O número de casos de cancro do endométrio está a aumentar em Portugal, impulsionado por fatores como o envelhecimento da população, a obesidade e o aumento das doenças metabólicas (diabetes). O alerta é lançado por especialistas portugueses num novo artigo científico, publicado na revista da Sociedade Portuguesa de Oncologia, que analisa a realidade nacional desta doença ginecológica: Current perspectives on endometrial cancer in Portugal: prevention, diagnosis, clinical management, challenges and opportunities – Revista Portuguesa de Oncologia.
De acordo com os autores, uma das maiores preocupações continua a ser o atraso no diagnóstico e a reduzida sensibilização para alguns dos sinais de alerta da doença, nomeadamente a hemorragia vaginal após a menopausa. “Qualquer sangramento depois da menopausa deve ser avaliado por um profissional de saúde”, sublinham os especialistas, que defendem mais campanhas de informação e sensibilização dirigidas à população portuguesa.
O artigo mostra que Portugal dispõe de profissionais e centros altamente diferenciados, mas identifica também desafios importantes relacionados com o acesso a exames, tempos de espera para diagnóstico e atrasos no início dos tratamentos. Os especialistas alertam, ainda, para o impacto crescente da obesidade no risco de desenvolver cancro do endométrio, defendendo uma aposta reforçada na prevenção através da promoção de hábitos de vida saudáveis e da melhoria da literacia em saúde.
Embora muitos casos sejam diagnosticados numa fase inicial e apresentem taxas elevadas de sobrevivência, continuam a existir situações em que o diagnóstico é atrasado, reduzindo as possibilidades de tratamento e aumentando a complexidade da doença.
O estudo destaca, também, os avanços alcançados nos últimos anos através da medicina personalizada e de novas abordagens terapêuticas, que estão a transformar o tratamento de algumas doentes. Contudo, os especialistas defendem que o acesso a estas inovações deve ser mais uniforme em todo o País.
Entre as recomendações apresentadas contam-se: maior sensibilização para os sintomas da doença; redução dos tempos de espera para diagnóstico; reforço do acesso a testes moleculares; acesso a terapêuticas inovadoras de forma mais célere; e criação de percursos mais rápidos para doentes com suspeita de cancro do endométrio. “O conhecimento e o diagnóstico precoce continuam a ser as melhores ferramentas para melhorar o prognóstico das mulheres com cancro do endométrio”, concluem os autores.
O que é o cancro do endométrio?
O cancro do endométrio desenvolve-se no revestimento interno do útero e é um dos tumores ginecológicos mais frequentes. A doença afeta sobretudo mulheres após a menopausa e pode manifestar-se através de hemorragia vaginal anormal, um sinal que nunca deve ser ignorado.
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