As mulheres com 50 ou menos anos, vítimas de um ataque cardíaco, têm mais probabilidade do que os homens de morrer nos 11 anos seguintes, revela um novo estudo publicado no European Heart Journal.

O estudo descobriu que, em comparação com os homens, as mulheres apresentam menor probabilidade de se submeterem a procedimentos terapêuticos invasivos após a admissão ao hospital na sequência de um ataque cardíaco ou de serem tratadas com certas terapêuticas médicas quando lhes é dada alta.

Os investigadores, liderados por Ron Blankstein, professor de medicina da Harvard Medical School e cardiologista preventivo do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, nos EUA, não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre homens e mulheres no que diz respeito ao número de mortes no hospital ou de mortes relacionadas com problemas de coração durante uma média de mais de 11 anos de acompanhamento. Mas verificaram que as mulheres apresentaram um risco 1,6 vezes maior de morrer por outras causas durante o referido período.

“É importante observar que, em geral, a maioria dos ataques cardíacos em pessoas com menos de 50 anos ocorre nos homens”, refere Ron Blankstein.

“Apenas 19% das pessoas neste estudo eram mulheres. No entanto, as mulheres que sofrem um ataque cardíaco numa idade jovem apresentam, geralmente, sintomas semelhantes aos dos homens, são mais propensas a ter diabetes, têm um estatuto socioeconómico mais baixo e, em última análise, têm maior probabilidade de morrer a longo prazo”, acrescenta.

Mais mortes entre mulheres com ataque cardíaco

Os investigadores avaliaram 404 mulheres e 1.693 homens, que tiveram um primeiro ataque cardíaco (enfarte do miocárdio) entre 2000 e 2016 e foram tratados no Hospital Brigham and Women e no Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Durante o enfarte do miocárdio, o fornecimento de sangue ao coração é repentinamente bloqueado, normalmente por um coágulo, e a falta de sangue pode causar lesões graves no músculo cardíaco.

A média de idade foi de 45 anos e o sintoma mais comum para ambos os sexos foi a dor no peito, que ocorreu em quase 90% dos doentes, com as mulheres a apresentarem uma maior probabilidade de desenvolver outros sintomas, como dificuldade a respirar, palpitações e fadiga.

De acordo com o especialista, “nos doentes que sobreviveram à alta hospitalar, não houve diferença significativa nas mortes por problemas cardiovasculares entre homens e mulheres. As mortes cardiovasculares ocorreram em 73 homens e 21 mulheres, 4,4% contra 5,3% respetivamente, ao longo de um tempo médio de acompanhamento de 11,2 anos”.

No entanto, “ao excluir as mortes ocorridas no hospital, houve 157 mortes em homens e 54 mortes em mulheres por todas as causas durante o período de acompanhamento: 9,5% versus 13,5% respetivamente, o que é uma diferença significativa, e uma proporção maior de mulheres morreu de outras causas que não problemas cardiovasculares, 8,4% contra 5,4% (30 mulheres e 68 homens). Depois de ajustar os fatores que podem afetar os resultados, isso representa um risco 1,6 vezes maior de morte por qualquer causa nas mulheres”.

Fatores de risco com mais impacto nelas

O estudo é o primeiro a examinar os resultados após um ataque cardíaco em homens e mulheres jovens durante um longo período de acompanhamento.

Mostra que, mesmo depois de ajustar as diferenças nos fatores de risco e tratamentos, as mulheres têm maior probabilidade de morrer por qualquer causa a longo prazo.

Os investigadores não sabem bem porquê. Apesar de não encontrarem nenhuma diferença significativa no número geral de fatores de risco, perguntam-se agora se alguns destes fatores, como tabagismo, diabetes e fatores de risco psicossociais, podem ter efeitos adversos mais fortes nas mulheres do que nos homens.

São necessários, referem, mais estudos para avaliar os fatores de risco específicos de cada sexo, que podem ser responsáveis ​​pelo maior risco para as mulheres neste grupo.