cancro do intestino

Nanotecnologia oferece nova esperança para pessoas com cancro do intestino

Por Cancro

As taxas de sobrevivência do cancro do intestino poderiam ser melhoradas se os medicamentos de quimioterapia fossem administrados aos órgãos doentes através de pequenas nanopartículas, em vez do tratamento oral, afirmam cientistas indianos e australianos, na sequência do primeiro estudo que usou nanopartículas para direcionar o tratamento para o cancro do intestino, o terceiro mais comum e o segundo mais mortal em todo o mundo.

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Vitamina D

A vitamina D pode ajudar a mitigar os efeitos secundários da quimioterapia

Por Cancro

Os doentes com cancro que o digam: a quimioterapia prescrita para matar as células cancerígenas pode ser tão ou mais debilitante do que a própria doença, trazendo consigo muitos efeitos secundários. Um deles é a inflamação dolorosa e ulceração do trato digestivo (mucosite), que atormenta os portadores de cancro há anos e para a qual atualmente não existe tratamento eficaz. Mas tudo pode mudar em breve devido à vitamina D.

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tratar o cancro retal

Vigiar em vez de operar poderá ser melhor estratégia em 20% dos casos de cancro retal

Por Cancro

Uma equipa de médicos e cientistas do Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa, e do Instituto de Cancro dos Países Baixos, em Amesterdão, mostrou que os doentes com cancro retal ‘baixo’ (muito próximo do ânus) que não apresentam qualquer sinal do tumor após um tratamento com radio e quimioterapia podem escolher, com segurança, adiar intervenções cirúrgicas invasivas e sujeitas a complicações.

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mais procura de quimioterapia

Estudo prevê aumento de mais de 50% na necessidade de quimioterapia

Por Cancro

Até 2040, o número de pessoas que vai precisar de quimioterapia deve passar de 9,8 milhões para 15 milhões a nível global, uma subida de 53%. As contas são feitas num estudo publicado no The Lancet Oncology, que é o primeiro a estimar estas necessidades nacional, regional e globalmente, isto no caso da aplicação completa de diretrizes baseadas em evidências. 

As estimativas referem que dois terços (67%) destes doentes residem em países de rendimentos mais baixos ou médios. Isto porque se espera que o número de casos de cancro aumente sobretudo nestes países.

Sendo um componente crucial do tratamento, a quimioterapia irá provavelmente beneficiar uma grande percentagem destes casos.

Número de casos de cancro a aumentar

Para dar resposta ao aumento da procura, o estudo estima ainda o número de médicos necessários, no mesmo período, para fornecer quimioterapia a todos os doentes que dela necessitem, reforçando a necessidade de um aumento de aproximadamente 65.000 especialistas em 2018 para 100.000 em 2040.

“A crescente carga global de cancro é, sem dúvida, uma das principais crises de saúde de hoje. São urgentemente necessárias estratégias para equipar a força de trabalho, tornando possível o tratamento seguro dos doentes atuais e dos futuros”, afirma Brooke Wilson, da Universidade de New South Wales, primeira autora do estudo.

“Os países e as instituições devem usar os nossos dados para estimar as suas necessidades futuras de força de trabalho e de quimioterapia e planear estratégias nacionais, regionais e globais para garantir que todos aqueles que precisam vão ter acesso ao tratamento de quimioterapia.”

Os autores usaram as diretrizes de melhores práticas, características do doente e dados do estadio do cancro referentes aos EUA e Austrália para calcular a proporção de casos de cancro recém-diagnosticados que poderiam beneficiar da quimioterapia.

Taxas que forma depois aplicadas às estimativas internacionais de incidência global de cancro adulto e pediátrico entre 2018 e 2040 (GLOBOCAN), para estimar a procura global por quimioterapia.

Ou seja, estas estimativas pressupõem que a prestação de assistência oncológica, que se verifica nos países com mais rendimentos, vai ser uma meta alcançável para todos os países. 

Pulmão, mama e cólon a liderar

Globalmente, 58% dos novos casos de cancro exigiram quimioterapia em 2018. Em 2040, os autores do estudo prevêem que o número de novos casos da doença chegue aos 26 milhões, dos quais 53%, mais 5,2 milhões, venham a precisar de quimioterapia.

Destes, mais de um terço deverá viver no leste da Ásia (35%), 12% na região centro-sul da Ásia, 10% na América do Norte, 7% no sudeste asiático, 6% na América do Sul e 5% na Europa Ocidental.

Quanto aos tumores malignos mais comuns a precisarem desta forma de tratamento, os investigadores identificam o do pulmão (16,4%), da mama (12,7%) e colorretal (11,1%), com os maiores aumentos absolutos de novos casos a ocorrerem nestes mesmos três tipos de cancro.

quimioterapia

Gravidez é possível após quimioterapia, mas desejo de engravidar diminui

Por Cancro

É possível engravidar, de forma natural, depois da quimioterapia, confirma um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Clínica (ESMO 2018), que decorre em Munique, na Alemanha. Mas o desejo de ter filhos diminui muito entre as sobreviventes, revela o mesmo trabalho, que questiona a necessidade de recurso a medidas de preservação da fertilidade.

Realizado em França, o estudo identificou 96 doentes com idade entre 18 e 40 anos, tratadas com quimioterapia para o cancro da mama não-metastático. Destas, 60 aceitaram participar no inquérito.

Com uma mediana de idade na altura do diagnóstico a rondar os 36 anos, em mais da metade dos casos, o cancro tinha-se espalhado para os gânglios linfáticos no momento do diagnóstico, o que significava um maior risco de recorrência.

No entanto, no momento em que foi feita a investigação, todas as mulheres se encontravam em remissão completa.

Gravidez natural possível após tratamentos

De acordo com os resultados, 83% das participantes tiveram uma completa ausência de menstruação durante o uso da quimioterapia. Uma descoberta “esperada”, segundo Martin-Babau, líder do estudo.

“O que não esperávamos era que 86% destas doentes também relatassem que o ciclo menstrual tinha voltado ao normal no ano seguinte após o fim da quimioterapia, indicação de que o tratamento não tinha danificado completamente os ovários”, acrescenta o especialista.

O desejo de ter filhos foi também avaliado durante o curso da doença. No início do tratamento, mais de um terço das mulheres tinha planos para engravidar, posição que mudou quando o mesmo chegou ao fim. Nessa altura, apenas uma em cada dez mantinha a vontade.

“Das seis mulheres que ainda queriam ter filhos, quatro conseguiram realmente engravidar, embora duas tivessem acabado por abortar”, relata Martin-Babau.

A ideia de que é difícil conseguir engravidar naturalmente após o cancro da mama foi, por isso, desmentida, pelo menos neste grupo de doentes.

A necessidade de um aconselhamento sobre fertilidade

O especialista alerta para as limitações do estudo, que “reflete a atividade de apenas alguns médicos – a realidade pode ser bem diferente noutros lugares”.

A isto junta-se o facto de um terço das doentes identificadas não ter respondido ao inquérito, “muito possivelmente devido à frustração com a sua situação pessoal. A sua participação podia ter mudado os nossos resultados”.

Apesar disto, considera que, nos casos em que as gravidezes naturais ainda são possíveis após o tratamento, os médicos precisam de “pensar em como fornecer a informação mais equilibrada possível, proporcionando um aconselhamento sobre fertilidade a estas doentes jovens”.

Hora da medicação importa tanto como a dose do medicamento

Por Cancro

E se lhe disséssemos que a hora do dia em que se tomam medicamentos ou fazem tratamentos influencia o resultado dos mesmos? Ou que o relógio pode ajudar a otimizar a quimioterapia? É a cronoterapia, assim se chama a administração de tratamentos de acordo com os nossos relógios biológicos, que o confirma cada vez mais.

Do laboratório da Faculdade de Medicina da University of North Carolina at Chapel Hill, nos EUA, vem a mais recente novidade sobre este tema, pela mão de Aziz Sancar, Prémio Nobel da Química em 2015, que atualmente se dedica ao estudo do ciclo circadiano e das reparações feitas ao ADN.

No seu laboratório, foi possível criar uma forma de medir a reparação dos danos causados pela cisplatina, uma forma de quimioterapia comum usada para tratar tumores como o do pulmão, testículos, cabeça e pescoço, ovário, entre outros, e que mata as células cancerígenas, embora seja tóxica para os rins, fígado e sistema nervoso. Efeitos que limitam a sua utilidade.

E pela primeira vez, foi também medida a reparação do ADN após tratamentos com cisplatina ao longo de todo um ciclo circadiano de 24 horas, no genoma de um mamífero.

Até aqui, a cronoquimioterapia, o mesmo é dizer, o ajuste dos tratamentos de quimioterapia a determinados momentos do dia, de acordo com o relógio, para potenciar a morte das células cancerígenas e a redução dos efeitos secundários tóxicos, não tem tido os resultados esperados.

Para Sancar, isso acontece porque os estudos clínicos anteriores na área da cronoterapia foram apenas empíricos, ou seja, os médicos limitaram-se a administrar a terapêutica em vários momentos, tendo depois observado a resposta dos doentes consoante a hora do dia, não levando em conta quando são realizadas as reparações no ADN, um dos aspetos determinantes do cancro e da saúde normal.

“Verificamos que existem cerca de 2.000 genes”, afirma Sancar, autor sénior do estudo. “Acreditamos que os padrões circadianos e cinéticos em todo o genoma e em vários órgãos nos vão ajudar a descobrir e desenvolver os melhores regimes de tratamento para pessoas com cancro”, acrescenta.

“A nossa abordagem passa por entender os fundamentos precisos da reparação do ADN e do ciclo circadiano”, justifica o coautor do estudo, Chris Selby, que acredita que, “seria possível adaptar os tratamentos de quimioterapia tendo em conta com este conhecimento”.

Cromoterapia ou como retardar a progressão do cancro com a ajuda do relógio

Há muito que Sancar se debruça sobre o tema, tendo sido um dos três cientistas vencedores do Prémio Nobel da Química em 2015, uma distinção que resulta do facto de ter demonstrado como é feita a reparação do ADN, o que ajuda a explicar porque é que não temos todos cancro de pele, apesar da radiação ultravioleta estar constantemente a danificar o nosso ADN e justifica porque é que as células permanecem saudáveis mesmo quando expostas a carcinógenos.

Conhecer como e quando são reparadas as células normais de diferentes órgãos pode ajudar os médicos a perceber quais os melhores momentos para administrar a medicação. Como a cisplatina.

“O nosso trabalho sugere que é melhor administrar a cisplatina aos doentes quando a normal reparações do ADN celular estiver no seu auge”, afirma Sancar. “Neste momento, estamos ainda a aprender sobre os mecanismos básicos de reparação do ADN e a sua relação  com o ciclo circadiano. Mas acreditamos que entender a forma precisa de funcionamento do nosso ciclo circadiano é fundamental para retardar a progressão do cancro e que é possível aproveitar o poder da quimioterapia, ao mesmo tempo que se diminuem os efeitos secundários tóxicos.”