Um em cada cinco sobreviventes de AVC sofre de ansiedade, revelam os dados de um novo estudo, que sugere que este pode ser um problema de longo prazo.

Realizado por uma equipa de investigadores liderada por especialistas da Universidade de York, no Reino Unido, o trabalho reviu quase uma centena de estudos globais, que envolveram 22.262 sobreviventes de AVC.

E verificou que quase 20% dos doentes foram diagnosticados com ansiedade. Mais ainda, porque as taxas não tinham reduzido significativamente até dois anos após o AVC, os investigadores consideram que este é um problema de longo prazo.

Um acidente vascular cerebral, conhecido pelas suas siglas, AVC, acontece quando é cortado o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro.

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, 15 milhões de pessoas sofrem um AVC, por ano, em todo o mundo. 

Até agora, o problema da ansiedade nestes doentes não tinha sido bem reconhecido, pelo que os autores desta revisão estão a pedir mais investigação e apoio para os doentes.

Peter Knapp, especialista do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de York e da Escola de Medicina Hull York, e principal autor do estudo, considera que ter um AVC “pode ter um impacto devastador na vida das pessoas e por norma não há aviso prévio”.

“Sabemos que as pessoas com AVC são mais propensas a sofrer de depressão, mas até agora a questão da ansiedade ainda não tinha sido totalmente abordada”, acrescenta, reforçando que, para algumas pessoas, “esta ansiedade está assumir a forma de uma fobia social, porque a fala e aparência física são frequentemente afetadas após um AVC, dificultando a continuidade da vida como era antes”.

Combater a ansiedade

A revisão agora feita analisou estudos de 34 países, incluindo Reino Unido, EUA, Tanzânia, Brasil e Rússia.
“São agora necessários mais estudos para avaliar quais os fatores que levam ao aparecimento e persistência da ansiedade após o AVC”, considera Knapp.

“Este estudo confirma que a ansiedade é comum após um AVC e que pode continuar a causar problemas significativos para os doentes muito além dos primeiros meses da sua recuperação. E os problemas de saúde mental podem agravar os efeitos físicos e cognitivos de um AVC, sendo necessários mais estudos para criar intervenções eficazes para este grupo de pessoas”, refere o especialista.