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França vai reembolsar preservativos prescritos pelos médicos

Por Bem-estar

Os médicos franceses vão poder prescrever preservativos. Uma medida implementada pelo Governo, que vê nesta uma forma de luta contra os novos casos de VIH/Sida e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Agnès Buzyn, ministra da Saúde francesa, fez o anúncio, informando que o preço dos mesmos será reembolsado pelas autoridades de saúde, uma medida que entrará em vigor a partir de 10 de dezembro próximo.

“A partir de agora, um jovem, quer apresente risco ou não, seja mulher ou homem, poderá ir ao seu médico e obter preservativos, reembolsados mediante receita médica”, explicou à emissão da France Inter.

A governante alertou para o facto de grande parte dos jovens “usar um preservativo na primeira relação sexual, mas não nas seguintes” e citou um estudo, que revela que 75% dos jovens adultos usaria mais preservativos se o custo destes ficasse a cargo do Estado.

Aumenta número de jovens infetados 

Em França, todos os anos são diagnosticados cerca de 6,000 novos casos de VIH, muitos dos quais entre os mais jovens – entre 800 e 1.000 casos em jovens com menos de 25 anos.

Em Portugal, os dados mais recentes, referentes a 2017, revelam que, também por cá, se tem assistido a um aumento do número de casos diagnosticados em idades jovens, que surge sobretudo em homens que têm sexo com outros homens.

No geral, 9,3% de todos os novos diagnósticos feitos no ano passado no nosso país foram feitos em jovens com idades entre os 20 e os 24 anos, percentagem que sobe para os 12,8% entre os 25 e os 29 anos.

AHF reforça investimento em Portugal e pede mais envolvimento do Governo na luta contra o VIH

Por Atualidade

Cinco anos depois da chegada a Portugal, a AIDS Healthcare Foundation Europe (AHF), numa parceria com o Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT), orgulha-se de ter distribuído mais de 2,5 milhões de preservativos e mais de cem mil materiais em território nacional e dado a conhecer a cerca de 47 mil pessoas o seu estado serológico, através de um modelo inovador de testes de VIH, num investimento total superior a 1,3 milhões de euros.

Investimento que promete continuar, confirmou a organização, depois de um encontro, em Lisboa, que serviu para fazer o balanço de cinco anos de trabalho e para refletir sobre os caminhos para o futuro, em que a organização lamentou a falta envolvimento do Governo nesta matéria.

“Estamos orgulhosos dos resultados da parceria com o GAT em Portugal e muito agradecidos por estes cinco anos de trabalho conjunto”, afirma Zoya Shabarova, diretora da AHF Europe.

“O nosso objetivo é trabalhar em conjunto para desenvolver modelos sustentáveis, de testes de VIH rápidos e fáceis, com a melhor relação custo-benefício, que o Governo possa apoiar. Precisamos de ter a certeza que o problema do controlo da epidemia do VIH é levado a sério pelo Governo e que a sociedade civil não fica sozinha a resolver todos os problemas.”

Zoya Shabarova garante que o trabalho vai continuar em Portugal, até porque mantêm-se as necessidades. “Vamos continuar a dar o nosso apoio, mas gostaríamos de ver um envolvimento do Governo em níveis diferentes. Estamos disponíveis, interessados e aguardamos com interesse a possibilidade de trabalharmos todos juntos.”

Troca de impressões e debate de ideias sobre VIH

O encontro, que reuniu, em Lisboa, representantes de várias associações de luta contra a sida, profissionais de saúde e outros responsáveis, serviu para “reavaliar prioridades e necessidades. O VIH é uma doença crónica e apesar de ter tratamento, as pessoas continuam a morrer com a doença na Europa”, afirmou a responsável.

Luís Mendão, presidente do GAT, salientou a importância da parceria com a AHF, que nasceu em 2013, em plena crise económica. “Juntarmo-nos à AHF permitiu que andássemos para a frente e que déssemos resposta à epidemia de VIH, sobretudo numa altura em que não havia dinheiro.”

De 1.407 testes realizados em 2013, altura em que havia apenas um centro a realizá-los, o GAT contabiliza, em 2017, a realização de mais de 17 mil, em 30 centros que realizam testes rápidos, gratuitos e anónimos.

No que diz respeito à distribuição de preservativos, os números confirmam também aqui o impacto desta parceria com a AHF: em 2014, 45% da distribuição foi feita pelo GAT/AHF. Hoje, um quarto dos preservativos distribuídos no país é proveniente desta fonte.

Um trabalho que a AHF promete continuar. “Vamos manter a parceria com o GAT, mas esperamos ter relações de trabalho com outros atores”, refere Anna Zakowicz, diretora adjunta e diretora de programas da AHF Europe.

“Vamos continuar a reforçar a distribuição de preservativos e, para isso, criámos, em 2017, um Banco de Preservativos, com 50 milhões, e podemos distribuir até cinco milhões por país, por ano. O modelo de testes rápidos vai também continuar a ser implementado.”

“Aliás, há cinco anos, quando começámos, os testes rápidos não estavam tão disponíveis. Contribuímos para a sua divulgação e para os tornar mais acessíveis, sobretudo para as pessoas que não têm acesso aos cuidados de saúde ou não os procuram.”

Um milhão de testes rápidos realizados na Europa

A operar em 39 países, a AHF é o maior fornecedor global de testes para o VIH, assim como serviços de saúde nesta área, proporcionando tratamentos e cuidados de saúde a mais de 850 mil pessoas em todo o mundo.

Em 2017, a AHF e os seus parceiros ofereceram serviços de rastreio do VIH a mais de, 4,2 milhões de pessoas e distribui mais de 40 milhões de preservativos gratuitos.

Na Europa, é um fornecedor de serviços orientados para a prevenção, teste, tratamento e assistência, em parceria com organizações governamentais e não-governamentais, defendendo o acesso destes serviços a todos os que deles precisem.

Com mais de 50.000 doentes atendidos na Rússia, Ucrânia e Estónia e um total de 613.000 pessoas testadas entre 2013 e 2016 em toda a Europa, a AHF é a maior fornecedora não-governamental, sem fins lucrativos, de testes e tratamentos de VIH no Velho Continente.

No final de 2017, a AHF Europe contabilizava a realização de um milhão de testes rápidos, um modelo lançado em toda a região em 2009 e que era, na altura, tão simples quanto revolucionário: fornecer testes de VIH com resultados quase instantâneos, em ambientes não médicos, gratuitos e anónimos.