
A variedade é grande e o acesso fácil, já que estão disponíveis na maioria dos supermercados. Mas são as bebidas energéticas uma opção saudável? A resposta é dada por Jamie Pronschinske, nutricionista do Mayo Clinic Health System.
“As pessoas adoram cafeína, seja no café, chá, refrigerantes ou nas bebidas energéticas”, refere a especialista, que acrescenta que esta é “o estimulante mais comum no mundo e cerca de 90% dos adultos consomem cafeína diariamente sob alguma forma. Muitas opções e sabores diferentes de cafeína estão prontamente disponíveis nos cafés, restaurantes, supermercados e lojas de conveniência e as bebidas energéticas, em particular, são embaladas em latas brilhantes e têm nomes atraentes”.
Mas o seu impacto na saúde não é assim tão linear. Explica a médica que “Os efeitos da cafeína variam de pessoa para pessoa e dependem da dose. Está demonstrado que ela melhora a vigilância, os reflexos, o estado de alerta e a capacidade de concentração e pode ajudar a aliviar os efeitos adversos da privação do sono. A ingestão de cafeína está também associada a um risco reduzido da doença de Parkinson, Alzheimer, cirrose alcoólica e gota”.
Mas nem tudo são coisas boas. “A ingestão de cafeína também está relacionada com o nervosismo, insónia, irritabilidade e ataques de pânico. As pessoas com distúrbios de ansiedade preexistentes podem ser mais suscetíveis a estes sintomas. A cafeína pode aumentar momentaneamente a pressão arterial, e uma ingestão elevada tem sido associada a um ligeiro aumento dos níveis de colesterol”.
A especialista aconselha, por isso mesmo, a que se verifique a quantidade de cafeína na bebida energética. “Ingerir até 400 miligramas de cafeína por dia é considerado seguro para a maioria dos adultos. A maioria contém entre 100 e 300 miligramas de cafeína por dose, enquanto o café caseiro contém entre 80 e 100 miligramas. É claro que esses valores podem variar. Se a sua bebida energética preferida tiver 210 miligramas ou mais de cafeína por dose, consumir mais de uma dose por dia representaria uma ingestão acima do nível recomendado.”
E quais as potenciais consequências? Jamie Pronschinske refere que o consumo de mais de 400 miligramas por dia pode causar “palpitações, tremores, agitação e irritação gastrointestinal. O uso excessivo de cafeína está associado ao aumento do risco de outros comportamentos viciantes. As pessoas que consomem cafeína rotineiramente podem desenvolver dependência física e psicológica e podem apresentar sintomas de abstinência se o consumo for interrompido abruptamente”.
Um outro ingrediente que deve ser analisado nas bebidas energéticas é o açúcar. “Muitas delas podem conter quantidades significativas de açúcar refinado e outros adoçantes. A ingestão elevada de açúcar refinado pode contribuir para uma variedade de problemas de saúde”, alerta ainda a especialista.
Mas, garante Jamie Pronschinske, “as bebidas energéticas não são completamente más, sobretudo quando consumidas em moderação. Algumas contêm vitaminas, minerais e aminoácidos. Outras suplementos de ervas, como ginseng e guaraná, que podem ser usados para aumentar a energia e o estado de alerta mental. Mas estas substâncias devem ser usadas com cuidado, uma vez que as pesquisas sobre segurança e eficácia são limitadas. Além disso, alguns suplementos podem interagir com medicação, pelo que se deve procurar orientação médica se a pessoa estiver a tomar medicamentos”.
“É importante notar que as mulheres que estão grávidas ou a amamentar devem limitar a ingestão de cafeína para 200 miligramas ou menos por dia”, sendo também desencorajado o consumo de cafeína (e, por isso, das bebidas energéticas) e outros estimulantes por crianças e adolescentes.