O bebé ainda não dorme e noite toda? Isso não é preocupante, garante estudo

bebé a dormir

O sono do bebé é uma das maiores dores de cabeça dos pais. E ainda que muitos já durmam uma noite inteira entre os seis meses e o ano de vida, não o fazer não significa problemas. A garantia é dada agora por um novo estudo.

Muitos são os pais, sobretudo os de primeira viagem, que esperam que o seu bebé comece a dormir a noite inteira por volta dos seis meses. De facto, isso pode acontecer, mas os autores de um estudo publicado na edição de dezembro de 2018 da revista científica Pediatrics confirmam que uma grande percentagem ​​não alcança esse marco nem mesmo com um ano.

A equipa, liderada pela McGill University, avaliou cerca de 400 crianças que não dormiam seis ou oito horas consecutivas, em busca de problemas de desenvolvimento psicomotor e mental, e não encontraram nenhuma associação. Não foi também encontrada relação entre bebés acordados à noite e o humor pós-natal das suas mães.

Mais de três em cada 10 bebés não dorme a noite toda

A avaliação, feita junto de crianças canadianas, verificou que, aos seis meses de idade, de acordo com relatos de mães, 38% das que apresentavam desenvolvimento de acordo com a norma ainda não dormiam pelo menos seis horas consecutivas durante a noite; mais de metade (57%) não dormia oito horas.

Aos doze meses, 28% ainda não dormiam seis horas seguidas à noite e 43% não dormiam oito horas.

A análise seguinte centrou-se sobre as diferenças entre os meninos e as meninas. E, aqui, os investigadores encontraram uma diferença: aos seis meses, havia uma percentagem ligeiramente superior de meninas a dormir  oito horas seguidas. (48% vs. 39%). 

Mais educação sobre o sono do bebé precisa-se

Dormir durante a noite toda entre os seis e os doze meses é geralmente considerado o ‘padrão de ouro’ nos países ocidentais. De facto, são muitos os pais que fazem o chamado ‘treino comportamental de sono’ junto do seu bebé, para encorajar os mais pequeninos a dormir.

Mas Marie-Hélène Pennestri, especialista do Departamento de Psicologia Educacional e de Aconselhamento da McGill University e da Clínica do Sono do Hospital de Saint-Riviere-des-Prairies, uma das principais autoras do estudo, espera que estes resultados possam aliviar algumas preocupações dos pais.

“As nossas descobertas sugerem que os pais podem beneficiar de mais educação sobre o normal desenvolvimento e ampla variabilidade nos ciclos de sono e vigília dos bebés, em vez de se concentrar apenas em métodos e intervenções.”

“A privação do sono materno é frequentemente invocada para justificar a introdução de intervenções comportamentais precoces, mas pode ser que as expectativas das mães de se manterem acordadas à noite, juntamente com o número total de horas que dormem ao longo do dia possam ser melhores preditores do bem-estar materno. É algo que deverá ser considerado em estudos futuros.”

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