É possível lidar com as emoções através da alimentação, garantem especialistas da Universidade da Virgínia Ocidental (WVU Extension), nos EUA. Mas isso passa por fazer escolhas conscientes para evitar alimentos que causam inflamação e optar por alimentos que apoiam a função de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que promovem sentimentos de calma e felicidade.
“Os ácidos gordos ómega-3 estão associados à redução da ansiedade e da depressão”, refere os especialistas. “Os frutos do mar são uma boa fonte de ómega-3, assim como os peixes oleosos de água fria, como o salmão, o atum, o arenque, a cavala, a sardinha, a anchova e a truta. Os legumes como a soja, a couve-de-bruxelas e os espinafres contêm níveis elevados de ómega-3, assim como as nozes, as sementes de chia, a linhaça e as sementes de cânhamo.”
“Os alimentos ricos em folato atravessam a barreira hematoencefálica e ajudam a sintetizar neurotransmissores como a serotonina, a dopamina e a norepinefrina, que regulam o humor”, referem. O aumento da ingestão de folato passa pelo consumo de “fígado de vaca, feijão-frade e vegetais como espinafres, espargos, couve-de-bruxelas, brócolos, alface romana, abacate e ervilhas”.
“Existem muitos outros alimentos que fazem bem à saúde. Os frutos vermelhos e outros alimentos ricos em antioxidantes podem melhorar a função cognitiva e o humor. Os alimentos fermentados, como a chucrute e o iogurte, podem contribuir para um eixo intestino-cérebro saudável e reduzir a inflamação sistémica. O chá verde e o chocolate negro com pelo menos 70% de cacau são ricos em polifenóis, que protegem contra o declínio cognitivo”, acrescentam.
Gina Wood, coordenadora do Programa Alargado de Educação Alimentar e Nutricional daquela universidade, revela que “reduzir o consumo de alimentos que causam inflamação, como alimentos processados e hidratos de carbono refinados, pode ser tão importante para a nossa saúde como consumir mais alimentos saudáveis. Os alimentos e bebidas que contribuem para a inflamação incluem refrigerantes, chá doce, bebidas desportivas e energéticas, bolachas, snacks, pão branco, arroz branco, massa branca, massa instantânea, barras de cereais, doces, bolachas, bolos e outras guloseimas”.
“Para manter um estado emocional estável e sustentar a nossa energia, precisamos de escolher refeições equilibradas que combinem proteínas, gorduras saudáveis e hidratos de carbono complexos para uma energia duradoura. Precisamos de nos manter hidratados, bebendo seis a oito copos de água por dia.”
De acordo com os especialistas, “a alimentação consciente significa prestar atenção aos sabores, aromas, texturas e emoções que sentimos ao comer. Os exercícios de alimentação consciente têm sido utilizados na reabilitação cardíaca, no tratamento de distúrbios alimentares, em programas de gestão do stress e em programas de controlo de peso. A alimentação consciente promove a apreciação da comida e a perceção da sensação de saciedade”, explicam.
Há formas simples de alimentação consciente que podem ser incorporadas nas refeições diárias para promover uma alimentação saudável:
- Pausa de gratidão — Antes de comer, sente-se em silêncio e sinta gratidão pela comida que está prestes a ingerir.
- Coma devagar — Concentre-se em comer mais devagar e em mastigar bem os alimentos, o que pode ajudar na digestão e na perceção da saciedade, limitando a ingestão excessiva de alimentos.
- Elimine as distrações — Para limitar a alimentação inconsciente e o consumo de alimentos para além da saciedade, faça as suas refeições à mesa, e não em frente ao computador ou à televisão. Desligue os aparelhos eletrónicos. Se estiver a comer com amigos ou familiares, aproveite a refeição para se relacionar socialmente.
- Envolva os seus sentidos — Enquanto come, preste atenção à cor, à textura, ao cheiro e ao sabor dos alimentos. Observe como o seu corpo reage às primeiras dentadas. Este pode ser um exercício divertido para experimentar com crianças.
“Os exercícios de alimentação consciente podem ser feitos sozinho ou com amigos e familiares. Os exercícios proporcionam uma oportunidade de se reconectar com a comida e apreciar o alimento que nutre o seu corpo”, confirma Kerry Gabbert, professora assistente do Programa de Nutrição Familiar da WVU Extension.
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