O peso das mochilas é um dos dramas que enfrentam as crianças e adolescentes. Mais falado no início do ano letivo, faz-se sentir até ao fim das aulas, fruto da quantidade de cadernos e livros que, diariamente, é preciso levar para a escola. Um problema que deixa marcas que, segundo um novo estudo, são mais graves para as meninas.

“Depois de analisar as costas das crianças em idade escolar, descobrimos que o número de alterações na coluna vertebral é 45% maior nas meninas do que nos meninos”, explica María Espada, investigadora do Grupo de Investigação Psicossocial no Desporto, da Faculdade de Atividade Física e Ciências do Desporto da Universidade Politécnica de Madrid e um dos autores deste trabalho.

“O grupo de meninas apresentou maior angulação nas diferentes curvas da coluna vertebral e maior número de alterações nas inclinações vertebrais”, acrescenta.

Meninas carregam mais peso nas mochilas

O trabalho incluiu 219 crianças com idades entre os 12 e 15 anos e mostra também que o peso que os alunos carregam é superior ao limite estabelecido pelos especialistas.

“A maioria dos estudos sugere que o peso das mochilas não deve representar mais do que 10% do peso corporal, algo definido até como limite em países como a Áustria ou a Alemanha. Nessa mesma linha, há outros especialistas que afirmam que um peso de mochila superior a 10% da massa corporal do aluno implica em aumento do consumo de energia, aumenta a inclinação da coluna e reduz o volume pulmonar”, refere a especialista.

“No nosso trabalho, descobrimos que esses níveis foram excedidos em meninos e meninas. Assim, eles suportam um peso médio de 20,35% da massa corporal nas mochilas”, acrescenta.

Não só as meninas são mais castigadas, como as mochilas delas costumam ser mais pesadas. Contas feitas, estes estudo revela que o peso das mochilas delas é até 12% maior que o peso que eles carregam, “o que representa quase um quilo de diferença entre os níveis de carga de ambos”, reforça.

A preocupação com o peso que carregam as crianças e jovens não é novo e estes dados reforçam outros, de estudos que contabilizam entre 40 e 69% de adolescentes com idades entre os 13 e 15 anos que apresentam dores nas costas.