ar exalado

Detetar o cancro através do ar expirado pelo doente

Por Cancro

O ar expirado contém informações que podem ajudar no diagnóstico de doenças. Investigadores do Fraunhofer Project Hub for Microelectronic and Optical Systems for Biomedicine estão agora a desenvolver soluções para permitir a análise do ar respirado para este fim. Embora o seu trabalho se concentre na deteção precoce do cancro, o mesmo princípio pode também ser aplicado para distinguir entre COVID-19 e outras doenças respiratórias.

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asma grave por controlar

“Grande parte dos doentes com asma grave não tem doença controlada”

Por Marque na Agenda

Serão cerca de 35 mil os portugueses que sofrem com asma grave. Pessoas que vivem todos os dias com o receio dos sintomas, receio de sair, de não poder fazer desporto, de não poder rir… Porque, como explica João Fonseca, imunoalergologista e investigador do CINTESIS, “a influência que a asma grave tem no dia-a-dia do doente é totalmente diferente da asma ligeira ou moderada”. Mais ainda ao ter em conta “que grande parte dos doentes com asma grave não tem a doença controlada”.

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FPI, doença respiratória

FPI, a doença com uma sobrevivência média que não vai além dos cinco anos

Por Bem-estar

António Morais, médico pneumologista, não tem dúvidas: “vale a pena investir num diagnóstico precoce da Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI)”. Uma doença que continua a ser desafiante a este nível, não só para os doentes, que não costumam associar os principais sintomas a este problema de saúde, por serem semelhantes a tantos outros, mas também para os médicos.

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença rara. Tão rara que, na Europa, se contam apenas cerca de 4.6 novos casos por cada 100.000 habitantes.

Com uma sobrevivência mediana de três a cinco anos, caracteriza-se por sintomas muitas vezes desvalorizados e atribuídos a outras causas, mesmo quando persistentes. “Um dos principais sintomas da FPI é a dispneia de esforço, ou seja, o cansaço”, explica António Morais.

“Esta é uma doença característica do idoso, muito mais frequente a partir dos 60 anos. Ora quando se sente cansaço, o idoso atribui este sinal a uma perda de performance que é natural ocorrer com a idade.”

Um problema global que é preciso resolver, confirma o médico. E isto porque “há terapêuticas capazes de atrasar a evolução da doença. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais lenta será a progressão da FPI e maior qualidade de vida vão ter os doentes”.

É preciso sensibilizar os médicos 

É quando o cansaço se torna mais frequente que gera receio de algo mais grave e motiva uma consulta médica. “A FPI é uma doença rara e, por isso, não é – e nem tem de ser – a primeira doença em que o médico pensa.”

Ainda assim, o médico confirma que se procura sensibilizar os profissionais, “sobretudo os dos cuidados de saúde primários, que são aqueles aos quais o doente recorre primeiro, para não pararem de procurar quando não encontram razão que justifique os sintomas. O médico pode e deve pensar na FPI se o doente é idoso, se tem dispneia de esforço lentamente progressiva e/ou crepitações inspiratórias nas regiões inferiores do tórax, com som semelhante ao do velcro”.

Apesar de não ter cura, a doença tem tratamento. E há esperança de que o arsenal terapêutico possa vir a crescer, uma vez que, segundo António Morais, “há um grande interesse da indústria farmacêutica por esta doença e vários ensaios clínicos a decorrer”.

detetar o cancro através da respiração

Detetar o cancro através da respiração? Os cientistas acreditam ser possível

Por Cancro

Os sinais que alertam para o cancro podem ser vagos e, pelo menos por enquanto, não existe um teste simples capaz de identificar a doença. Algo que pode vir a mudar em breve, se a investigação financiada pelo Cancer Research do Reino Unido chegar a bom porto. E bastará apenas a respiração para o conseguir.

Dirigida por Rebecca Fitzgerald, o que se pretende é estudar a possibilidade de identificar diferentes tipos de cancro. E isto através de um “dispositivo que deteta as moléculas voláteis da respiração, capaz de identificar doentes que podem ter um cancro em fase precoce que não sabem”.

“Precisamos urgentemente de desenvolver novas ferramentas, como este teste de respiração, que poderia ajudar a detetar e diagnosticar o cancro mais cedo, dando aos doentes a melhor possibilidade de sobreviverem à doença.”

O ensaio, realizado em colaboração com a empresa Owlstone Medical, está a decorrer. E, até 2021, Fitzgerald e a sua equipa pretendem recolher e analisar a respiração de 1.500 pessoas, em busca de padrões ou “assinaturas”, presentes nas moléculas do hálito de quem é saudável ​​ou se suspeita sofrer de cancro do esófago, estômago, próstata, rim, bexiga, fígado ou pâncreas.

“Este é um estudo piloto. Por isso, estamos primeiro a olhar para uma série de tumores, para ver se conseguimos um sinal, e depois comparamos esse sinal com os indivíduos saudáveis”, refere a investigadora.

Se a tecnologia que se encontram a usar conseguir distinguir as assinaturas de cancro e as saudáveis, a equipa verá em seguida se existem diferenças entre os tipos de tumores ou se há apenas uma “assinatura de cancro”.

Esperança de resultados em breve

Para além de poder ser usado entre as pessoas com um maior risco de cancro, este teste de respiração pode ir mais longe, tendo o potencial de ser usado na população em geral como uma ferramenta de triagem, capaz de identificar o cancro em fases precoces, mesmo quando ainda não existem sintomas.

Para já, o maior desafio dos investigadores é obter doentes suficientes para toda a variedade de cancros que pretendem investigar. Mas Fitzgerald e a sua equipa estão confiantes que a natureza simples e não invasiva do teste seja capaz de conquistar o interesse dos voluntários.

“Tudo o que precisamos dos nossos participantes é de cerca de 10 minutos de respiração”, refere a especialista. E se conseguirem reunir os dados necessários, não tem dúvidas que estes podem dar origem “a um teste de respiração para detetar o cancro mais próximo dos doentes e dos seus médicos”.

teste para infeções virais

Teste rápido para infeções virais pode poupar aos hospitais 2.500€ por doente

Por Investigação & Inovação

Um teste rápido e fácil, capaz de detetar infeções virais e que pode reduzir o uso desnecessário de antibióticos e internamentos hospitalares foi apresentado no Congresso Internacional da Sociedade Europeia Respiratória. 

O teste, que consegue um resultado em apenas 50 minutos, pode gerar poupanças para os hospitais de cerca de 2.500 euros por doente não hospitalizado, ajudando a aliviar da falta de camas e a reduzir o desenvolvimento de resistência aos antibióticos.

Kay Roy, consultor de medicina respiratória e clínica geral do Hospital Hertfordshire NHS Trust, em Watford, e professor honorário da Universidade de Hertfordshire, em Hatfield (Reino Unido), considera que “os resultados iniciais nos primeiros 1.075 doentes revelam o potencial deste teste. Identificamos 121 doentes que apresentavam infeções virais, não apresentavam evidências de infeção bacteriana, apresentavam radiografia ao tórax normal e apenas modestos indicadores de inflamação”.

De acordo com o especialista, “foi possível evitar o internamento hospitalar em 25% dos casos e a administração de antibióticos desnecessários em 50%. Nenhum dos 30 doentes que evitaram internamento e que não receberam antibióticos tiveram desfechos clínicos adversos, o que é reconfortante”, acrescenta.

Tecnologia mais próxima do doente

O teste viral respiratório (POCT) foi lançado no Watford General Hospital (Reino Unido) a 15 de janeiro de 2018. É rápido e simples de executar, envolvendo a inserção de um cotonete na narina do paciente para recolha de amostra de secreções (1 minuto).

A amostra é depois preparada e inserida numa máquina compacta, a FilmArray® (3-5 minutos), que a analisa e gera um resultado em 43 minutos.

“Todo o processo, desde a obtenção de uma amostra do nariz do doente ao resultado demora menos de 50 minutos, o que tem um impacto potencialmente enorme na qualidade do atendimento, permitindo a tomada precoce de decisões informadas sobre a gestão do doente”, refere Kay Roy.

“Este é o mesmo teste e tecnologia usados ​​no nosso laboratório de microbiologia, mas trouxemos o equipamento para junto do doente. Os resultados das amostras enviadas para o laboratório de microbiologia podem levar mais de dois dias.”

Menos camas ocupadas

Os dados, apresentados no congresso europeu, revelam que, dos doentes testados, 61% tinham um ou mais vírus (56% eram influenza e 54% outros).

Em 387 doentes, os resultados dos testes foram combinados com outros fatores clínicos importantes, como os resultados radiológicos do tórax e a falta de evidência de infeção bacteriana. Destes, foram identificados 121 potencialmente adequados para evitar hospitalização e antibióticos.

“Descobrimos que, quando os doentes realizaram o teste viral respiratório logo após o internamento, melhorava o fluxo de camas, o que é extremamente importante no inverno, sobretudo durante uma epidemia de gripe.”

Poupança de 2.500 euros por doente

O custo do POCT é compensado evitando, por exemplo, o custo dos testes laboratoriais de microbiologia e o custo de internamento dos doentes nos hospitais. “As conclusões apontam claramente para uma poupança líquida de custos. Cada admissão respiratória pode custar cerca de 2.500 euros. Poderíamos ter uma poupança significativa para os serviços nacionais de saúde, evitando admissões desnecessárias em doentes que têm que ser admitidos e tratados com antibióticos, enquanto esperam até dois dias pelos resultados do laboratório”, reforça o médico.