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“Somos a única empresa que recorre a organismos marinhos para produzir medicamentos para o cancro do pulmão” 

Fundador da PharmaMar sobre cancro

“Até então não havia nenhum medicamento proveniente de organismos marinhos para o tratamento do cancro. Nós encontrámos uma oportunidade e fundámos a PharmaMar.” Palavras de José María Fernández, fundador e chairman da PharmaMar, em entrevista para o Notícias Saúde, durante a visita aos escritórios em Madrid, Espanha. Com um grande impacto do tabaco na saúde respiratória, foi necessário encontrar novos tratamentos, e o fundo do mar tornou-se uma opção viável para tal. Leia a entrevista.

O que diferencia a PharmaMar no setor farmacêutico?

A diferença está na nossa fonte, onde vamos buscar os candidatos a fármacos. Somos a única empresa que recorre a organismos marinhos para produzir medicamentos para o cancro do pulmão.

Porque decidiram avançar com a utilização de organismos marinhos?

A natureza já nos deu excelentes medicamentos, por exemplo, a penicilina, que surge a partir do fungo Penicillium, muitos antibióticos e até medicamentos muito interessantes para o cancro. Ainda assim, todos são provenientes de fontes terrestres, como plantas, raízes de plantas, bactérias, fungos, etc. Não havia nenhum medicamento proveniente de organismos marinhos para o tratamento do cancro. Por isso, a nossa empresa concentrou-se no desenvolvimento de medicamentos para o cancro do pulmão a partir de organismos marinhos, porque 80% das espécies vivas são marinhas e ninguém fez uma pesquisa sistemática. Encontrámos uma oportunidade e fundámos a PharmaMar. No próximo ano, completam-se 40 anos desde a nossa fundação e, de facto, temos sido bem-sucedidos. O dia mais importante para a nossa empresa foi quando o nosso primeiro medicamento proveniente de organismos marinhos foi aprovado a nível mundial.

Os produtos da PharmaMar já têm provas dadas. Que benefícios trazem para os doentes?

Alguns tumores não recebem um bom tratamento porque não há medicamentos que possam atacar o problema dessas células cancerígenas. No nosso caso, esse problema é a transcrição, que faz com que essas células se tornem cancerígenas, e o nosso medicamento atua nessa transcrição e bloqueia a divisão dessas células do sarcoma. Até o nosso medicamento ter sido aprovado, apenas existia um fármaco concorrente, com um elevado nível de toxicidade, já que afeta a transcrição não só das células cancerígenas, mas também das células “saudáveis”. O nosso medicamento é bastante específico para a transcrição ativa e acreditamos que essa é a razão pela qual o nosso medicamento é menos tóxico e muito ativo no cancro do pulmão de pequenas células.

Quais são os principais fatores de risco do cancro do pulmão?

Cerca de 80 a 85% dos casos de cancro do pulmão devem-se ao tabaco. Quando se fuma, produzem-se moléculas que entram na dupla hélice do ADN, intercalando-se e produzindo mutações, que geram cancro. O outro fator responsável pelo cancro do pulmão é o gás radão, que é produzido em zonas graníticas com isótopos de urânio, e outros elementos radioativos, compostos por gás radão. E é responsável por cerca de 40% dos casos de cancro do pulmão de pequenas células, principalmente em pessoas que não fumam. Ainda assim, a principal causa está sobretudo relacionada com os fumadores.

O que se deve fazer para prevenir esta doença?

Evitar fumar e ventilar a casa com mais frequência, caso viva numa zona com predominância de gás radão. Para isso, basta utilizar um aparelho para fazer a medição. Ainda assim, dizer “não” ao tabaco é a forma mais fácil.

Quais são os próximos passos da PharmaMar?

Atualmente, temos o fármaco lurbinectedina, que é o nosso terceiro medicamento registado, mas já existem três candidatos a medicamentos que produziram, na fase 1, mais respostas do que a lurbinectedina ou a trabectedina, por isso estamos otimistas em relação a estes medicamentos de segunda geração.

 

Crédito imagem: NS

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