O relatório “As 10 principais tecnologias emergentes de 2026”, publicado em conjunto pelo Fórum Económico Mundial e pela revista científica Frontiers, identitica as tecnologias com maior potencial para moldar a indústria, as políticas públicas e a sociedade nos próximos cinco anos. Após anos de desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) focada no software, as tecnologias com maior impacto estão a migrar dos ecrãs para os sistemas físicos que sustentam as economias modernas, entre os quais a medicina.
As dez principais tecnologias emergentes de 2026 são:
Energia integrada na rede – os veículos e edifícios elétricos armazenam e devolvem energia à rede a pedido, permitindo um fluxo bidirecional em grande escala.
Extração direta de lítio – sistemas que extraem lítio de grau em questão de horas.
Materiais de arrefecimento radiativo passivo – manter os edifícios frescos sem consumir energia, refletindo a luz solar diretamente através da atmosfera, de volta para o espaço.
Destruição de PFAS – decomposição de “químicos eternos” em substâncias naturais e inofensivas para a água potável limpa.
Fermentação de precisão – produção de ingredientes alimentares e medicamentos utilizando micróbios geneticamente programados, eletricidade e açúcar em tanques de fermentação.
Administração de medicamentos por exossomas – utilização de pacotes celulares naturais do corpo humano para administrar medicamentos direcionados com precisão às células doentes.
Vacinas personalizadas de mRNA contra o cancro – treino do sistema imunitário do doente para encontrar e destruir células cancerígenas utilizando vacinas personalizadas para o seu tumor.
Simulação quântica para a descoberta de fármacos – identificação dos candidatos a fármacos mais promissores através da simulação do seu comportamento, reduzindo o tempo e o custo da investigação.
Modelos mundiais – os sistemas de IA aprendem como o mundo físico se comporta a partir de dados multimodais, prevendo os resultados de cenários como supertempestades.
Criptografia baseada em reticulados – códigos matemáticos de última geração que protegem dados digitais sensíveis contra ataques de futuros computadores quânticos.
Oito das dez tecnologias atuam diretamente sobre sistemas físicos. A vantagem competitiva está a migrar do software para a capacidade de controlar infraestruturas, materiais, processos biológicos e dados industriais. Ao mesmo tempo, várias tecnologias presentes no relatório deste ano estão a quebrar a ligação entre a geografia e a produção, permitindo o fabrico de bens essenciais em locais onde o clima ou a geologia o tornavam anteriormente impossível.
Stephan Mergenthaler, Diretor Executivo do Fórum Económico Mundial, considera que “embora cada uma destas tecnologias tenha o potencial de gerar um impacto significativo individualmente, juntas contam uma história mais ampla sobre o rumo da inovação. Revelam novos padrões na energia, na medicina e na indústria transformadora que podem desafiar pressupostos antigos sobre a forma como utilizamos a tecnologia para enfrentar alguns dos desafios mais urgentes do mundo, como a insegurança alimentar, as alterações climáticas e as doenças incuráveis”.
“O relatório deste ano marca uma mudança decisiva: as tecnologias com maior impacto estão a migrar do software para o mundo físico, mesmo com a inteligência artificial a continuar a impulsionar o progresso em diversas frentes”, refere Frederick Fenter, editor-chefe da Frontiers. “Como editora de investigação focada na IA, a Frontiers utilizou uma ferramenta de descoberta baseada na IA para identificar e categorizar a lista de tecnologias emergentes deste ano. Ao ligar os insights de investigação do setor da inovação com a sociedade em geral através deste relatório anual, estamos a fornecer uma base de evidências partilhada para decisores políticos, líderes da indústria e instituições de investigação sobre como estas tecnologias irão desenvolver-se para nos trazer um mundo mais resiliente.”
Crédito imagem: Unsplash















