As lesões resultantes de acidentes rodoviários tornaram-se mais frequentes, mas menos fatais, nas últimas três décadas, revelam os dados do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde. A exceção vai para cinco países: República Centro-Africana, Jamaica, Somália, Suazilândia e Emirados Árabes Unidos.

A incapacidade associada a lesões na estrada resulta de vários fatores: fraturas nos membros inferiores, lesão cerebral traumática, feridas abertas, amputações e lesões musculares e de tendões. Condições que geralmente requerem tratamento médico para prevenir a incapacidade a longo prazo, que nem sempre está disponível em alguns países.

“Muitos fatores afetam o risco de lesões na estrada, incluindo a segurança e engenharia de veículos e das estradas; a aplicação das leis sobre velocidade, cinto de segurança e álcool; e o acesso a assistência médica”, explica Spencer James, autor sénior do estudo e investigador do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.

“É encorajador encontrar melhorias em todo o mundo na mortalidade por lesões nas estradas nas últimas três décadas, embora ainda haja um considerável progresso a ser feito, uma vez que as lesões devem ser consideradas evitáveis.”

Mais lesões nos homens

Em 2017, 54 milhões de pessoas em todo o mundo foram feridas na sequência de acidentes de viação, o que resultou em 1,2 milhões de mortes.

As regiões com as maiores taxas de incidência em 2017 foram a Europa Central, Australásia e Leste Europeu.

As lesões nas estradas tornam-se mais onerosas à medida que a economia dos países estabiliza, de acordo com Spencer James que, juntamente com os coautores do estudo, descobriu que os países com rendimentos médios tiveram os maiores aumentos na incidência entre 1990 e 2017.

Os homens com idades entre os 25 e 29 anos são os que mais se lesionam, com uma taxa de incidência global que é mais do dobro da verificada entre as mulheres da mesma faixa etária.

O ónus sobre os sistemas de saúde

Publicado na revista médica internacional BMJ Injury Prevention, o estudo integra o anual Global Burden of Disease, uma análise que fornece estimativas comparáveis ​​sobre a mortalidade e morbilidade associadas a ferimentos nas estradas em 195 países e territórios. 

“Embora hoje os indivíduos feridos em acidentes de viação tenham menos probabilidade de morrer, os seus ferimentos ainda podem resultar em incapacidade a curto e longo prazo”, refere o investigador.

“Isso coloca um ónus substancialmente maior nos indivíduos e sistemas de saúde, com aumentos especialmente dramáticos nos custos associados aos cuidados.”

Portugal em destaque

Globalmente, a taxa de incidência de acidentes de viação para todas as idades aumentou 15,7% entre 1990 e 2017.

Os maiores aumentos foram observados no Sri Lanka (143,3%), China (130,3%) e Ilhas Marshall (121,5%). Neste período, Portugal (-40,9%), Etiópia (-38,3%) e Coreia do Sul (-35,9%) destacam-se como as nações com os maiores declínios.

Em 2017, a probabilidade de morte por lesão na estrada foi maior no Haiti (15,6% dos feridos, ou cerca de um em cada sete), República Centro-Africana (10,4%), El Salvador (7,3%), Afeganistão (7,2%), e Guatemala (7,0%).

Para os homens entre 20 e 24 anos e ainda 25 e 29 anos, as taxas de incidência global foram o dobro das verificadas entre as mulheres.

Para estas, com idades entre os 20 e os 24 anos, a taxa foi de 585,8 novos casos de lesões na estrada por 100.000, contra 1.229,2 nos homens. Taxa que subiu, no caso das condutoras entre os 25 e os 29 anos, para os 660,5, contra 1.354,0 entre os homens.

Com 261.802 mortes em 2017, a China ficou em primeiro lugar, no mundo, em número total de mortes, mas em 48.º entre os 195 países em termos de taxa de mortalidade para todas as idades combinadas.