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Mudança da hora: a “hora extra” no relógio traduz apenas 33 minutos adicionais de sono

mudança da hora

No próximo dia 25 de outubro, Portugal regressa ao horário de inverno: a mudança da hora implica atrasar uma hora nos relógios. Embora esta mudança seja habitualmente associada à possibilidade de “dormir mais uma hora”, a Associação Portuguesa de Sono (APS) alerta que o organismo não ajusta automaticamente o seu relógio biológico quando alteramos os ponteiros.

Um estudo publicado no Journal of Sleep Research, que analisou dados de sono medidos por acelerometria de 11.780 participantes do UK Biobank, verificou que, no domingo da mudança da hora de outono, a duração média do sono foi apenas 33 minutos superior à do domingo anterior e 38 minutos superior à do domingo seguinte. Estes dados ajudam a desmontar uma ideia comum associada à mudança para o horário de inverno: atrasar o relógio uma hora não equivale automaticamente a ganhar 60 minutos de descanso.

Para Daniela Sá Ferreira, presidente da Direção da APS, esta mudança deve ser encarada como uma pequena alteração da rotina que merece alguma atenção. “O nosso relógio biológico não muda instantaneamente quando atrasamos o relógio. A exposição à luz, os horários a que dormimos, comemos e iniciamos as nossas atividades continuam a servir de referência para o organismo. Por isso, manter rotinas consistentes nos dias que antecedem e sucedem à mudança pode tornar esta adaptação mais simples.”

A American Academy of Sleep Medicine refere que os efeitos das transições de hora nos padrões de sono e vigília podem persistir durante cerca de cinco a sete dias, sobretudo em pessoas que já acumulam privação de sono, recomendando uma adaptação gradual dos horários nos dias anteriores à mudança.

Para a Associação Portuguesa de Sono, esta mudança é também uma oportunidade para reforçar a sua posição relativamente às alterações sazonais da hora. A APS defende o fim da mudança da hora duas vezes por ano e a manutenção permanente do horário padrão, correspondente ao atual horário de inverno, por ser o que permite uma maior proximidade entre a hora oficial e o ciclo natural de luz e escuridão.

“Mais do que discutir os efeitos de cada mudança da hora isoladamente, importa refletir sobre a necessidade de continuarmos a alterar os relógios duas vezes por ano. A posição da APS é favorável ao fim destas mudanças e à manutenção do horário padrão ao longo de todo o ano, por ser o que melhor se alinha com os nossos ritmos circadianos”, afirma Daniela Sá Ferreira.

Com esta campanha, a Associação Portuguesa de Sono pretende aproveitar a mudança da hora para reforçar uma mensagem mais ampla: o sono beneficia de regularidade e o relógio biológico precisa de sinais consistentes para funcionar de forma equilibrada. Porque mudar o relógio demora segundos. Ajustar o corpo pode demorar um pouco mais.

Crédito imagem: Unsplash

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