Participar em diversas atividades intelectualmente estimulantes ao longo da vida, como ler, escrever e aprender uma língua, está associado a um menor risco de doença de Alzheimer e a um declínio cognitivo mais lento, mostra um novo estudo publicado na Neurology®, a revista médica da Academia Americana de Neurologia.
O estudo constatou que as pessoas com um maior nível de aprendizagem ao longo da vida desenvolveram a doença de Alzheimer cinco anos mais tarde e apresentaram um défice cognitivo ligeiro sete anos depois daquelas que têm um nível de aprendizagem mais baixo ao longo da vida.
“O nosso estudo analisou o enriquecimento cognitivo desde a infância até à velhice, com foco em atividades e recursos que estimulam a mente”, explica a autora do estudo, Andrea Zammit, especialista do Rush University Medical Center, em Chicago. “Os nossos resultados sugerem que a saúde cognitiva na velhice é fortemente influenciada pela exposição ao longo da vida a ambientes intelectualmente estimulantes.”
O estudo envolveu 1.939 pessoas com uma idade média de 80 anos, sem demência no início do estudo, seguidas durante uma média de oito anos. Os participantes responderam a questionários sobre atividades cognitivas e recursos de aprendizagem em três fases: o enriquecimento precoce, antes dos 18 anos, que incluiu a frequência com que ouviam histórias e liam livros, acediam a jornais e atlas em casa e tinham estudado uma língua estrangeira durante mais de cinco anos; o enriquecimento na meia-idade, que incluiu o nível de rendimento aos 40 anos, recursos domésticos como assinaturas de revistas, cartões de biblioteca, e a frequência de atividades como visitar museus ou bibliotecas; e o enriquecimento na terceira idade, a partir da média de 80 anos, que incluiu a frequência da leitura, da escrita e dos jogos, e o rendimento total proveniente da Segurança Social, da reforma e de outras fontes.
Durante o estudo, 551 participantes desenvolveram doença de Alzheimer e 719 desenvolveram défice cognitivo ligeiro. Os investigadores compararam os participantes com o nível mais elevado de enriquecimento cognitivo (os 10% superiores) com aqueles com o nível mais baixo (os 10% inferiores) e verificaram que 21% dos participantes com o nível de enriquecimento mais elevado desenvolveram Alzheimer. Dos participantes com o nível mais baixo de enriquecimento ao longo da vida, 34% desenvolveram Alzheimer.
Após ajustes para fatores como a idade, o sexo e a escolaridade, os investigadores descobriram que pontuações mais elevadas no enriquecimento ao longo da vida estavam associadas a um risco 38% menor de doença de Alzheimer e 36% menor de défice cognitivo ligeiro.
Verificaram que as pessoas com o maior nível de enriquecimento ao longo da vida desenvolveram a doença de Alzheimer em média aos 94 anos, em comparação com os 88 anos para aqueles com o nível mais baixo de enriquecimento, um atraso de mais de cinco anos.
Para o défice cognitivo ligeiro, os investigadores descobriram que as pessoas com o maior nível de enriquecimento ao longo da vida desenvolveram o défice cognitivo ligeiro em média aos 85 anos, em comparação com os 78 anos para aquelas com o nível mais baixo de enriquecimento, um atraso de sete anos.
“Os nossos resultados são encorajadores, sugerindo que o envolvimento consistente numa variedade de atividades mentalmente estimulantes ao longo da vida pode fazer a diferença na cognição”, reforça Zammit. “Os investimentos públicos que alargam o acesso a ambientes enriquecedores, como bibliotecas e programas de educação concebidos para despertar o amor pela aprendizagem ao longo da vida, podem ajudar a reduzir a incidência de demência.”
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