nova forma de luta contra o dengue

Projeto consegue erradicar dengue em cidade australiana

Por | Ambiente

Chama-se World Mosquito Program e conseguiu, pela primeira vez, através de um mecanismo de biocontrolo, eliminar de vez o vírus da dengue em Townsville, uma cidade australiana.

A iniciativa, da Monash University, prova que é possível interromper a transmissão da doença a uma escala global e de forma económica. Scott O’Neill, um dos responsáveis por este projeto, considera que se está no bom caminho para aplicar esta ideia em grandes cidades.

“Estamos muito satisfeitos e os dados mostram que não houve dengue transmitida localmente nas últimas quatro estações chuvosas, graças à introdução do mosquito infetado com a bactéria Wolbach. E isto comparado com anos anteriores, quando os casos de dengue adquiridos localmente têm sido um problema recorrente”, afirma.

Mais 11 países em fase de testes

Desde que o ensaio de Townsville começou, em 2014, junto de uma população de mais de 187.000 pessoas, o World Mosquito Program já chegou a outros 11 países, que incluem grandes cidades como Jogjakarta, na Indonésia, Rio de Janeiro, no Brasil e Medellín, na Colômbia.

Um mosquito da família Aedes, que transmite dengue

Risco para a forma mais grave de dengue é superior entre os europeus

Por | Atualidade

Uma espécie do mosquito portador do vírus da dengue já foi por cá detetada, ainda que sem indícios de risco acrescido para a população nacional. Ainda assim, é do Instituto de Investigação e Inovação da Universidade do Porto (i3S) que chega um trabalho sobre o tema, realizado em parceria com investigadores do Instituto Pasteur, em Paris, e com várias equipas asiáticas. E que conclui que são os europeus, juntamente com os asiáticos, os mais suscetíveis à forma mais grave da doença.

A equipa identificou dois genes relacionados com a inflamação dos vasos sanguíneos subjacentes ao risco de Síndrome de Choque da Dengue, uma das formas mais graves da doença.

A esta descoberta, junta a de outros quatro genes, também eles relacionados com o risco de Dengue Clássica, que acabam por interferir com o metabolismo dos medicamentos.

As variações genéticas detetadas, que são diferentes consoante a origem de quem é afetado, justificam as variações de suscetibilidade à infeção.

É isso que explica porque é que as pessoas com ascendência europeia têm um risco inferior no que diz respeito à Dengue Clássica, sendo mais suscetíveis a formas mais graves da infeção, como o Síndrome de Choque da Dengue.

O trabalho, que teve por base um vasto estudo genético a 411 pacientes com infeção por vírus da dengue e 290 indivíduos saudáveis admitidos em três hospitais na Tailândia entre 2000 e 2003, revela que o risco genético, conferido pela combinação das variantes nesses genes, é muito diferente entre os povos.

Os asiáticos do Sudeste e do Nordeste são altamente suscetíveis aos vírus, apresentando Dengue Clássica e Síndrome de Choque da Dengue, enquanto os africanos estão melhor protegidos contra esta última.

Proteção individual contra a picada é a melhor prevenção

Transmitida através da picada dos mosquitos do género Aedes infetados com o vírus, a doença manifesta-se geralmente por febre, dores de cabeça, dores nos músculos e articulações, vómitos e manchas vermelhas na pele.

A principal medida de prevenção é a proteção individual contra a picada do mosquito.