De olhos postos na recuperação da atividade assistencial em Portugal, onde o impacto da pandemia se fez sentir a vários níveis – menos consultas, menos tratamentos, menos cirurgias e listas de espera a aumentar-, o grupo de estudos Anemia Working Group Portugal (AWGP) e várias sociedades científicas unem-se para alertar, numa Carta Aberta, para a necessidade da correta otimização dos doentes com anemia e deficiência de ferro.

Uma medida que se traduz não só numa melhor gestão de recursos, como uma forma de apoio à recuperação da atividade assistencial, mas também numa melhoria do desempenho dos serviços de saúde.  

A identificação e tratamento da anemia em contexto de cirurgia – parte integrante e essencial do programa de gestão do sangue do doente (PBM – Patient Blood Management) – permite uma redução em 51,2% das transfusões, em mais de 10% nos internamentos e em 37,2% nos reinternamentos. Nos custos é também verificada uma redução (mortalidade, internamento, consultas, etc.) de 6,3%, o que perfaz uma poupança de um valor estimado em cerca de 67,7 milhões de euros.

Reduz também o tempo de internamento após a cirurgia e a taxa de readmissões, permitindo uma permanência mais curta no hospital, com benefícios para o doente, que pode ir mais cedo para casa, para as unidades de saúde, que terão maior disponibilidade de camas de internamento e para ambos porque beneficiam da redução dos riscos associados ao internamento hospitalar.

Esta otimização garante um eficiente consumo de sangue, o que, por sua vez, leva a uma melhor gestão das reservas disponíveis, permitindo o agendamento melhorado das cirurgias necessárias, como tem um impacto positivo nos desfechos clínicos dos doentes que precisam de uma cirurgia, o que se traduz em menos complicações, menor necessidade de transfusões, menor morbilidade e, consequentemente, menor mortalidade.

Tendo em conta as múltiplas vantagens descritas, tanto para os sistemas de saúde como para o doente, o Anemia Working Group Portugal, Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Associação Portuguesa de Cirurgia Ambulatória, Associação Portuguesa de Imuno-Hemoterapia, Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, Sociedade Portuguesa de Cirurgia juntam-se nesta carta aberta para salientar a necessidade de agir no imediato.