profissionais de saúde

CPVID-19: mais de metade dos profissionais de saúde está em burnout

Por | COVID-19

Cerca de 52% dos profissionais de saúde apresentam sinais de exaustão física ou psicológica e burnout relacionado com o exercício da sua atividade durante a pandemia de COVID-19. Os profissionais que estão na linha da frente do combate são os mais afetados, evidenciando sinais significativamente mais elevados não só de burnout, mas também de stress e de ansiedade, revela um novo estudo.

Ler Mais

testes ao covid-19

Triplicar número de testes ao COVID-19 permite poupança de milhões em cuidados de saúde

Por | COVID-19

Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde não tem dúvidas: é preciso fazer mais testes ao COVID-19 em Portugal. Segundo os especialistas, aumentar a atual taxa de 1.000 para 3.000 testes por milhão de habitantes permitirá poupar mais de quatro milhões de euros, só em hospitalizações evitáveis.

Ler Mais

cirurgia às varizes

Operações às varizes com melhores resultados quando feitas por especialista

Por | País

Nas cirurgias às varizes, ser especialista na matéria tem impacto? Essa foi a questão que serviu de mote a uma avaliação feita por um grupo de investigadores nacionais, tendo em conta que mais de metade destas cirurgias são feitas por médicos sem formação na especialidade.

A resposta, essa não deixa dúvidas: os doentes operados por um especialista em cirurgia vascular têm melhores resultados e uma recuperação mais rápida do que aqueles que são operados por um cirurgião geral.

O estudo, realizado por especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e coordenado por Sérgio Sampaio, docente e investigador da FMUP, avaliou mais de 150 mil pessoas operadas às varizes entre 2004 e 2016, em todos os hospitais públicos portugueses.

Destas, escolheram-se 315 para responder a perguntas relacionadas com a satisfação e o período pós-operatório. E foi a partir destas respostas que foi possível confirmar que a recuperação é mais rápida quando o procedimento é realizado por um cirurgião vascular: os doentes faltaram menos dias ao trabalho (média de 27 dias vs. 40 do grupo geral) e levaram menos tempo a retomar a prática de atividade física (41 dias vs. 60 do grupo geral).

Mulheres mais afetadas pelas varizes

No que diz respeito à alta, o mesmo estudo confirma que esta é mais rápida quando a intervenção é levada a cabo por especialista. Nestes casos, a taxa de hospitalização prolongada é de apenas 3%, contra os 14% no grupo operado por um cirurgião geral.

E é também menor a necessidade de uma nova intervenção cirúrgica: 13,5% vs. 8,2%.

Apesar de ser semelhante a satisfação geral e melhoria da qualidade de vida em ambos os grupos, já os casos de insatisfação estética são mais frequentes no grupo intervencionado por um cirurgião geral, que revelaram a existência de piores cicatrizes cirúrgicas (2,8% vs. 2,1%) e um maior número de varizes residuais (2,4% vs. 1,7%). 

Recorde-se que, de acordo com os dados disponíveis, a prevalência da Doença Venosa Crónica atinge entre 20 e 25% da população portuguesa, sobretudo mulheres.

sintomas de depressão

Raparigas sofrem mais com depressão do que os rapazes

Por | Bem-estar

A igualdade de género não é uma realidade quando em causa está a depressão, revela um novo estudo nacional, segundo o qual a prevalência de sintomas depressivos nas raparigas aos 13 anos é duas vezes mais alta do que nos rapazes da mesma idade.

O trabalho é o resultado da tese de doutoramento de Cláudia Bulhões, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que contou com a participação de 2.492 pessoas da cidade do Porto, avaliadas aos 13, 17 e 21 anos. É nele que se confirma que as meninas sofrem mais do que os rapazes. 

Contas feitas, 18,8% das raparigas sofrem de sintomas depressivos aos 13 anos, um valor bem mais elevado que aqueles verificado entre os rapazes (7,6%).

E nem o envelhecimento aproxima os dois sexos. Pelo contrário: aos 17 anos, a prevalência de sintomas depressivos foi de 17,1% nas raparigas e 5,3% nos rapazes.

“Estes sintomas depressivos não acontecem de uma forma episódica, isto é, eles vão ter implicações ao longo da adolescência”, confirma a especialista, citada pelo site Notícias UP.

“Os adolescentes que tinham sintomas depressivos aos 13, a maioria apresentava também sintomas depressivos aos 17 e acabava por ter repercussões aos 21 anos.”

Um efeito que se prolonga

A avaliação feita pela especialista revela que aqueles que apresentaram, na adolescência, níveis mais elevados de sintomas depressivos, revelaram piores resultados sociais e de saúde no início da vida adulta.

Os sintomas depressivos afetaram sobretudo rapazes com história familiar de depressão e raparigas com hábitos tabágicos e cujo primeiro ciclo menstrual surgiu numa idade mais precoce.

Dados que revelam a importância do reconhecimento dos sinais e sintomas de depressão, sobretudo no início da adolescência.

“É importante criar uma ferramenta que nos auxilie na avaliação desta questão, de uma forma estruturada, ao nível das nossa consultas, identificando estes adolescentes numa fase inicial de desenvolvimento do quadro, para que, realmente, possamos desenvolver estratégias no tratamento ou orientação”, revela a investigadora.

estudo sobre doença dos pezinhos

Estudo nacional faz novas descobertas sobre a doença dos pezinhos

Por | Investigação & Inovação

A idade com que se manifestam os sintomas de paramiloidose, doença neurodegenerativa conhecida como ‘doença dos pezinhos’, não é sempre a mesma. Há doentes mais jovens, outros mais velhos, variação que está associada a fatores genéticos. Agora, uma equipa nacional publicou dois artigos onde associa um conjunto de genes à idade em que a doença se começa a manifestar.

Dados que vão permitir uma melhor previsão do início dos sintomas.

“Apesar desta doença ser monogénica, ou seja, apenas um gene é responsável pelo seu aparecimento, muitos outros genes podem interferir na idade em que se manifesta”, explica ao site Notícias UP Carolina Lemos, investigadora do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto, e uma das autoras do estudo.

Genes escondem informação

Em causa está o gene ATXN2, identificado pelas especialistas nacionais, que pela primeira vez o associaram à doença dos pezinhos, confirmando que condiciona o risco antecipado do aparecimento da mesma.

O estudo verifica também que determinadas formas deste gene estão associadas ao desenvolvimento mais precoce da doença dos pezinhos, ao contrário do gene C1Q e de algumas das suas variantes, que retardam a idade de início da paramiloidose em famílias cipriotas, tendo sido descoberta associação idêntica em famílias portuguesas, apesar das variantes portuguesas serem diferentes das encontradas nas famílias do Chipre. 

As primeiras autoras dos artigos, Andreia Dias e Diana Santos, explicam que “não basta identificar e conhecer o gene que causa a paramiloidose, é preciso conhecer muitos outros genes, aparentemente não relacionados, que de alguma forma influenciam o aparecimento da doença”. A ação destes genes ou a sua interação podem, aliás, ter efeitos cumulativos.

De acordo com Carolina Lemos, este tipo de estudos “tem impacto a médio prazo, ao permitir uma melhor previsão da idade de início dos sintomas em cada doente e abre caminhos a futuros estudos funcionais na interação entre genes que podem vir a revelar, um dia, formas de travar o avanço da paramiloidose”.

Gravidez: sim ou não? Um terço dos doadores de gâmetas quer saber resultado da doação

Por | País

Um em cada três doadores de gâmetas (óvulos ou espermatozoides) gostaria de saber se a sua doação deu ou não origem a uma gravidez ou ao nascimento de uma criança. Uma informação que, no entanto, a maioria dos beneficiários deste material reprodutivo não quer partilhar.

Os resultados fazem parte de um estudo desenvolvido no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que chama a atenção para a importância de se considerarem as opiniões de dadores e de beneficiários envolvidos nas técnicas de Procriação Medicamente Assistida, no sentido de se criarem políticas centradas nas pessoas.

Um trabalho que procurou saber se tanto os dadores, como os recetores estão disponíveis para partilhar entre eles informação médica, informação identificável e informação relativa aos resultados da doação.  

E os dados não deixam dúvidas: a maioria dos dadores e dos beneficiários concordam que se partilhe informação médica sobre quem doa os seus gâmetas. Um consenso que fica por aqui, uma vez que, no que diz respeito à revelação de informação pessoal sobre dadores, beneficiários e crianças nascidas através deste processo, não há acordo.

Banco Público de Gâmetas ao serviço do SNS

Designado People-centred policy for data governance in gamete donation: access to information by gamete donors and recipients, o estudo foi desenvolvido por Tiago Maia, no âmbito do Mestrado em Saúde Pública da Universidade do Porto, sob orientação da investigadora do ISPUP, Cláudia de Freitas.

Uma investigação conduzida ao abrigo do projeto “Bionetworking e cidadania na doação de gâmetas”, liderado por Susana Silva, investigadora do ISPUP, e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e que envolveu uma amostra de 230 pessoas (69 dadores e 161 beneficiários), recrutadas no Banco Público de Gâmetas entre julho de 2017 e abril de 2018.

Em Portugal, o Banco Público de Gâmetas é um serviço disponibilizado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), responsável pelo recrutamento e seleção de dadores de óvulos e espermatozoides.

A recolha e preservação destes donativos, usados depois em técnicas de Procriação Medicamente Assistida, é realizada em centros de colheita especializados, localizados em hospitais públicos do SNS.

mais casos de anorexia

Hospitalizações por anorexia nervosa aumentaram no País

Por | Bem-estar

O número de casos de anorexia nervosa que exigiram hospitalização aumentou nos últimos anos, revela um estudo nacional, que confirma terem passado de 12,8 por um milhão de habitantes, em 2000, para 23,7 em 2014.

Liderado por um grupo de investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, em colaboração com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), o estudo fez uma análise retrospetiva das admissões nos hospitais entre 2000 a 2014, através dos registos clínicos de todos os hospitais públicos de Portugal continental. 

Dados que permitiram confirmar que os distúrbios alimentares, como a anorexia nervosa e a bulimia, estiveram na base de 4.485 hospitalizações durante esse período. 

Anorexia nervosa é a mais frequente

Confirma-se que a anorexia é a patologia mais frequente, com 54% dos casos analisados a referirem-se a esta doença. Ao todo, 27% dos casos estavam diagnosticados como distúrbios alimentares genéricos e 13% referiam-se a bulimia nervosa, problemas que afetam sobretudo elementos do sexo feminino (87%), com uma média de idades de 26 anos.

No que diz respeito à mortalidade intra-hospitalar, o estudo contabiliza 0,9% no caso da anorexia nervosa, o que corresponde a 25 mortes em quinze anos. 

E regista também 229 tentativas de suicídio (5%), na sua maioria por parte de mulheres, sobretudo entre as que sofrem de bulimia (10%).

As hospitalizações custam caro. Custam emocionalmente, para os doentes e suas famílias, e custam também para o Sistema Nacional de Saúde, que se estima “em 21,5 milhões de euros, numa média de 1,43 milhões de euros por ano”, refere Alberto Freitas, coordenador da equipa de investigação.

É preciso mais educação para a saúde mental

“As perturbações do comportamento alimentar são um conjunto de patologias com uma representatividade importante no panorama hospitalar do nosso país”, explica o investigador e médico Manuel Gonçalves-Pinho.

“A saúde mental e o estigma social que infelizmente lhe está associada podem contribuir para o atraso na procura de ajuda especializada junto do psiquiatra ou médico de família. Quanto mais tardia for a procura de ajuda mais difícil será o tratamento”, acrescenta.

E reforça “a importância da educação para a saúde mental nas escolas, mais especificamente na identificação de comportamentos que poderão indicar uma perturbação do comportamento alimentar nos jovens”.

vítima de violência doméstica

Vítimas de violência doméstica procuram menos ajuda médica

Por | Investigação & Inovação

Procurar ajuda médica ajuda a quebrar o ciclo de violência, mas de acordo com um estudo europeu, liderado por investigadores nacionais, as vítimas de violência doméstica tendem a recorrer menos aos serviços de saúde.

Integrado no projeto DOVE – Domestic Violence against Women/Men in Europe: Prevalence, determinants, effects and policies/practices, o estudo, que contou com a participação de especialistas do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, entre os quais Henrique Barros, coordenador do estudo, revela que as vítimas de violência conjugal não só são alvo de sofrimento físico ou emocional, como ainda têm menos ajuda por parte do serviços de saúde, uma vez que os procuram menos.

Uma procura que, conclui ainda o trabalho, que contou com a participação de 3.279 pessoas de seis cidades europeias (Atenas, Budapeste, Estugarda, Londres, Porto e Östersund), com idades entre os 18 e os 64 anos, é cerca de 30% inferior à verificada por outras pessoas que não se encontram na mesma situação.

“Os dados da investigação indicam que quase uma em cada cinco vítimas de algum tipo de violência conjugal (agressões físicas, verbais ou de natureza psicológica) não vê satisfeitas as suas necessidades em saúde”, refere Henrique Barros, citado pelo site de Notícias, da Universidade do Porto.

Mulheres são as maiores vítimas

E são, sem surpresas, as mulheres as maiores vítimas deste tipo de violência, conclui o estudo. De resto, os dados mais recentes da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), referente a 2017, confirmam que assim é, referindo que, dos casos analisados pela associação, 82,5% eram referentes a mulheres. 

Mulheres que tendem mais a não procurar ajuda e a desvalorizar a gravidade dos sintomas e das consequências. No entanto, para além da violência que resulta diretamente dos abusos, as vítimas de violência doméstica tendem a apresentar mais problemas de saúde. E pelo facto de não procurarem ajuda médica, tendem a ter um pior prognóstico.