campanha incentiva ao consumo de água

Água, a mega bebida protagonista de uma campanha nacional

Por País

É uma “mega bebida”, capaz de manter o “rendimento físico em alta”, “a performance lá em cima” ou “o foco no máximo”. Uma bebida tão importante que até merece uma campanha de incentivo ao seu consumo. Consegue adivinhar qual é? A resposta é simples: a água.

E se, para alguns, beber água é simplesmente natural, ainda há quem beba pouco e quem a troque por outras bebidas.

Situação que justifica o lançamento pela Direção-Geral da Saúde (DGS), em parceria com a Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente, de uma campanha de comunicação.

O objetivo é “promover o consumo de água como parte integrante de uma alimentação saudável”,  lê-se no comunicado da DGS.

Isto “alinhada com o programa de saúde prioritário na área da promoção da alimentação saudável e com a Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável”.

Com o slogan “Água | A Nova Mega Bebida”, os protagonistas da campanha nacional são as figuras públicas Vanessa Oliveira, Isaac Alfaiate, Diogo Amaral e Maria Cerqueira Gomes.

Promover o consumo de água

Promover a saúde é uma das prioridades do XXI Governo Constitucional, “através de uma nova ambição para a Saúde Pública”.

Aqui, defende-se “que a obtenção de ganhos em saúde resulta da intervenção nos vários determinantes”, salientando-se como fundamental a política de promoção de uma alimentação saudável”.

Conscientes de que “a mudança de comportamentos se consegue, em grande parte, com educação”, o Governo defende uma aposta na literacia.

E, neste sentido, em campanhas nacionais de promoção de saúde pública, que se traduzem em melhores comportamentos e estilos de vida dos portugueses. Com reflexos na saúde de todos.

Bebe o suficiente?

A água representa cerca de 60-70% da composição corporal, sendo o principal constituinte celular. Encontra-se também envolvida no transporte dos nutrientes e em inúmeras reações metabólicas do organismo.

De acordo com as recomendações oficiais, os homens adultos devem ingerir 2,5 litros de água por dia. Este valor baixa para os dois litros diários no caso das mulheres.

Consumo de antibióticos desceu em 2017

Consumo de antibióticos a descer nos hospitais

Por País

As campanhas que apelam a um uso mais racional dos antibióticos podem estar a surtir efeito. De acordo com os dados do Infarmed, em 2017 assistiu-se a uma redução de 3,7% no número de unidades utilizadas nos hospitais (cerca de dez milhões) do Serviço Nacional de Saúde.

Os antibióticos são, de acordo com a mesma fonte, a oitava classe terapêutica mais utilizada, num ranking em que se destacam os antivíricos ou os medicamentos para a hipertensão.

De acordo com os dados do Relatório de Monitorização do Consumo de Medicamentos em Meio Hospitalar, relativo a 2017, a diminuir, desta feita pela primeira vez, esteve a despesa com a área terapêutica da Infeção VIH/sida – menos 5,4% ou seja, menos 12,3 milhões de euros.

Ao todo, os gastos chegam aos 215 milhões, com esta a manter o segundo lugar na lista de áreas com mais peso para os orçamentos dos hospitais.

Despesa com medicamentos não para de aumentar

Contas feitas, a despesa global com medicamentos alcançou, no ano passado, 1.141 milhões de euros, o que significa um aumento de 59 milhões (+5,5%) face ao ano anterior.

Na área da oncologia, houve mais tratamentos e mais medicamentos inovadores aprovados (foram 18 em 2017), com os tratamentos para o cancro a representarem atualmente um quinto do total da despesa dos hospitais. Em 2017, esse valor foi superior a 284 milhões de euros, mais 13,7% do que no período homólogo, embora esta subida seja consistente nos últimos anos, revela o relatório.

A contribuir para este crescimento está o maior acesso a moléculas inovadoras, que beneficiou sobretudo os doentes com cancro do pulmão e melanoma.

Medidas na calha para controlar gastos

No que diz respeito aos biossimilares, a sua taxa global de utilização está acima de 40% no universo de medicamentos que já dispõem de biossimilar. 

Aqui, o relatório dá conta da necessidade de aumentar ainda mais esta percentagem e de reforçar a negociação com as empresas farmacêuticas com vista à redução dos preços dos medicamentos, assim como um maior planeamento a longo prazo da entrada de novas moléculas, medidas em curso para o controlo da despesa.

doces já não podem ser vendidos no SNS

Os doces e salgados que já não pode consumir no SNS

Por País

Águas aromatizadas, bebidas energéticas e bebidas com cola ou extrato de chá, guloseimas tipo rebuçados, caramelos, pastilhas com açúcar, gomas, snacks doces ou salgados, como tiras de milho, batatas fritas, aperitivos e pipocas. Esta é a lista de alimentos que, a partir de agora, deixam de poder ser vendidos nos hospitais, centros de saúde e afins, do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O diploma entrou em vigor no passado sábado (30 de junho), definindo a limitação de venda de produtos, doces e salgados, prejudiciais à saúde nos espaços destinados à exploração de bares, cafetarias e bufetes, pelas instituições do Ministério da Saúde, com o objetivo de promover uma alimentação mais saudável.

Publicado a 28 de dezembro de 2017, a medida contemplava um período de seis meses para que as entidades pudesse fazer as alterações necessárias.

Os alimentos que podem ser vendidos no SNS

O mesmo diploma define ainda a proibição, nos novos contratos a venda, de chocolates em embalagens superiores a 50g, chocolates com recheio, bebidas com álcool e molhos como ketchup, maionese ou mostarda e obriga a que seja disponibilizado aos utentes água potável gratuita e de garrafa.

Publicidade ou venda de refrigerantes ou refeições rápidas, designadamente hambúrgueres, cachorros quentes, pizzas ou lasanhas, ficam também no âmbito do que não pode ser disponibilizado.

A lista dos aceitáveis inclui leite simples meio-gordo/magro, iogurtes meio-gordo/magro, preferencialmente sem adição de açúcar, queijos curados ou frescos e requeijão, sumos de fruta e/ou vegetais naturais, bebidas que contenham pelo menos 50 % de fruta e/ou hortícolas e monodoses de fruta.

O pão faz também parte da lista, “preferencialmente de mistura com farinha integral e com menos de 1 g de sal por 100 g”, a fruta fresca, da época, se for possível, podendo ser apresentadas como salada de fruta fresca sem adição de açúcar.

As saladas, sopa de hortícolas e leguminosas, frutos oleaginosos ao natural, sem adição de sal ou açúcar, tisanas e infusões de ervas sem adição de açúcar podem também ser vendidos.

De acordo com o diploma, estas medidas devem ser acompanhadas por programas com o objetivo de informar e capacitar para escolhas alimentares mais saudáveis, promovendo-se o aumento da literacia alimentar e nutricional da população que frequenta os espaços de oferta alimentar do SNS.

Orçamento Participativo Portugal

Os projetos do OPP que querem mudar a saúde nacional

Por País

Depois do sucesso de 2017, o Orçamento Participativo Portugal (OPP) está de volta. As votações estão abertas até 30 de setembro para um total de 692 projetos, 50 dos quais na área da saúde. De consultas domiciliárias para menores, inscrições online nos centros de saúde ou música nos hospitais, são muitas as opções à espera dos votos dos portugueses.

Do total dos 600 projetos votados no ano passado, encontram-se em fase de concretização os 38 que recolheram a maioria dos cerca de 80 mil votos no OPP 2017. Este ano, com um orçamento superior – cinco milhões de euros, mais dois milhões que o disponibilizado na primeira edição-, são também mais os projetos a votos (mais 92). 

Ideias para todos os gostos

Dos 50 projetos a votação na área da saúde, 19 são de âmbito nacional. É o caso do projeto #133, que tem como objetivo tornar “mais robusta e eficaz” a plataforma de apoio à Biblioteca de Literacia em Saúde, disponível no Portal SNS, e que, desde 2016, tem vindo a divulgar recursos com vista à promoção da literacia em saúde dos portugueses. 

Tornar mais fácil a vida de pais e filhos é o que pretende o projeto #788, que propõe a criação de uma equipa constituída por um médico e um enfermeiro, que se deslocam a casa nas situações que impedem os menores de ir à escola mas não exigem tratamentos hospitalares urgentes. Evita-se, assim que a criança tenha de estar no Centro de Saúde com outras pessoas doentes e permite-se aos pais aceder à justificação de falta ao trabalho.

A proposta #815 quer “contribuir para o conhecimento dos principais parasitas encontrados nas fezes dos animais errantes e de estimação em Portugal” e, ao mesmo tempo, consciencializar e sensibilizar a população sobre “a importância da desparasitação e cuidados veterinários continuados e o não abandono”.

Já o projeto “Move a Saúde” (#129) visa a criação de quatro aplicações para dispositivos móveis e fixos, que pretendem “proporcionar à população em geral, programas de exercício físico, com vista a melhorarem a sua saúde e qualidade de vida”.

Serviços em casa e fora dela

A lista não se fica por aqui. Uma “saúde perto de todos” é o desejo da proposta #783, que se propõe “implementar a prestação de serviços ao domicílio, contemplando áreas como a fisioterapia, a enfermagem, a nutrição e a psicologia”, em zonas isoladas e numa parceria com hospitais, centros de saúde, câmaras municipais e juntas de freguesia, entre outras.

A prevenção do suicídio é a missão da proposta ‘Gerações em rede pela saúde mental’ – GENTAL (#793), enquanto a #836 deseja ajudar os portugueses a interpretar as informações dos rótulos dos alimentos.

Levar a música a crianças e Jovens em Risco Institucionalizados é outra das propostas (#138), à qual se junta outra, que pretende “aumentar o número de cidadãos com conhecimentos e formação na área de primeiros socorros com capacidade de socorrer uma vítima, diminuindo assim o número de mortes por acidentes ou doença súbita” (#145).

Uma aposta na prevenção e saúde

A realização de um documentário sobre dependências (#139) e o reforço do apoio psicológico aos profissionais de socorro/emergência em território nacional (#144), são mais dois dos projetos, de uma lista onde se inclui ainda a ideia de equipar as salas de espera das unidades de saúde primários com dispositivos audiovisuais interativos, “dotados de conteúdo adequado de informação, capacitação e formação dos utentes” (#132).

Um espaço para cuidados dos pais que têm filhos institucionalizados (#808), promover e incentivar o envelhecimento ativo e saudável (#143), lançar um Programa de Reforma Estrutural assente na revisão das Recomendações Alimentares em Portugal (#137), realizar tratamentos orais gratuitos para crianças (#789) ou criar uma plataforma para inscrição online nos centros de saúde e atribuição de médico de família online (#827) também constam das propostas.

Mudar o modelo de transportes para doentes com patologia oncológica (#792) e desenvolver e implementar projetos e intervenções musicais em contextos comunitários e institucionais de cuidados de saúde, de educação e de ação social, particularmente dirigidas a crianças, idosos e grupos de risco (#795).

Novo equipamento no Instituto Ricardo Jorge

Novo equipamento facilita diagnóstico de doenças genéticas

Por País

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge tem um novo equipamento que vai permitir aumentar em cerca de oito vezes a sua capacidade instalada em sequenciação de ADN. A partir de agora será possível sequenciar o genoma humano e será mais fácil o diagnóstico clínico de doenças genéticas. 

A nova plataforma de sequenciação de nova geração, com um custo de mais de 250 mil euros, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, reforça, desta forma, a capacidade de diagnóstico laboratorial do instituto. E permite, para além disso, reduzir significativamente o custo por amostra.

O novo equipamento NextSeq 550 está sediado na Unidade de Tecnologia e Inovação do Departamento de Genética Humana, em Lisboa, e encontra-se apto a prestar serviços no âmbito das atividades de investigação, vigilância e diagnóstico dos vários departamentos técnico-científicos do Instituto Ricardo Jorge, podendo também, no futuro, prestar serviços para entidades externas.

A sequenciação de nova geração é uma tecnologia de ponta que possibilita, por exemplo, complementar ou substituir as tradicionais metodologias nas áreas da microbiologia clínica ou no diagnóstico clínico de doenças genéticas.

Equipamento facilita caracterização de microorganismos

Entre as principais aplicações da tecnologia nos laboratórios de microbiologia clínica estão, por exemplo, o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico através da identificação de sequências genómicas específicas.

Aqui junta-se a caracterização genómica detalhada do microrganismos infeciosos e a tipagem molecular de estirpes isoladas no âmbito de surtos hospitalares ou na comunidade, permitindo a identificação de cadeias de transmissão e de fontes de contaminação.

No âmbito da genética humana, as principais aplicações incluem a sequenciação do exoma, a sequenciação de painéis de genes associados a uma patologia e o diagnóstico pré-natal não invasivo.

Instituto Ricardo Jorge integrado em projeto europeu

O Instituto Ricardo Jorge está atualmente a participar, enquanto instituição responsável pelas atividades laboratoriais de sequenciação de nova geração, num projeto europeu de grande dimensão que visa estabelecer esta tecnologia como ferramenta de vigilância e investigação epidemiológica de agentes patogénicos transmitidos por alimentos.

A nível nacional, o caso mais recente do uso desta nova tecnologia aconteceu com a caracterização da estirpe responsável pelo surto da Doença dos Legionários que ocorreu em 2014 em Vila Franca de Xira, tendo possibilitado também a identificação da potencial fonte de contaminação.

Iliteracia em saúde impede a prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares

Por País

O que é que a iliteracia tem a ver com a saúde cardiovascular? Tudo, refere um novo estudo, que confirma que a falta desta é uma barreira que impede os doentes de beneficiarem dos tratamentos mais eficazes para o enfarte, insuficiência cardíaca ou AVC.

Publicado na revista Circulation, o estudo, que se socorreu de análise realizadas entre 2004 e 2016, mostra que mais de metade das pessoas com iliteracia na área da saúde não reconhecem que os valores de pressão arterial de 160/100 mmHg são elevados, tornando menos provável que a mantenham controlada. 

Mas há mais: são também mais propensas a depender da nicotina e têm três vezes mais probabilidade de recaída após passagem por um programa de cessação tabágica. Para os que sofrem com diabete, o risco de desenvolverem complicações associadas à doença, como a retinopatia diabética, é também superior.

São ainda 1,7 vezes menos propensos a usar um portal de saúde, uma tecnologia cada vez mais usada para comunicar com os doentes e uma ajuda importante na gestão das doenças e, quando são pais, têm duas vezes mais probabilidade de olhar para um filho com excesso de peso como tendo peso normal.

Iliteracia que pode custar caro à saúde

“As oportunidades de falhas na comunicação por parte dos profissionais de saúde que tratam as pessoas com fatores de risco para doenças cardíacas e AVC são elevadas”, afirma Jared W. Magnani, professor de medicina da Pittsburgh School of Medicine, na Pensilvânia, EUA.

“Muitos dos doentes não entendem os materiais escritos que recebem como parte dos cuidados de saúde ou não possuem capacidade para entender as informações quantitativas. Para além disso, os cuidados médicos usam uma quantidade considerável de terminologia especializada, que alguns chamam de jargão”, acrescenta.

“Um doente com conhecimento limitado em saúde pode não entender que um teste de stress descrito como ‘positivo’ não é um bom resultado. Ou instruímos os doentes a evitar o sódio, quando eles não sabem como identificar e quantificar a ingestão de sódio ou até mesmo como interpretar os rótulos nutricionais.”

Falta de literacia elevada em Portugal

Não se trata aqui de saber ou não ler, mas literacia em saúde engloba a capacidade de uma pessoa fazer perguntas sobre os seus cuidados e tratamentos, compreender documentos com terminologia médica, realizar a aritmética básica necessária para tomar a medicação corretamente e negociar com provedores de saúde e seguradoras. A incapacidade de fazer estas coisas de forma eficaz tem consequências, que podem ser graves para a saúde.

Em Portugal, de acordo com os dados do relatório “Literacia em Saúde em Portugal” (2016), desenvolvido pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia/IUL (2013-15) com o objetivo de fazer uma avaliação sistematizada da literacia em saúde na sociedade portuguesa, 11% da população apresenta um nível de literacia “inadequado”
e cerca de 38% “problemático”.

Metade (50%) dos portugueses têm um nível de literacia “excelente” ou “suficiente”, mas a percentagem no nível “excelente” é apenas de 8,6%.

 

Ver também: Saúde cardiovascular à mesa: mitos, conselhos e sugestões

Internistas responsáveis por 23% de todos os doentes saídos dos hospitais do SNS

Por País

Em 2017, os internistas foram responsáveis, só nos hospitais do SNS, pela realização de cerca de 587 mil consultas e pelo atendimento da grande maioria das quatro milhões e 600 mil admissões nas urgências gerais dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Números apresentados no congresso que reúne estes especialistas.

Portugal tem mais de 2.600 internistas inscritos na Ordem dos Médicos, mais de 1.700 dos quais apenas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O que significa que 8,6% da totalidade dos médicos nestes hospitais são internistas, que dão resposta a milhares de doentes e de consultas: em 2017, saíram dos serviços de Medicina dos hospitais do SNS 188.307 doentes, o que representa mais de 42% dos internamentos médicos (440.188) e 23% de todos os doentes saídos dos hospitais do SNS (802.129).

Estes e outros números foram apresentados esta sexta-feira (1 de junho) na Sessão Solene de Abertura do 24º Congresso Nacional de Medicina Interna, que decorre até ao próximo domingo (dia 3), no Centro de Congressos do Algarve, nos Salgados, por Luís Campos, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que cessa agora as suas funções.

O especialista tomou a palavra para mostrar, com recurso aos números, porque é que a Medicina Interna é uma “especialidade nuclear para o sistema de saúde” nacional.

“Em 2017 realizamos, só nos hospitais do SNS, cerca de 587 mil consultas (586.781) e fomos responsáveis pelo atendimento da grande maioria das quatro milhões e 600 mil admissões nas urgências gerais dos hospitais do SNS.”

A estes dados, que confirmam o peso e importância do papel dos internistas, juntam-se vários outros números. “Os serviços de Medicina, nos últimos 10 anos, têm tido uma taxa de ocupação média entre os 102 e os 130%, enquanto a taxa de ocupação média nos hospitais situa-se entre os 80 e os 85%.”

“Os serviços de Medicina Interna foram responsáveis, em 2017, por 85% dos internamentos por pneumonia, 81% dos internamentos por insuficiência cardíaca, 70% dos internamentos por acidente vascular cerebral, 80% dos internamentos por DPOC e 82% dos internamentos por lupus”, apontou Luís Campos, que acredita “que o sistema de saúde e os doentes precisam cada vez mais da Medicina Interna”.

Uma afirmação que justifica socorrendo-se, uma vez mais, de números, que falam bem alto. “A evolução demográfica, particularmente o aumento da esperança de vida, faz com que atualmente tenhamos dois milhões de idosos e que, em 2050, se preveja que tenhamos três milhões e meio. Isto vai fazer aumentar o número de doentes crónicos e particularmente o número de doentes com multimorbilidades.”

Uma ‘peça’ indispensável no SNS

O crescimento do conhecimento é, segundo Luís Campos, outro fator que confirma a necessidade dos internistas e das suas consultas. “Estima-se que o conhecimento em geral duplique a cada treze meses. Isto origina uma fragmentação das especialidades, uma hiperespecialização, gente que sabe cada vez mais sobre cada vez menos. Isto é inexorável, mas os doentes andam ao contrário e precisam que tomem conta deles de uma forma global.”

Finalmente, Luís Campos chamou a atenção para uma “ameaça à sustentabilidade do sistema induzida pela introdução da inovação, particularmente por medicamentos que são cada vez mais caros. A necessidade de maior racionalidade, de escolhas custo-efectivas e o combate ao desperdício vão ser cada vez mais uma prioridade”.

Porque os internistas em Portugal “mantiveram uma capacidade holística, cada vez mais inestimável, são flexíveis, multipotenciais e eficientes e estão preparados para liderar novas modelos de prestação de cuidados mais adaptados aos doentes”, serão eles os protagonistas preferenciais de uma mudança que urge operar.

Uma mudança que, segundo Luís Campos, passa pela “criação de departamentos de medicina geridos por internistas, implementação de unidades diferenciadas, como unidades de AVC, de insuficiência cardíaca, de cuidados intermédios, de geriatria, de doenças autoimunes e outras; de modelos de cogestão dos doentes cirúrgicos, de alternativas aos internamentos, como a hospitalização domiciliária, unidades de diagnóstico rápido e uma melhor utilização dos hospitais de dia”.

Passa ainda por “programas de integração entre os diferentes níveis de cuidados, que garantam a continuidade de cuidados e retirem os doentes crónicos das urgências” e passa ainda por “novos modelos de resposta aos doentes agudos e pela implementação dos cuidados paliativos”.

Os números apresentados são da Administração Central do Sistema de Saúde, tendo sido trabalhados pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Nove casos por dia encaminhados para a Via Verde do AVC

Por País

Foram, em 2017, 3.138 os casos de acidente vascular cerebral (AVC) encaminhados para a Via Verde do AVC, uma média de nove casos por dia. E os distritos de Lisboa e Porto foram os que registaram o maior número destes encaminhamentos.

Olhando para os números dos hospitais, os dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), revelam que o Centro Hospitalar Lisboa Central – Hospital de São José (294) e o Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria (260) em Lisboa, Hospital de Braga (250), Hospital de São João (233), no Porto, e o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa – Hospital Padre Américo, em Penafiel (189) foram os que receberam o maior número de casos encaminhados pela Via Verde.

AVC, a principal causa de morbilidade

Uma das principais causas de morte em Portugal, o AVC mantém-se como a principal causa de morbilidade e de potenciais anos de vida perdidos no conjunto das doenças cardiovasculares, sendo aqui essenciais as primeiras horas após o início dos sintomas. Esta é, de resto, a janela temporal que garante a eficácia dos principais tratamentos.

É por isso que o INEM aconselha os cidadãos a ligarem 112 sempre que alguma vítima de doença súbita apresente os sinais e sintomas do AVC, de modo a reduzir o número de doentes com esta patologia que recorrem aos hospitais pelos seus próprios meios, situação que, na maior parte dos casos, atrasa o início do tratamento da doença, reduzindo a sua eficácia.

Desde que a Via Verde do AVC foi criada, em 2006, mais de 31 mil doentes puderam beneficiar de um melhor tratamento.

Quatro anos após o AVC, 30% dos sobreviventes ainda têm restrições

Por País

A diminuição do número de mortes por AVC, que se tem assistido nos últimos anos, fez-se acompanhar por um aumento do número de sobreviventes, obrigados a lidar, no dia-a-dia, com “dificuldades persistentes na execução das suas tarefas”. E, quatro anos após um AVC agudo, mais de 30% dos sobreviventes continuam a manifestar restrições, um problema que exige cada vez mais uma aposta na reabilitação.

Maria Teresa Cardoso, coordenadora do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, defende que a reabilitação é cada vez mais “uma parte essencial do continuum de cuidados ao doente após o acidente vascular cerebral, desde a fase aguda, no hospital, prolongando-se vários meses até à reintegração na comunidade”.

Até porque “mais de 2/3 dos sobreviventes de AVC necessitam de reabilitação após hospitalização”, acrescenta a especialista, assistente sénior de Medicina Interna no Centro Hospitalar de S. João, no Porto. Mas o fim da reabilitação, “geralmente três a quatro meses após o AVC, não deve significar o fim de todo um processo de recuperação”, reforça.

“Não podemos esquecer que a apatia está presente em 50% dos sobreviventes do AVC ao fim de um ano e que a fadiga é um sintoma comum e debilitante, assim como a depressão e a inatividade física.”

A reabilitação assume um papel cada vez mais relevante, sendo grande o trabalho a fazer “em vários domínios, incluindo integração social, qualidade de vida, manutenção de atividade, autoeficácia (acreditar na sua própria capacidade)”.

E mesmo depois da fase aguda e subaguda do AVC, “há evidência crescente de melhoria significativa. A reabilitação numa fase mais tardia pós AVC com intervenções multimodais a nível de perceção de recuperação, equilíbrio, marcha, cognição permitem melhorar o prognóstico.”

Algo que é válido também para a fala, apesar de, durante muitos anos, se considerar impossível melhorar a comunicação verbal em doentes com afasia (distúrbio de comunicação) crónica após AVC. “Estudos recentes demonstraram eficácia de terapia intensiva da fala (mais de 10 horas semanais durante três semanas), com efeitos permanentes”, salienta Maria Teresa Cardoso.

Reativar funções perdidas após o ACV

A considerar também que “a reabilitação cognitiva com o objetivo de reativar funções perdidas e de ensino de estratégias compensatórias é alvo de atenção crescente e não deve ser descurada. Os problemas de memória são frequentes após o AVC, condicionando dificuldades na vida diária, havendo evidência recente que a participação do doente no seu autocontrolo, que inclui programas de educação e de treino, pode melhorar a qualidade de vida e a autoeficácia após AVC. O coaching em termos de saúde aplicado no sobrevivente do AVC parece prometedor no sentido de capacitar o indivíduo para a melhoria e para o controlo da sua recuperação através do acesso a uma ajuda e suporte personalizado”.

Portugal é o segundo no mundo com mais órgãos de dadores falecidos

Por País

Portugal foi, no ano passado, o segundo país do mundo com mais órgãos de dadores falecidos, numa lista de 50 nações, depois de ter sido terceiro em 2016, revelam os dados apresentados no simpósio internacional de transplantação e doação de órgãos, organizado pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), que decorre em Lisboa.

Ao todo, segundo os dados do relatório da Coordenação Nacional da Transplantação sobre a atividade de doação e transplantação de órgãos, em 2017 foram colhidos 1.011 órgãos e realizados 895 transplantes. Números que confirmam um aumento de 3,5% face ao ano anterior (864), tendo-se assistido também ao aumento do número de dadores: 351 em 2017, mais 14 do que no ano anterior.

A maioria dos dadores, que eram oriundos do sul do País, estava em morte cerebral (330), 79 eram dadores vivos, 21 encontravam-se em paragem cardiocirculatória e 10 eram dadores sequenciais. A principal causa de morte dos dadores foi clínica (80%), seguindo-se a traumática (20%).

No que diz respeito aos órgãos, a subida foi, aqui, de 8% em relação ao ano anterior, registando-se a colheita de 1.011 em 2017. A idade média do dador foi de 53,8 anos, tendo-se registado 77 doações de rins e duas de fígado em dador vivo.