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FROC abre diálogo sobre terapias complementares na oncologia pediátrica

terapias alternativas

“Terapias complementares e o seu impacto no bem-estar físico e emocional das crianças e das suas famílias, durante e após os tratamentos” é um dos temas do 12.º Seminário de Oncologia Pediátrica da Fundação Rui Osório de Castro (FROC), que terá lugar no próximo dia 28 de fevereiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Uma escolha que nasce do claro interesse por parte das famílias em compreender melhor este tipo de terapias, os seus benefícios e os seus limites, num contexto sensível como o da oncologia pediátrica, e que ganha ainda mais relevância tendo em conta que, refere Catarina Mendes Martins, Diretora-Geral da FROC, “de acordo com estudos internacionais, entre 30% e 80% das crianças recorrem a terapias complementares”.

Em Portugal, um estudo recente realizado pelo Hospital Pediátrico de Coimbra revela que 22% dos inquiridos utilizam terapêuticas não medicamente prescritas, embora existam evidências de que este valor possa ser, na realidade, mais elevado. E confirma ainda que, muitas vezes, esta adesão não é partilhada com as equipas de saúde, levantando preocupações legítimas ao nível da segurança dos tratamentos e da saúde das crianças.

Num contexto em que a informação é frequentemente fragmentada, pouco clara e, por vezes, assente em abordagens sem base científica, a FROC assume um papel ativo: “promover o diálogo e criar um espaço para que este tema comece a ser abordado de forma estruturada e segura (com base na evidência científica)”, explica Catarina Mendes Martins.

Apesar de, como refere, “os pais, perante situações de grande fragilidade dos filhos, tenderem a recorrer a tudo o que possa ‘prometer’ melhorias no tratamento ou na qualidade de vida, nem sempre se sentem à vontade para abordar o tema em contexto de consulta. Existe, muitas vezes, o receio de julgamento por parte dos profissionais de saúde ou a perceção de que esta informação não é relevante para o médico”. Do lado dos médicos, existe “dificuldade em abordar terapias complementares para as quais não conhecem evidência científica. Torna-se assim essencial promover a discussão sobre o tema e fomentar a comunicação entre famílias e profissionais de saúde.

Para a FROC, é clara a necessidade de “acesso à informação credível sobre o tema; abertura para os pais poderem levar à consulta as opções terapêuticas que consideram potencialmente benéficas para o seu filho e, com o apoio do médico, avaliarem se faz sentido recorrer às terapias complementares. E é ainda necessário apoio na distinção entre o que pode efetivamente ser benéfico e o que pode interferir com o tratamento ou comprometer a saúde da criança”.

Até porque, tendo em conta o “impacto profundo na criança e na família, e existindo evidência de que abordagens complementares podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida (bem-estar físico e emocional), é de interesse das famílias poderem recorrer a elas”.

De acordo com Catarina Mendes Martins, “as terapias complementares, como a acupuntura, a aromaterapia, as massagens, o yoga, o mindfulness, o reiki, entre outras, podem ajudar a lidar com os sintomas associados à doença e aos efeitos secundários dos tratamentos – dores, náuseas, stress, ansiedade.”, contribuindo ainda “para a melhoria da qualidade do sono e do bem-estar geral, com impacto positivo no equilíbrio emocional da criança e dos seus cuidadores”. Mas tudo isto “sempre numa perspetiva complementar aos cuidados médicos convencionais”.

O Seminário vai ainda contar com um painel dedicado às terapias para a reabilitação das crianças com doença oncológica, durante e após o tratamento, assim como à apresentação do projeto vencedor da 9ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium bcp e do anúncio do vencedor e menções honrosas da 10ª edição.

Crédito imagem: iStock

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