melanoma nos homens

Morte por melanoma está a aumentar nos homens

Por | Cancro

A percentagem de homens que morrem com melanoma aumentou em todo o mundo, revelam os dados mais recentes. Já a taxa no feminino, essa tem descido em alguns países. 

Apresentados no congresso do Instituto Nacional de Investigação no Cancro, os dados refletem a análise feita por investigadores britânicos, que decidiram investigar os números mundiais sobre este cancro, recolhidos pela Organização Mundial de Saúde, com enfoque em 33 países. E verificaram que a taxa de mortalidade por melanoma nos homens estava a aumentar em todos os países, menos num.

Ainda que sejam necessários mais estudos para que se perceba qual o motivo por detrás desta tendência, os especialistas não têm dúvidas da necessidade de mais esforços de saúde pública, desta feita direcionados para a população masculina, capazes de aumentar a sensibilização para esta doença.

República Checa, a exceção

Dorothy Yang, especialista do Royal Free London NHS Foundation Trust, explica que “o principal fator de risco para o melanoma é a exposição excessiva à radiação ultravioleta, seja pela exposição ao sol ou pelo uso de solários”.

Apesar dos esforços de saúde pública para promover a sensibilização para a doença e encorajar comportamentos inteligentes, “a incidência do melanoma tem aumentado nas últimas décadas. No entanto, alguns novos relatórios identificaram sinais de estabilização e declínio nas taxas de mortalidade por melanoma em lugares como a Austrália e o norte da Europa”, acrescenta.

Foi para tentar entender estes padrões que os investigadores estudaram as taxas de mortalidade padronizadas por idade em 33 países, entre 1985 e 2015.

E a análise revela que, em todos os países, as taxas foram mais elevadas nos homens do que nas mulheres. No geral, as maiores taxas de mortalidade, entre 2013 e 2015, foram encontradas na Austrália (5,72 por 100.000 homens e 2,53 por 100.000 em mulheres) e na Eslovénia (3,86 em homens e 2,58 em mulheres), com as menores no Japão (0,24 em homens e 0,18 em mulheres).

A República Checa foi o único país onde se verificou uma redução na taxa de mortalidade por melanoma nos homens.

Mais campanhas para a população masculina

“É necessário mais trabalho para explorar os fatores subjacentes a estas tendências”, refere a especialista, que fala na possibilidade de os homens serem “menos propensos a protegerem-se do sol” ou menos recetivos às campanhas de prevenção.

Sejam quais forem as razões, “os dados também sugerem que o melanoma continuará a ser uma questão de saúde nos próximos anos”, sendo necessário “encontrar estratégias eficazes para diagnosticar com precisão e tratar com sucesso os doentes”.

medicamentos bisossimilares

Oncologistas exigem mais educação sobre o uso de biossimilares

Por | Cancro

Os dados são preliminares. Mas suficientes para motivar uma ação, considera a Sociedade Europeia de Oncologia Clínica, perante os dados que revelam que a esmagadora maioria dos oncologistas europeus (87%) inquiridos num estudo ainda por publicar querem mais informação sobre os medicamentos biossimilares.

No congresso da organização, que reuniu centenas de especialistas na Alemanha, o tema esteve em destaque. Isto porque embora estejam na origem de algumas das inovações mais promissoras no tratamento do cancro, entre os quais a imunoterapia, os medicamentos biológicos são também responsáveis por uma fatia dos custos com medicamentos na União Europeia (UE). 

Contas feitas pelo IQVIA Institute for Human Data Science dão conta de gastos, só na UE, de 24 mil milhões de euros, em 2016, com tratamentos para o cancro, sendo os medicamentos biológicos responsáveis ​​por quase 40% deste valor. Com a introdução de biossimilares para os três principais agentes de oncologia, estima-se uma poupança de até dois mil milhões de euros em toda a Europa em 2021.

Se é necessária mais educação, então está na hora de a proporcionar

O uso dos medicamentos biossimilares permite aumentar a disponibilidade de medicamentos inovadores para doentes que, de outra forma, não seriam tratados com fármacos biológicos devido a restrições económicas, defende a ESMO. Mas isto depende de uma compreensão mais ampla dos biossimilares em todo o ecossistema da oncologia.

Por isso, para os especialistas não há dúvidas sobre o apoio a estes medicamentos, uma vez que representam alternativas mais baratas e têm o potencial de tornar o tratamento ideal para o cancro mais sustentável e amplamente acessível.

“É importante a colaboração e as abordagens com múltiplos interessados ​​para melhorar a compreensão e erradicar os equívocos, permitindo a aceitação bem-sucedida dos biossimilares em oncologia”, afirma Josep Tabernero, Presidente da ESMO. “Se mais educação é o que os oncologistas precisam, (…) devemos agir com urgência em relação a isso.”

congresso de transplantes

Tráfico e comércio de órgãos em destaque em Coimbra

Por | Atualidade

As rotas clandestinas da transplantação, o tráfico e o comércio de órgãos é um dos temas em destaque no XVII Congresso Luso Brasileiro de Transplantação, organizado pela Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), que reúne especialistas portugueses e brasileiros de todas as áreas de órgãos transplantados, num encontro que arranca esta quinta-feira em Coimbra.

Ao longo de três dias, serão apresentadas as principais inovações e trabalhos de investigação nas várias áreas de órgãos transplantados, contando-se ainda com a presença de especialistas espanhóis, cujo país tem a maior taxa de doação por milhão de habitantes no mundo.

Alexandre Linhares Furtado é um nome que dispensa apresentações. O médico, pioneiro na área da transplantação em Portugal, tendo realizado realizado o primeiro transplante renal e o primeiro transplante hepático sequencial, vai marcar também presença, com uma palestra sobre “Medicina e Arte”.

Maior evento sobre transplantação no País

Susana Sampaio, presidente da SPT, adianta que “este é o maior evento sobre transplantação no nosso país, com organização portuguesa”.

E acontece “fruto de um acordo de cooperação com a congénere brasileira, a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, e que pressupõe a organização alternada deste congresso, que tem como objetivo a troca de experiências e conhecimentos. Importa referir que o Brasil tem uma das unidades que mais transplanta no mundo”.

Este evento irá coincidir com a XIV Congresso Português de Transplantação, reunião anual da SPT, na qual serão divulgados os vencedores da Bolsa de apoio à Investigação e Bolsa de apoio à Publicação.

gestores dos hospitais debatem o modelo atual

Gestores dos hospitais europeus juntam-se em Portugal para debater modelo atual

Por | Política de Saúde

Numa época de desafios na área da saúde, um dos seus protagonistas, os hospitais, pela voz dos seus administradores, vão discutir as dificuldades e conquistas do setor, no 27th European Association of Hospital Managers (EAHM) Congress, que este ano se realiza em Portugal.

Entre os dias 26 e 28 próximos, os mais prestigiados especialistas internacionais vão debater a redefinição do papel dos hospitais, cujo modelo de organização tem mais de 50 anos.

Um modelo que, segundo Alexandre Lourenço, Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), “tem vindo a descurar as alterações que têm sido sentidas a nível de inovação tecnológica, digital, e dos perfis demográficos da população, sendo que, em muitos aspetos, ainda se continua a seguir a atividade pela tradição ou pelo costume, em detrimento do conhecimento”.

O especialista considera que “o modelo organizacional é cada vez mais visto como não confiável, inseguro e propenso ao erro e não é esse o rumo que queremos seguir. Os gestores de serviços de saúde necessitam de ser dotados de maiores conhecimentos e competências, passando necessariamente pela profissionalização e avaliação transparente”.

Um tema de importância acrescida para Portugal, “porque quando tentamos evoluir e acompanhar as tendências internacionais somos travados pela restrição financeira e falta de autonomia imposta aos hospitais públicos”.

Debate para além do setor

Para debater todas as matérias fulcrais que permitam “desenvolver um novo método de gestão de serviços de saúde focado nas pessoas, nas suas expectativas e necessidades, e em todos stakeholders”, o evento apresenta um programa que inclui cinco sessões principais, variados cursos e workshops e conta com mais de uma centena de intervenientes.

Comissão Europeia, Organização Mundial de Saúde e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico são apenas algumas das instituições que vão estar representadas no congresso, uma vez que, explica Alexandre Lourenço, “os desafios que enfrentamos como setor não podem ser somente respondidos por nós. Temos de envolver outros parceiros da rede social e da saúde para, em articulação, promovermos e implementamos estratégias inovadoras, e ao mesmo tempo realistas, de saúde populacional”.

Hospitais à procura da inovação

Os organizadores do congresso prepararam ainda, em parceria com a Agência Nacional de Inovação, e com o apoio da Enterprise Europe Network e da Comissão Europeia, dois momentos que promovem a cooperação entre empresas inovadoras e os hospitais: “a iniciativa Hospital Innovation Brokerage Event, onde teremos startups a apresentar as suas ideias de negócios e a iniciativa eHealthRoadshow 2018, com pequenas e médias empresas de toda a Europa a ser aconselhadas por um painel de reputados peritos europeus”.

Este ano, o Congresso fará, pela primeira vez, o envolvimento dos países de língua portuguesa através do workshop “Gestão em saúde nos países de língua portuguesa”.

Este momento será pioneiro na criação de laços de cooperação, na gestão em saúde, nos Países de Língua Portuguesa, tal como a implementação de um fórum de discussão participativo e de uma plataforma comum que promova a partilha de experiências e de boas práticas, na gestão em saúde, no seio da qual possam ser geradas sinergias futuras.

dieta ajuda a melhorar gengivite

Dieta saudável reduz a gengivite em quatro semanas

Por | Saúde Oral

Bastam quatro semanas de uma dieta saudável para reduzir significativamente a gengivite, revela um estudo apresentado no EuroPerio9, o congresso mundial de periodontologia e implantodontia.

Definido como uma inflamação das gengivas, resultante sobretudo da acumulação de bactérias nos espaços entre as gengivas e os dentes, este é um problema comum, cujos principais sintomas são o sangramento, inchaço e dificuldade em mastigar. E que, se não for tratado, pode levar a uma situação mais grave e complexa (periodontite).

Johan Wölber, investigador do Centro de Medicina Dentária do University Medical Center Freiburg, na Alemanha e autor principal do estudo, explica que este trabalho dividiu um grupo de doentes: de um lado os que seguiam uma dieta especial com redução de hidratos de carbono e proteínas animais, mas rica em ácidos gordos ómega 3, vitaminas C e D, antioxidantes, nitratos e fibras vegetais; do outro os que nada fizeram.

“Estes continuaram a ter uma dieta ocidental comum, rica em hidratos de carbono e ácidos gordos saturados e pobre em micronutrientes. Pedimos a ambos os grupos para não fazerem a limpeza entre os dentes durante o estudo e avaliamos os parâmetros clínicos periodontais e inflamatórios no início e após quatro semanas”, refere.

Conselhos para uma vida mais saudável

Foi com surpresa que os especialistas verificaram serem apenas necessárias quatro semanas de uma dieta saudável para que se reduzisse de forma substancial a inflamação das gengivas. “No geral, encontramos uma redução da gengivite em cerca de 40%”, acrescenta o investigador.

“Parece claro que uma dieta ocidental impulsiona a inflamação. Este estudo mostra que uma mudança na dieta é boa para os doentes com gengivite, mas também pode ser favorável para doentes com periodontite.”

E o que é isto de uma dieta ideal? É aquela onde se reduzem os hidratos de carbono processados, como açúcar ou farinha branca e as gorduras saturadas e aumentam os micronutrientes das plantas, vitamina D, ácidos gordos ómega-3, fibras e plantas. 

“Devido ao baixo teor de hidratos de carbono, essa é uma dieta que também ajuda a prevenir cáries e a promove a perda de peso. Por isso, os profissionais de saúde oral devem sentir-se confiantes ao recomendar uma dieta saudável aos seus doentes, da mesma forma que promovem a higiene oral, pois beneficiará tanto esta como a saúde geral.”

Internamento domiciliário, uma alternativa cada vez mais viável

Por | Iniciativas

O envolvimento do internista na gestão hospitalar, as inovações em saúde e a preocupação com a questão social foram temas em destaque do 24º Congresso Nacional de Medicina Interna, assim como as alternativas ao internamento convencional, uma forma de contornar as limitações dos sistemas de saúde.

Com direito a mesa redonda, foram dadas a conhecer as experiências desenvolvidas no Hospital Garcia de Orta, com um projeto de hospitalização domiciliária, e na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano, alternativas que, considera Estevão de Pape, são já uma aposta de futuro.

Tendo em conta que as limitações ao internamento são um problema da maioria dos sistemas de saúde públicos, resultado do aumento do número de doentes crónicos e com multimorbilidades, o especialista partilha que o Hospital Garcia de Orta foi o primeiro, no País, a ter um internamento domiciliário inserido no serviço de Medicina Interna.

Uma experiência “muito positiva e bem-sucedida”. E que pode, no futuro, servir de exemplo para outras. “Se tivermos 100 camas neste sistema, temos um hospital inteiro em casa”, salienta, reforçando tratar-se de uma alternativa aos sistemas de saúde “que não é só para o doente agudo, mas também para o doente pós-cirurgia”, mas que apenas é concretizável “com uma ligação à Medicina Geral e Familiar”.

Medicina de precisão: que futuro?

A Medicina de Precisão foi outro dos temas em destaque, pela voz de Francisco Araújo, que deixou antever as possibilidades que este conceito permite, mas também os desafios a ele associados.

O co-coordenador do serviço de Medicina Interna do Hospital Beatriz Ângelo realçou que a assinatura genética de cada indivíduo possibilita que se escolha a terapêutica mais eficaz para cada doente e se mitiguem os efeitos secundários, mesmo já na área cardiovascular ou da diabetes.

Segundo Francisco Araújo, a genética é um dos pilares deste conceito, permitindo a simplificação de técnicas de diagnóstico e tratamento. Mas acrescenta que é também a partir deste campo que se levantam as principais dúvidas e dilemas quanto a este admirável Mundo Novo.

A necessidade gigantesca de armazenamento de dados que comporta, que tornam possível estudar populações e aspetos nunca antes analisados, com vantagens incalculáveis, tem custos. “Como é que isto vai ser feito? Quem vai pagá-lo? Tenho hoje mais dúvidas do que certezas… é muita informação e não sei o que podemos fazer a esta onda de dados”, ressalva.

Um congresso “100 margens”

“Este foi um evento de elevado nível científico e um sucesso”, não só em quantidade, mas sobretudo na qualidade do que foi debatido, garante Estevão de Pape, presidente do encontro, que salienta um dos temas em destaque: as alternativas ao internamento convencional.

“Pretendemos colocar na agenda a questão do envelhecimento da população, os idosos, as comorbilidades e o que tudo isso acarreta. Esta tem sido uma grande preocupação da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e foi uma questão abordada no congresso, que conseguiu cumprir os seus objetivos: não ter margens da discussão.”

Um congresso “100 margens”, que mereceu um cumprimento por parte do Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa não teve oportunidade de estar presente mas, em vídeo, agradeceu o papel e a missão dos médicos e salientou a importância do tema. Porque, como disse, “não há margens para a reflexão”.

Internistas debatem desafios sociais dos serviços de saúde

Por | Iniciativas

Em tempo de desafios, que nos últimos tempos se têm colocado de forma quase constante aos serviços de saúde, os internistas reúnem-se em congresso para os debater e, dando especial destaque ao “envelhecimento da população e consequentes comorbilidades”, “alternativas ao internamento e a necessidade da redução do número de doentes que acorrem aos serviços de urgência hospitalares”.

Desafios que Estevão de Pape, Presidente do 24.º Congresso Nacional de Medicina Interna, organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, não tem dúvidas “que deverão ser liderados por profissionais de medicina interna, muito pelas qualidades e formação dos seus internistas”.

O encontro servirá também, de acordo com o especialista, como oportunidade para “consolidar conhecimentos” e explicar como “a base holística e a diversidade dos profissionais de medicina interna contribuem para um melhor funcionamento dos serviços de saúde nacionais e, particularmente, dos hospitais”.

De 31 de maio a 3 de junho, o Centro de Congressos do Algarve, nos Salgados, vai ser palco do maior encontro nacional da especialidade, com apresentação de estudos, discussões de temas e apresentações sobre complicações Clínicas em internamentos prolongados por motivo social após alta clínica, caracterização de serviços de medicina, alternativas ao internamento convencional, inovação em saúde ou questões éticas em fim de vida.

Internistas, a “força motriz da vida hospitalar”

Subordinado ao lema ‘Medicina Interna 100 Margens’, o encontro pretende mostrar como “a Medicina Interna não deve ter limites ou margens. Não devemos fechar-nos no hospital sem falar com outras especialidades. Não nos devemos fechar à comunidade e ao doente e aos desafios atuais”, refere Estevão Pape.

“A Medicina Interna é o grande pilar dos hospitais, a força motriz da vida hospitalar, com uma visão global única. Temos de saber liderar mas também ter a responsabilidade da dedicação sem limites, aplicando à doença, e ao doente, todas as áreas da medicina interna e interligando-as para tirar daqui o melhor partido.”

Ver também: Sociedades de Medicina Interna ibéricas unidas na luta pelos sistemas de saúde

O desafio de uma hidratação saudável e sustentável

Por | Nutrição

Num mundo onde as alterações climáticas transformam a gestão da água um desafio crescente, a hidratação torna-se um tema ainda mais importante. E preocupante. De tal forma que a importância de uma hidratação saudável, mas sustentável esteve em destaque no III Congresso Internacional e V Nacional de Hidratação, que se realizou em Espanha.

“O crescimento rápido da população mundial deixa antever que um aumento de quase um terço na procura de água em 2050″, alerta Lluis Serra-Majem, diretor do Grupo de Nutrição da Universidade de Las Palmas da Gran Canaria e director da Cátedra Internacional de Estudos Avançados em Hidratação, responsável pela organização do congresso.

O uso sustentável da água foi, por isso mesmo, um tema debatido em várias sessões do encontro. “Os desafios atuais da gestão da água são evidentes em todos os setores, o que exige novas formas de gestão deste valioso recurso natural”, reforça Serra-Majem. Tarefa da responsabilidades das organizações, mas para a qual, concordam os especialistas, todos os cidadãos podem e devem dar o seu contributo.

Para além de uma gestão integral e transparente, o uso sustentável de água nas cidades requer uma maior exigência e controlo do cumprimento da legislação, assim como uma maior informação, educação, consciencialização e participação individual.

Um carrinho de compras saudável e sustentável

Apesar de ser grande a proporção de pessoas que fazem a sua ingestão de água no local de trabalho ou estudo, a alimentação em casa adquire uma grande relevância na configuração dos hábitos alimentares. Nesse sentido, o carrinho de compras desempenha um papel importante como estratégia para favorecer uma dieta familiar mais saudável.

Um dos aspectos determinantes é a presença de produtos de origem vegetal, especialmente frutas e vegetais frescos, sazonais e, se possível, locais, explicou Carmen Pérez-Rodrigo, especialista em nutrição. A água também tem que fazer parte, eleita como a bebida preferida, especialmente para os pequenos. 

Exercício Físico – Hidratação é tão ou mais importante que treino para os atletas

Por | Iniciativas

Exercício Físico – A importância da Hidratação para os atletas durante o treino 

Sabia que durante o exercício físico como uma partida de futebol, um jogador pode perder até três litros de água através do suor? Ou que uma perda de líquidos correspondente a mais de 2% do peso corporal induzida pelo exercício físico pode causar danos no rendimento físico, mental e na saúde dos atletas? É para o evitar que os especialistas deixam conselhos redobrados, que passam pela manutenção de um estado de hidratação adequado ao treino.

No desporto de competição, a hidratação é tão ou mais importante que o treino. Estar bem hidratado é fundamental para a obtenção de um bom rendimento, isto porque a atividade física intensa, como aquela que realizam os atletas profissionais, aumenta a temperatura do corpo e conduz a uma maior perda de água e eletrólitos através do suor que, por sua vez, pode provocar desidratação. Tudo isto a não ser que estes fluídos sejam repostos de forma adequada.

A garantia é dada por Toscana Viar, responsável pelo Serviço de Nutrição do Atlético Clube de Bilbao e do Bilbao Basket, e uma das intervenientes no III Congresso Internacional e V Nacional de Hidratação, que decorreu em Bilbao, Espanha, organizado pela Cátedra Internacional de Estudos Avançados em Hidratação.

“Durante uma partida de futebol podem perder-se mais de três litros de água através do suor, o que varia consoante a intensidade, o tempo jogado e as condições climáticas, assim como as características físicas de cada desportista. Por isso, é necessário que todas as pessoas que praticam este desporto sigam um protocolo correto de hidratação antes, durante e depois do esforço físico que realiza.”

O que se deve repor após o exercício físico?

Na hora de escolher a melhor bebida para a correta hidratação dos atletas é preciso ter em conta a quantidade de exercício físico realizado e o nível de intensidade do mesmo durante o treino.

No caso dos desportistas que realizam exercício físico de intensidade elevada, de duração prolongada (superior a 60 minutos) ou num ambiente quente, é necessária a ingestão de bebidas com hidratos de carbono e eletrólitos, para prevenir perdas hídricas superiores a 2% da sua massa corporal e evitar um eventual golpe de calor.

Para conhecer as suas necessidades a este nível, os especialistas aconselham os desportistas a usarem marcadores de hidratação, como a cor da urina, as alterações no peso corporal antes e depois do exercício físico e a perceção da sensação de sede.

Estar atento é essencial, uma vez que, de acordo com os estudos existentes, as consequências associadas à desidratação podem ir de uma quebra de rendimento, câibras, dores de cabeça, náuseas, vómitos, debilidade, desorientação, linguagem incompreensível, confusão mental, letargia, convulsões, edema pulmonar, até à morte.

Hidratação antes do exercício físico

Por isso, três a quatro horas antes da prática de exercício físico, Toscana Viar aconselha a ingestão de cinco a sete mililitros de líquido por quilo de peso, através de uma bebida que deve conter hidratos de carbono que proporcionem energia e sódio, capaz de estimular a sede e ajudar à absorção de água, para que se atinja um estado ótimo de hidratação.

Durante o exercício físico

Viar recomenda, durante o exercício físico, a ingestão de entre 100 a 250 mililitros de bebidas destinadas aos desportistas, em intervalos regulares, até ao máximo de um a 1,5 litros por hora, sobretudo líquidos que contenham 6% a 8% de hidratos de carbono. Aconselha ainda que o desportista beba sempre que lhe for possível e que o jogo o permita.

E quando o jogo termina?

A hidratação deve começar assim que termina a partida, para proporcionar uma boa recuperação. O aconselhável é que se consumam hidratos de carbono de elevado nível glicémico, que pode ser encontrado em bebidas destinadas aos desportistas que contenham eletrólitos como sódio, potássio ou magnésio.

Para determinar qual a quantidade que deve ser reposta, os especialistas recomendam que o atleta “se pese antes e depois do jogo ou treino. A diferença determinará o líquido perdido e, por isso, aquele que se deve ingerir para uma reidratação de forma correta”, afirma Toscana Viar.

Da comida picante às lombrigas: os ‘amigos’ e ‘inimigos’ das doenças autoimunes

Por | Nutrição

O que é que a comida picante tem a ver com as doenças autoimunes? Ou o chocolate? Ou ainda o café?

A resposta sobre doenças autoimunes foi dada por Yehuda Shoenfeld, internista que preside o 11º Congresso Internacional de Autoimunidade, na conferência que este ano trouxe a Lisboa mais de duas mil pessoas, um recorde para este tipo de encontros.

“Yehuda Shoenfeld falou sobre o mosaico da autoimunidade, o que significa que para que apareçam as doenças autoimunes tem de haver um mosaico de fatores e um destes é a dieta”, explica Carlos Vasconcelos, internista e presidente honorário da conferência.

De facto, a comida tem influência nas doenças autoimunes, reforça o especialista.

“A nutrição pode ser um caminho extraordinário para sabermos lidar melhor com este tipo de doenças. Saber, por exemplo, que a comida picante, muito típica de países asiáticos, pode proteger contra as doenças autoimunes.”

“E isto devido à capsaícina, um composto que existe em forma de uma pomada para as dores musculoesqueléticas. Também a curcumina, que existe no açafrão, é um fator protetor. Ou seja, a natureza encerra em si mecanismos claramente protetores, que nós não temos conseguido usar.”

Outros alimentos há, como o chocolate que, em pequenas quantidades, pode também ser benéfico, embora em grandes doses passe a tornar-se inimigo da balança. “Já o café, pode ser mau para a artrite reumatoide, mas pode ser bom para a esclerose múltipla. E também fumar canábis pode ter um efeito protetor, ou calmante, para as doenças autoimunes, apesar de estar bem demonstrada a associação prejudicial do tabaco a algumas destas doenças”, acrescenta o especialista.

Aquilo que falta, refere Carlos Vasconcelos, é a “aplicação da nutrição na prática clínica. As pessoas pensam que a dieta é uma coisa necessariamente difícil e aborrecida e não é; pensam que é necessariamente cara e não tem de ser. O que é preciso é que haja mais informação e nutricionistas disponíveis para isso.”

A forma como o ritmo circadiano pode influenciar este tipo de doenças foi outro dos temas do encontro. “Se pegarmos na mesma pessoa e lhe fizermos uma análise, por exemplo, aos glóbulos brancos às 8h00 e às 20h00, o número às vezes duplica e não é devido à presença de uma infeção. Outro exemplo são os corticoides, que queremos evitar mas que por vezes temos mesmo que dar nas doenças autoimunes: estes poderão  funcionar melhor tomados a horas noturnas. Tem tudo a ver com o ritmo circadiano e isto é algo de que pensamos pouco e no qual deveríamos investir mais, havendo aqui um importante caminho a percorrer”, explica Carlos Vasconcelos.

Lombrigas, ‘velhas amigas’ das doenças autoimunes

“Outro tema extraordinário é o relacionado com os helmintas (parasitas onde se incluem as ‘lombrigas’, etc) e a sua importância  na prevenção e tratamento das doenças autoimunes. Estes parasitas, a que já chamaram ‘velhos amigos’ do ser humano, arranjaram mecanismos para fazer com que o sistema imune não os atacassem (e assim eles podem viver ‘em paz’ nos intestinos). Existem relatos publicados de doentes autoimunes tratados com ovos desses parasitas. Ora, algumas das moléculas que são responsáveis por essa tolerância imunológica foram já identificadas e poderão vir a ser usadas como um medicamento para o tratamento destas doenças.”

O 11º Congresso Internacional de Autoimunidade, que decorre até domingo, em Lisboa, é o único encontro em que se é dado destaque às mais de 100 doenças autoimunes que se conhece hoje em dia e que junta cerca de dois  mil participantes de todo o mundo em apresentações sobre as novas técnicas terapêuticas, ferramentas de diagnóstico e investigação atualizada em diferentes áreas.

É presidido por um internista, Yehuda Shoenfeld, figura cimeira da autoimunidade mundial, e conta com quatro especialistas de Medicina Interna em lugares de destaque: Carlos Vasconcelos, no cargo de presidente honorário, e Jorge Martins, Carlos Dias e Luís Campos em três das cinco vice-presidências.