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Estes dispositivos podem monitorizar a sua respiração

medir a respiração

A mesma tecnologia sem fios que localiza um item num armazém também pode monitorizar a sua respiração. Investigadores da Universidade de Tecnologia de Chalmers, do Hospital Universitário Sahlgrenska e da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, apresentam um método completamente novo para medir os movimentos respiratórios em doentes com função pulmonar comprometida. Utilizando pequenas etiquetas adesivas, a respiração pode ser analisada ao pormenor, sem qualquer contacto, no hospital ou em casa.

Para doentes com doenças pulmonares ou que foram submetidos a cirurgia, é essencial poder medir a função respiratória com precisão e fiabilidade. As técnicas de imagem como radiografias e tomografias computorizadas convencionais são geralmente utilizadas atualmente, e os exames são realizados com equipamento avançado em ambiente hospitalar. Além da disponibilidade limitada e da tecnologia dispendiosa, os doentes também estão expostos à radiação.

Para possibilitar medições avançadas e precisas de forma mais simples e económica, uma equipa de investigação liderada por Chalmers testou um método completamente novo de análise da função respiratória. Num artigo científico recentemente publicado, os investigadores demonstram que a tecnologia de radiofrequência (RFID), que já é amplamente utilizada em diversos setores, desde as comunicações móveis ao rastreamento de mercadorias, pode ser utilizada para a medição avançada da função respiratória e dos movimentos da respiração.

“Para testar a ideia, utilizámos equipamentos comerciais existentes num teste de prova de conceito. Estamos muito satisfeitos com estes resultados promissores, que mostram que a tecnologia tem potencial para uma monitorização avançada na área da saúde”, afirma Xuezhi Zeng, professora associada e investigadora do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Tecnologia de Chalmers.

Etiquetas adesivas registam a respiração

Os testes foram realizados no centro de simulação do Hospital Universitário Sahlgrenska, onde um manequim controlado por computador foi equipado com quatro etiquetas adesivas, etiquetas RFID, posicionadas em diferentes pontos da parede torácica. Utilizando ondas de rádio emitidas por um dispositivo portátil, um leitor, os movimentos das etiquetas podiam ser registados e apresentados em gráficos num monitor.

Na maioria dos testes, foi possível detetar até pequenas diferenças nos movimentos da respiração nos vários pontos de medição. Os resultados forneceram, portanto, um retrato detalhado da função respiratória.

“Existe uma grande necessidade no setor da saúde de métodos de medição flexíveis, fiáveis ​​e com uma boa relação custo-benefício. Este é um passo importante para proporcionar uma reabilitação personalizada a doentes que estão a recuperar de cirurgias ou que vivem com doenças pulmonares crónicas, por exemplo”, afirma Gunilla Kjellby Wendt, Chefe de Terapia Ocupacional e Fisioterapia no Hospital Universitário Sahlgrenska e Professora Adjunta da Chalmers.

Os investigadores acreditam que a tecnologia RFID facilitaria a realização dos exames, uma vez que o equipamento é portátil e pode ser utilizado tanto em ambientes de saúde como em casa.

As pequenas etiquetas equipadas com chips, cada uma com um ID único, obtêm a energia necessária do leitor. Isto significa que operam de forma totalmente sem contacto e sem necessidade de baterias ou cabos.

Esperança de ensaios clínicos em cinco anos

O próximo passo para os investigadores é desenvolver o seu próprio protótipo, no qual o processamento do sinal, o design do sistema e as funções de análise são adaptados para garantir que o equipamento e o método são suficientemente robustos para ensaios clínicos.

“Levará alguns anos, mas espero que o nosso protótipo possa ser testado em pacientes dentro de cinco anos”, diz Xuezhi Zeng.

A longo prazo, os investigadores esperam que o método permita testar mais pessoas com problemas de respiração numa gama mais ampla de ambientes de cuidados. A expectativa é também poder monitorizar pessoas com problemas de respiração e função pulmonar comprometida durante um período prolongado nas suas próprias casas, para que qualquer deterioração possa ser detetada e tratada mais rapidamente.

“Isto pode ter um impacto significativo na forma como monitorizamos e tratamos os doentes com função pulmonar comprometida, principalmente porque serão prestados cada vez mais cuidados nas casas dos doentes”, afirma Monika Fagevik Olsén, coautora do estudo e professora de Fisioterapia na Universidade de Gotemburgo.

Crédito imagem: Chalmers University of Technology | Mia Halleröd Palmgren

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