

Os números apresentados são da Administração Central do Sistema de Saúde, tendo sido trabalhados pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Lavar as mãos, um gesto que pode salvar vidas

Por | Política de Saúde

É um gesto comum, que repetimos (ou devíamos) várias vezes ao dia. Um gesto que, no entanto, precisa de ser repetido ainda mais, um alerta reforçado todos os anos, sobretudo ao nível dos cuidados de saúde. Este ano, a mensagem repete-se, reforçando como lavar as mãos pode salvar muitas vidas. E prevenir a sépsis.

A propósito do Dia Mundial da Higiene das Mãos, que se assinala no próximo dia 5 de maio, a Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências aos Antimicrobianos, volta a repetir, no âmbito da campanha da Organização Mundial de Saúde (OMS): “Lave as Mãos, Salve Vidas”.

Este ano, com o slogan “Está nas tuas mãos prevenir a sépsis”, o enfoque da OMS vai para a prevenção da sépsis, um problema que surge quando uma infecção altera a resposta normal do organismo, causando ferimentos nos tecidos e órgão, e que se estima que afete mais de 30 milhões de doentes, todos os anos, no mundo.

Embora qualquer pessoa esteja em risco de desenvolver sépsis, há grupos mais em risco, como as grávidas, os recém-nascidos, os idosos, pessoas hospitalizadas ou os que sofrem de doenças crónicas. E a principal forma de prevenção é: uma boa higiene, que começa pelas mãos.

Reações adversas a medicamentos custaram 4,8 mil milhões de euros

Por | Investigação & Inovação

Entre 2000 e 2015 foram registadas mais de 220 mil reações adversas a medicamentos nos hospitais portugueses, revelam os dados do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde. Eventos que custam qualquer coisa como 4,8 mil milhões de euros.

Publicado na revista científica Journal of Medical Systems, o estudo resulta de uma análise da base de dados dos Grupos de Diagnósticos Homogéneos (sistema de classificação de doentes) e procurara estimar a frequência e o impacto dos eventos adversos nos hospitais públicos.

Foram, ao todo, contabilizadas 15 milhões de hospitalizações nos 15 anos em análise, constatando-se que 5,8% dessas hospitalizações (860 mil) tinham no mínimo um evento adverso associado, e que 1,5% (220 mil) estavam associadas a pelo menos uma reação adversa a medicamento.

Efeitos que, de acordo com os autores, Bernardo Sousa-Pinto, Bernardo Marques, Fernando Lopes e Alberto Freitas, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, do Porto, custam caro. As estimativas referem que o impacto financeiro do total de eventos adversos e dos custos que lhe estão associados chega aos 4,8 mil milhões de euros para o total do período em análise.

Um número seis vezes superior às notificações registadas no âmbito do Sistema Nacional de Farmacovigilância para igual período (34 mil notificações).

Apesar de haver algumas limitações metodológicas, confirma-se indiretamente que a subnotificação de reações adversas a medicamentos em Portugal é uma realidade significativa.

Mais de 30 candidaturas às Bolsas de Jornalismo na área da saúde

Por | Iniciativas

Enfatizar o papel dos meios de comunicação social na contribuição para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde e a qualidade de vida dos doentes é o grande objetivo das Bolsas de Jornalismo na área da saúde uma iniciativa do Sindicato de Jornalistas com o apoio da Roche, que já elegeu os vencedores.

Foram, ao todo, 37 as candidaturas validadas, apresentadas por 26 profissionais da comunicação social. São cinco as Bolsas, de valor unitário de dois mil euros, num total de dez mil euros, que serão agora entregues a:

  • ‘Os Indefesos’ é o título do trabalho que Margarida David Cardoso, jornalista do Público, quer realizar sobre a esclerose múltipla, e que pretende aprofundar o tema da inovação terapêutica, incidindo sobre os mais recentes medicamentos e a forma como são capazes de mudar a vida dos doentes.
  • Ana Cristina Câmara, jornalista freelancer, conquistou a atenção do júri com uma proposta sobre a hemofilia. ‘Sangue do meu sangue’ é o título do artigo que pretende traçar um retrato do que é viver e conviver com a doença.
  • Sobre a temática do cancro, Christiana Martins, jornalista do Expresso, propõe um trabalho na área da genética, uma ‘viagem’ em busca da mutação fundadora portuguesa do cancro da mama, que vai além das fronteiras nacionais, com o trabalho ‘Os rastos da mutação genética portuguesa que levou o cancro da mama a alguns cantos do mundo’.
  • Ana Rute Peixinho e Sandra Moutinho, da agência Lusa, formam uma dupla que pretende, dentro do tema da prevenção e redução do peso da doença crónica na sociedade, reportar ‘Como os empregadores ajudam os trabalhadores a lidar com a doença crónica’.
  • Na área dos cuidados primários, a vencedora foi Alexandra Campos, jornalista do Público, com o trabalho ‘Há cidadãos de primeira e de segunda nos cuidados de saúde primários em Portugal’, que visa avaliar a evolução de alguns destes cuidados no País.

Os prémios foram  entregues numa cerimónia que decorreu  na sede Sindicato dos Jornalistas, em Lisboa, nesta quarta-feira.

Mais de duas dezenas de candidatos

Foram, ao todo, 26 os jornalistas que submeteram propostas de trabalhos na área do cancro, cuidados primários de saúde, doenças raras – hemofilia, esclerose múltipla e prevenção e redução do peso da doença crónica na sociedade, candidatando-se a uma das cinco Bolsas, no valor unitário de dois mil euros.

A avaliação das candidaturas, feita por um júri constituído por Graça de Freitas (Diretora-Geral da Saúde), Constantino Sakellarides (professor de Saúde Pública e Políticas de Saúde), Dulce Salzedas (jornalista da SIC), Isabel Nery (vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas) e Miguel Sanches (diretor médico da Roche), revela uma aposta na temática dos cuidados primários, com mais de uma dezena de sugestões de temas nesta área, seguida do cancro, doença que conquista também a atenção privilegiada dos jornalistas.

Enfermeiros especialistas reduziriam internamentos hospitalares em 5%

Por | Política de Saúde

Um relatório realizado pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) para a Ordem dos Enfermeiros revela que a existência de enfermeiros especialistas traduz-se em ganhos em saúde. E traduz esta ideia para números: ter enfermeiros especialistas poderia resultar numa poupança de 5% nos internamentos hospitalares.

“Uma população envelhecida, com doenças crónicas (…) exige uma redefinição da política de gestão de recursos humanos (…) capaz de atender a estes novos desafios societais”, lê-se no relatório ‘Os cuidados de enfermagem especializados como resposta à evolução das necessidades em cuidados de saúde’, que reforça a necessidade crescente de recursos humanos de saúde especializados.

Relativamente ao internato de especialidade, o relatório refere ser um instrumento adequado ao processo de desenvolvimento e valorização profissional do enfermeiro. Isto apesar do impacto orçamental decorrente da criação de um internato de especialização em Enfermagem, que é largamente mitigado pelos benefícios decorrentes da implementação.

“Estima-se que o impacto orçamental desta medida, considerando o cenário no qual são disponibilizadas anualmente 1.500 posições para enfermeiros especialistas, seja um benefício líquido médio de cerca de 18M€/ano.”

Este valor resulta da diferença entre um custo estimado de 63M€/ano, o que inclui o acréscimo salarial e os custos com o internato, e de um benefício estimado de 81M€/ano, resultante de uma poupança esperada de 5% nos internamentos hospitalares, revela a mesma fonte.

Um impacto que se faz também sentir ao nível social, permitindo ganhos em saúde e de eficiência na gestão. A isto junta-se o facto de uma especialização dos cuidados de Enfermagem contribuir para a valorização dos profissionais, na medida em que lhes confere a possibilidade de construir uma carreira profissional e incentiva à renovação contínua da sua formação.

SNS vai ter modelo para intervir nas situações de luto

Por | Política de Saúde

A Organização Mundial da Saúde já considera uma doença a Perturbação de Luto Prolongado. É de olhos postos neste problema que o Governo decidiu criar uma comissão para acompanhar a implementação do modelo que vai intervir nas situações de luto complexo e prolongado, que em 10 a 30% dos casos dá origem a complicações físicas e mentais.

Otimizar a capacidade de intervenção do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nestes casos é um dos objetivos da medida, que lhes vai dar uma atenção especial e contribuir para garantir que todos os cidadãos com estas necessidades tenham acesso a cuidados especializados na prevenção e tratamento do luto prolongado.

Algo que se quer através da sua identificação precoce, da intervenção no período agudo e do apoio especializado em casos de grande complexidade.

Até porque, de acordo com as estatísticas, as pessoas em luto por perdas significativas constituem grupos de risco, com esta condição a implicar perda da qualidade de vida para as próprias, para as famílias e para a sociedade.

A comissão agora criada deverá também desenvolver e avaliar experiências-piloto do modelo de intervenção diferenciada no luto prolongado, que irão decorrer no Centro Hospitalar de São João, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Norte, Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo e Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Medicina Interna e Medicina Geral juntam-se e exigem integração de cuidados

Por | Política de Saúde

De olhos postos no futuro dos cuidados de saúde em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) assinam, esta quarta-feira (28 de março), um Memorando de Entendimento que visa uma maior cooperação entre as duas entidades e as une numa batalha por melhores condições para doente e profissionais.

Questões como o excessivo recurso às urgências, o sobrediagnóstico, o sobretratamento e as consequências para a saúde dos fenómenos climatéricos extremos vão motivar a criação de um grupo de trabalho conjunto, que irá fazer propostas sobre a gestão do doente agudo, estando prevista a apresentação de recomendações até ao fim do primeiro semestre do ano.

Tanto a SPMI como a APMGF consideram ser “muito fragmentados, reativos e centrados na doença” os cuidados prestados aos doentes crónicos, sendo “fundamental mudar este paradigma”, pelo que as duas organizações pretendem “exigir mais incentivos na contratualização e mais investimento para a implementação das reformas de proximidade. Temos que garantir a continuidade de cuidados através de uma verdadeira integração entre os vários níveis de cuidados. E a Medicina Geral e Familiar e a Medicina Interna são nucleares para assumir essa integração, dentro e fora dos hospitais”, explica Luís Campos, presidente da SPMI.

Rui Nogueira, presidente da ANMGF, concorda e salienta a existência “de uma política de referenciação muitas vezes cega. Precisamos de uma maior proximidade, de uma integração dos cuidados, para que o doente seja o elemento de maior valor nestas andanças de um lado para o outro, dos centros de saúde para os hospitais e destes para os centros de saúde de novo”.

Investimentos na prevenção e nos cuidados

O progressivo “envelhecimento da população”, a que se junta a “agudização das doenças crónicas”, reforça, garante Rui Nogueira, a necessidade de uma relação privilegiada entre as duas especialidades, que se quer fazer também sentir ao nível da formação médica. Por isso, aumentar a cooperação na área da formação, assim como a referenciação entre especialidades, são dois outros dos objetivos deste entendimento.

“O que queremos é fazer do doente o centro dos cuidados”, reforça Luís Campos. “Outros dos aspetos importantes é a prevenção da doença, que tem sido negligenciada. Oitenta por cento dos casos de AVC e diabetes e 40% dos cancros podem ser prevenidos com uma mudança nos comportamentos de risco. É preciso que haja um investimento nesta mudança, assim como no aumento da literacia em saúde e temos que aproveitar todas as oportunidades para o fazer, dentro e fora dos hospitais.”

O alerta dos decisores políticos e do público em geral para a necessidade de uma integração entre a saúde e a assistência social é outros dos passos a dar em conjunto, tanto mais que a “APMI e a APMGF consideram que os dois tipos de necessidades estão cada vez mais interligadas e os serviços de medicina hospitalares, em particular, estão transformados em verdadeiros centros de decisão dos problemas sociais dos doentes, vendo acumular-se o número de doentes que permanecem internados apenas por motivos sociais”.