Mulheres com 30 e 40 anos e com síndrome dos ovários poliquísticos, um problema comum que afeta o funcionamento dos ovários, têm maior probabilidade de contrair doenças cardíacas, conclui um estudo publicado no European Journal of Preventive Cardiology, um jornal da Sociedade Europeia de Cardiologia.

“A síndrome dos ovários poliquísticos não é uma sentença de prisão perpétua, há muitas formas de manter o coração saudável”, refere a autora do estudo, Clare Oliver-Williams, da Universidade de Cambridge, Reino Unido. “Pequenas mudanças vão-se somando, como comer mais frutas e vegetais e fazer mais exercício.”

Estima-se que 6 a 20% das mulheres em idade reprodutiva tenham este problema, que se caracteriza pela existência de múltiplos quistos (sacos cheios de líquido) nos ovários, períodos irregulares, excesso de pelo no corpo ou queda de cabelo devido a níveis elevados de hormonas masculinas e ainda dificuldade em engravidar.

As mulheres com este problema têm maior risco de excesso de peso ou obesidade, diabetes e pressão alta – todos os fatores de risco para doenças cardíacas e AVC.

O que as mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos podem fazer

Este estudo quis saber se o perfil de risco se traduzia numa maior probabilidade de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e, pela primeira vez, se se mantém ao longo da vida.

Clare Oliver-Williams explica que “alguns sintomas estão presentes apenas durante os anos reprodutivos, sendo possível que a probabilidade aumentada de doença cardíaca desapareça mais tarde na vida”.

O estudo incluiu 60.574 mulheres em tratamento para engravidar, como fertilização in vitro (FIV), de 1994 a 2015. Dessas, 6.149 (10,2%) tinham ovários poliquísticos.

Os investigadores usaram registos médicos para acompanhar as mulheres ao longo de nove anos, período durante o qual 2.925 (4,8%) desenvolveram doença cardiovascular.

Em geral, as mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos apresentaram um risco 19% maior de desenvolver doenças cardiovasculares do que as mulheres que não tinham este problema.

Quando divididas em grupos etários, as mulheres de 50 anos ou mais com ovários poliquísticos não apresentaram maior risco de desenvolver doença cardiovascular em comparação com aquelas sem o problema. Já as mulheres na faixa dos 30 e 40 anos com síndrome dos ovários poliquísticos tinham maior risco de doença cardiovascular, sendo menos clara a evidência naquelas com menos de 30 anos.

“A saúde do coração parece ser um problema específico para mulheres jovens com síndrome dos ovários poliquísticos. Isso pode ter a ver com a probabilidade de terem peso a mais e a pressão alta e diabetes em comparação com os seus pares”, refere a especialista.

“Estudos anteriores sugeriram que essas diferenças diminuem com a idade. Por outras palavras, à medida que as mulheres sem síndrome dos ovários poliquísticos ficam mais velhas, aumenta o excesso de peso e desenvolvem pressão alta e diabetes, alcançando aquelas que têm este problema.”

“O síndrome dos ovários poliquísticos pode ser angustiante. Não apenas porque afeta a fertilidade, mas porque os seus efeitos físicos podem causar ansiedade e depressão”, refere a investigadora.

“Conhecimento é poder e estar ciente dos riscos cardíacos significa que as mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos podem fazer algo”, acrescenta, como “perder peso, fazer mais exercício e ter uma dieta mais saudável”.