Freddie Mercury ou Mozart: qual o preferido dos bebés?

Por | Saúde Infantil

Qual o estilo de música que os fetos mais apreciam? Não, não é pop nem rock. Um estudo espanhol fez os testes e concluiu que é da clássica que eles gostam mais.

O trabalho foi apresentado no 5º congresso da International Association for Music and Medicine, que se realizou em Barcelona, Espanha, e testou a reação fetal a diferentes tipos de música, concluindo que, tal como os recém-nascidos, também os fetos parecem gostar mais de música clássica.

De entre as músicas utilizadas pelos especialistas do Institut Marquès encontravam-se a country, tribal, clássica, pop e rock. E embora não se conheçam os motivos que justificam porque é que há estilos musicais com um impacto tão positivo no desenvolvimento do feto dentro do útero da mãe, fica a certeza de são as “melodias que persistem ao longo dos anos” as mais determinantes.

Seja um tema de Mozart, como a ‘Pequena Serenata Noturna’, ou uma sessão de percussão ancestral de uma tribo africana, o que é certo é que os fetos reagem mais quando as escutam.

E, explica López-Teijón, diretor do Instituto, é precisamente este tipo de música tradicional, com sons simples e repetidos, que é muito apreciada pelos recém-nascidos. “A música é uma forma de comunicação ancestral entre os humanos; a comunicação através de sons, gestos e danças precede a linguagem falada”, explica.

“A primeira língua era mais musical que verbal, e ainda é; ainda tendemos instintivamente a falar em voz alta, porque sabemos que o recém-nascido percebe melhor que nós queremos comunicar com ele.”

Embora o pop-rock seja um género musical que provoca menos reação no feto, há algumas exceções à regra, como é o caso do tema ‘Bohemian Rhapsody’, dos Queen, ou o instrumental ‘Mna Na h’Eireann’, interpretado por Sharon Corr (do quarteto irlandês The Corrs).

Os sons que os fetos conseguem ouvir

Para realizar o estudo da expressão facial fetal em resposta à emissão intravaginal de diferentes tipos de música, os investigadores do Institut Marquès estudaram os movimentos de boca e língua de 300 fetos, com idade gestacional entre 18 e 38 semanas, expostos a 15 músicas de três géneros musicais diferentes: clássica (Mozart, Beethoven…), tradicional (canções de Natal, tambores africanos…) pop-rock (Shakira, Queen…).

Para este efeito, foi desenvolvido um aparelho vaginal, o Babypod, graças ao qual foi possível demonstrar “que os fetos podem ouvir a partir da semana 16, quando medem apenas 11 centímetros, se o som vier diretamente da vagina”, refere López-Teijón.

Música clássica, a preferida

O género musical que faz com que uma maior percentagem de fetos mexa a boca é o clássico (84%), seguido da música tradicional (79%) e pop-rock (59%).

A partir do momento em que são capazes de deitar a língua de fora, a música clássica é novamente o género musical preferidos (35%), seguido da música tradicional (20%) e do pop-rock (15%).

‘Waka Waka’, de Shakira ou ‘Too much heaven’, dos Bee Gees, não parece convencer os fetos, ao contrário da voz do Mickey Mouse, que é preferida à voz humana.

É muito raro que estes movimentos sejam espontaneamente produzidos durante o segundo e terceiro trimestres da gravidez (apenas 3 a 5% dos fetos o fazem sem um estímulo específico). O que significa que o estudo demonstra a importância da estimulação neurológica precoce, capaz de ativar áreas cerebrais relacionadas com a linguagem e comunicação. 

Festivais de verão podem prejudicar a saúde auditiva

O perigo das festas de verão para a saúde auditiva

Por | Bem-estar

Com o verão a caminho, multiplicam-se os festivais, as festas, os concertos. É tempo de festa e folia. No meio de tudo isto, por vezes perde-se de vista a saúde auditiva. De facto, será que temos noção do impacto que o volume da música nestes eventos tem na saúde dos nossos ouvidos?

Não é surpresa para ninguém que o volume do som nos concertos é sempre elevado. O que talvez muito não saibam é que, a partir dos 80 decibéis (dB), o som começa a ser prejudicial para os nossos ouvidos.

Tendo em conta que a pressão acústica nos concertos pode ser facilmente superior a 110 dB, não deverá ser surpresa os efeitos negativos para a saúde auditiva das festas de verão, uma vez que é ultrapassado aquilo a que se chama limiar de conforto ou limiar de dor.

“No início, é observada uma perda auditiva com recuperação após horas de repouso. Se a exposição continuar, instala-se uma perda auditiva progressiva e irreversível, denominada perda de audição induzida por ruído”, explica Dulce Martins Paiva, diretora-geral da GAES – Centros Auditivos em Portugal.

“Os sinais mais frequentes de dano auditivo por ruído são dores de ouvido, zumbido, irritação com sons altos, redução da capacidade auditiva, transtornos de atenção, ansiedade e nervosismo.”

Ainda de acordo com a mesma fonte, “o incómodo pode ser grande a ponto de causar dores de cabeça e efeitos psicológicos. Se a perda auditiva for considerável, o indivíduo pode se isolar socialmente pela dificuldade de comunicação”.

Como proteger os ouvidos nas festas de verão

Proteção é, ou deveria ser, também aqui a palavra de ordem. “A proteção é possível e recomendável. Atualmente existem várias opções de proteção auditiva, que garantem o timbre natural do som, sem distorções”, refere Dulce Martins Paiva.

Soluções standard ou personalizadas, “como o caso de protetores feitos à medida do canal auditivo”. E o melhor é que, seja qual for a sua escolha, a garantia é de que não vai precisar de os tirar para ouvir o que lhe dizem e muito menos para ouvir a sua banda preferida.

Terapia com música melhora humor e qualidade de vida de vítimas de AVC

Por | Atualidade

Que a música faz bem à saúde, já não é grande novidade. O que é novo é o impacto da música na reabilitação de doentes que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC), confirmado por um estudo recente.

Publicado na revista científica Annals of the New York Academy of Sciences, o ensaio clínico em questão, realizado por uma equipa de investigadores espanhóis e finlandeses, decidiu analisar a eficácia da musicoterapia na recuperação da mobilidade do braço e mão de doentes vítimas de AVC. O estudo olhou para os efeitos da música para verificar se faria sentido acrescentar este tipo de terapia à que já é disponibilizada nos hospitais.

E a resposta é positiva. Os investigadores não têm dúvida que a motivação é um fator importante na recuperação e os doentes que são tratados com musicoterapia melhoram a sua qualidade de vida e o seu humor.

Os benefícios da música

Mais de 40 pessoas vítimas de um AVC e que realizavam reabilitação no Hospital Esperança de Barcelona juntaram-se ao estudo e foram divididos, de forma aleatória, em dois grupos: um recebia sessões de reabilitação, aos quais se juntava a música – ensino de piano e bateria eletrónica com a mão afetada pelo AVC -, o outro não. E, ao longo de quatro semanas, os investigadores avaliaram as funções motoras e cognitivas, assim como o humor e a qualidade de vida dos doentes antes e depois do tratamento.

A conclusão reforça a importância da música e revela que aqueles que gostavam de participar em atividades musicais foram os que mais melhoraram as suas funções motoras. Para além disso, o tratamento musical reduziu o cansaço, as emoções negativas e a apatia entre os doentes.