conselhos para as temperaturas altas

Como se manter fresco nesta onda de calor

Por Bem-estar

E aí estão elas, as temperaturas altas. Talvez mais altas do que aquilo que os portugueses desejavam e, por isso mesmo, todos os cuidados devem ser poucos. Como estes, salientados pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, que alerta para a importância de alguns cuidados redobrados que podem fazer a diferença.

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Carros ao sol podem atingir temperaturas mortais em apenas uma hora

Por Atualidade

Todos os anos as notícias repetem-se. Seja por distração, cansaço ou esquecimento, há crianças que acabam por ficar fechadas no interior de carros nos dias de calor. E não é preciso muito para que a situação se possa transformar numa tragédia: basta uma hora para que o tablier de um carro estacionado ao sol num dia quente de verão chegue aos 70°C, revela um novo estudo.

Uma hora é também o tempo que leva as crianças pequenas a sofrer lesões por calor ou até morrer por hipertermia, que significa um aumento da temperatura acima dos 40°C, sendo incapazes de arrefecer.

Publicado na revista Temperature, o trabalho decidiu comparar o grau de aquecimento de diferentes modelos de carros nos dias de calor, tendo em conta a exposição a diferentes quantidades de sombra e luz solar e a duração da mesma. E olhou também para o impacto destas variáveis na temperatura corporal de uma criança de dois anos, deixada dentro de um veículo num dia quente.

A conclusão leva os especialistas a pedir mais medidas, uma vez que não há dúvidas que, mesmo estacionado à sombra, um carro pode rapidamente tornar-se letal para uma criança.

Os efeitos do calor nos carros

Foram utilizados seis veículos no estudo: dois carros familiares idênticos, prateados, de tamanho médio; dois citadinos prateados, idênticos e dois monovolumes prateados, também iguais. Durante três dias quentes de verão, com temperaturas acima dos 35°C, em Tempe, no Arizona, os investigadores foram transferindo os carros da luz do sol para a sombra. E mediram a temperatura do ar interior e à superfície.

“Estes testes replicaram o que poderia acontecer durante uma ida às compras”, explica Nancy Selover, climatóloga da Universidade do Arizona e uma das autoras do estudo.

“Queríamos saber como estaria o interior de cada veículo após uma hora, mais ou menos o tempo que uma pessoa demora a fazer compras num supermercado. Sabíamos que a temperatura seria elevada, mas fiquei surpreendida com o valor à superfície.”

Para os veículos estacionados ao sol durante a simulação de ida às compras, a temperatura média no interior atingiu 46°C em apenas uma hora. Os painéis de bordo atingiram os 69°C, os volantes os 53°C e os assentos 51°C também numa hora. No caso dos veículos estacionados à sombra, uma hora depois as temperaturas interiores chegaram próximo dos 38°C, enquanto os painéis de bordo subiram aos 48°C, os volantes aos 42°C e os assentos aos 41°C.

Risco acrescido para as crianças

“Já todos voltamos para os nossos carros em dias quentes e mal conseguimos tocar no volante”, refere Selover. “Imagine como seria uma criança presa no carro. Uma vez introduzida uma pessoa nestes carros quentes, estes começam a exalar humidade para o ar. E quando há mais humidade, não é possível arrefecer através do suor, porque este não evapora tão rapidamente.”

A idade, peso, problemas de saúde existentes e outros fatores, incluindo a roupa vão afetar como e quando o calor se vai tornar mortal. Os investigadores não podem prever exatamente o momento em que uma criança vai sofrer uma insolação, mas a maioria dos casos envolve uma subida da temperatura corporal acima dos 40°C por um período prolongado.

No estudo, foram usados dados para modelar a temperatura corporal de um menino de dois anos. E a equipa verificou que uma criança presa num carro nas condições testadas no estudo pode chegar a essa temperatura em cerca de uma hora se o carro estiver estacionado ao sol, e em pouco menos de duas horas se estiver à sombra.

É por isso que Jennifer Vanos, principal autora do estudo, deixa um apelo: “esperamos que estes resultados possam ser aproveitados para a consciencialização e prevenção da insolação pediátrica, assim como a criação e adoção de tecnologia no veículo para alertar os pais de crianças esquecidas”.

Risco de enfarte aumenta com mudanças súbitas na temperatura

Por Bem-estar

Grandes flutuações na temperatura estão associadas a um risco acrescido de enfarte, revela um estudo hoje apresentado na 67ª Sessão Científica Anual do American College of Cardiology. Numa altura em que os modelos de previsão apontam para a existência de cada vez mais situações meteorológicas extremas, esta investigação alerta para o aumento, na sequência destas, das ocorrências de enfartes.

Para além da tendência geral para o aquecimento, é provável que as alterações climáticas conduzam a eventos mais extremos, como ondas de calor e períodos de frio, dependendo da zona geográfica. E isto pode, por sua vez, “resultar em grandes flutuações diárias na temperatura”, refere Hedvig Andersson, investigador de cardiologia na Universidade do Michigan e autor principal do estudo. “

O nosso trabalho sugere que estas flutuações na temperatura exterior podem levar a um aumento no número de enfartes e afetar a saúde cardíaca global no futuro.”

A ideia de que a temperatura externa afeta a taxa de enfartes não nova, com o clima frio a contribuir para um aumento de risco já identificado. No entanto, a maioria dos trabalhos anteriores concentrou os seus esforços nas temperaturas diárias globais, com este a ser um dos primeiros a examinar a associação às alterações repentinas de temperatura.

“Embora o organismo tenha sistemas eficazes para dar resposta às mudanças de temperatura, as flutuações mais rápidas e extremas podem dar origem a stress acrescido sobre os sistemas, o que pode, por sua vez, contribuir para problemas de saúde”, afirma Andersson, observando que o mecanismo subjacente a esta associação permanece desconhecido.

A investigação teve por base mais de 30.000 doentes tratados em 45 hospitais do Michigan, entre 2010-2016, todos eles alvo de um procedimento utilizado para abrir as artérias entupidas, depois de terem sido diagnosticados com enfarte do miocárdio com elevação de ST, a forma mais grave do enfarte.

Os investigadores olharam para a flutuação de temperatura que precedeu cada um dos eventos cardíacos, com base nos registos meteorológicos, sendo a flutuação diária da temperatura definida como a diferença entre a temperatura mais alta e a mais baixa registada no dia do enfarte.

No geral, os resultados mostraram que o risco de um ataque cardíaco aumenta cerca de 5% por cento para cada salto de cinco graus no diferencial de temperatura. E o aumento súbito da temperatura parece ter um impacto maior nos dias mais quentes.

“Normalmente pensamos nos fatores para o enfarte como aqueles que se aplicam a doentes individuais e, consequentemente, identificamos mudanças de estilo de vida ou medicamentos para lidar com eles. Os fatores de risco a nível populacional precisam de uma abordagem semelhante”, explica Hitinder Gurm, professor de medicina e diretor clínico da Michigan Medicine e outro dos autores do estudo.

“As flutuações de temperatura são comuns e [frequentemente] previsíveis. É necessária mais investigação para perceber os mecanismos subjacentes à forma como estas flutuações aumentam o risco de enfarte, o que nos permitirá talvez conceber uma abordagem de prevenção bem-sucedida”.