teste para infeções virais

Teste rápido para infeções virais pode poupar aos hospitais 2.500€ por doente

Por Investigação & Inovação

Um teste rápido e fácil, capaz de detetar infeções virais e que pode reduzir o uso desnecessário de antibióticos e internamentos hospitalares foi apresentado no Congresso Internacional da Sociedade Europeia Respiratória. 

O teste, que consegue um resultado em apenas 50 minutos, pode gerar poupanças para os hospitais de cerca de 2.500 euros por doente não hospitalizado, ajudando a aliviar da falta de camas e a reduzir o desenvolvimento de resistência aos antibióticos.

Kay Roy, consultor de medicina respiratória e clínica geral do Hospital Hertfordshire NHS Trust, em Watford, e professor honorário da Universidade de Hertfordshire, em Hatfield (Reino Unido), considera que “os resultados iniciais nos primeiros 1.075 doentes revelam o potencial deste teste. Identificamos 121 doentes que apresentavam infeções virais, não apresentavam evidências de infeção bacteriana, apresentavam radiografia ao tórax normal e apenas modestos indicadores de inflamação”.

De acordo com o especialista, “foi possível evitar o internamento hospitalar em 25% dos casos e a administração de antibióticos desnecessários em 50%. Nenhum dos 30 doentes que evitaram internamento e que não receberam antibióticos tiveram desfechos clínicos adversos, o que é reconfortante”, acrescenta.

Tecnologia mais próxima do doente

O teste viral respiratório (POCT) foi lançado no Watford General Hospital (Reino Unido) a 15 de janeiro de 2018. É rápido e simples de executar, envolvendo a inserção de um cotonete na narina do paciente para recolha de amostra de secreções (1 minuto).

A amostra é depois preparada e inserida numa máquina compacta, a FilmArray® (3-5 minutos), que a analisa e gera um resultado em 43 minutos.

“Todo o processo, desde a obtenção de uma amostra do nariz do doente ao resultado demora menos de 50 minutos, o que tem um impacto potencialmente enorme na qualidade do atendimento, permitindo a tomada precoce de decisões informadas sobre a gestão do doente”, refere Kay Roy.

“Este é o mesmo teste e tecnologia usados ​​no nosso laboratório de microbiologia, mas trouxemos o equipamento para junto do doente. Os resultados das amostras enviadas para o laboratório de microbiologia podem levar mais de dois dias.”

Menos camas ocupadas

Os dados, apresentados no congresso europeu, revelam que, dos doentes testados, 61% tinham um ou mais vírus (56% eram influenza e 54% outros).

Em 387 doentes, os resultados dos testes foram combinados com outros fatores clínicos importantes, como os resultados radiológicos do tórax e a falta de evidência de infeção bacteriana. Destes, foram identificados 121 potencialmente adequados para evitar hospitalização e antibióticos.

“Descobrimos que, quando os doentes realizaram o teste viral respiratório logo após o internamento, melhorava o fluxo de camas, o que é extremamente importante no inverno, sobretudo durante uma epidemia de gripe.”

Poupança de 2.500 euros por doente

O custo do POCT é compensado evitando, por exemplo, o custo dos testes laboratoriais de microbiologia e o custo de internamento dos doentes nos hospitais. “As conclusões apontam claramente para uma poupança líquida de custos. Cada admissão respiratória pode custar cerca de 2.500 euros. Poderíamos ter uma poupança significativa para os serviços nacionais de saúde, evitando admissões desnecessárias em doentes que têm que ser admitidos e tratados com antibióticos, enquanto esperam até dois dias pelos resultados do laboratório”, reforça o médico.

Enfermeiros especialistas reduziriam internamentos hospitalares em 5%

Por Atualidade

Um relatório realizado pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) para a Ordem dos Enfermeiros revela que a existência de enfermeiros especialistas traduz-se em ganhos em saúde. E traduz esta ideia para números: ter enfermeiros especialistas poderia resultar numa poupança de 5% nos internamentos hospitalares.

“Uma população envelhecida, com doenças crónicas (…) exige uma redefinição da política de gestão de recursos humanos (…) capaz de atender a estes novos desafios societais”, lê-se no relatório ‘Os cuidados de enfermagem especializados como resposta à evolução das necessidades em cuidados de saúde’, que reforça a necessidade crescente de recursos humanos de saúde especializados.

Relativamente ao internato de especialidade, o relatório refere ser um instrumento adequado ao processo de desenvolvimento e valorização profissional do enfermeiro. Isto apesar do impacto orçamental decorrente da criação de um internato de especialização em Enfermagem, que é largamente mitigado pelos benefícios decorrentes da implementação.

“Estima-se que o impacto orçamental desta medida, considerando o cenário no qual são disponibilizadas anualmente 1.500 posições para enfermeiros especialistas, seja um benefício líquido médio de cerca de 18M€/ano.”

Este valor resulta da diferença entre um custo estimado de 63M€/ano, o que inclui o acréscimo salarial e os custos com o internato, e de um benefício estimado de 81M€/ano, resultante de uma poupança esperada de 5% nos internamentos hospitalares, revela a mesma fonte.

Um impacto que se faz também sentir ao nível social, permitindo ganhos em saúde e de eficiência na gestão. A isto junta-se o facto de uma especialização dos cuidados de Enfermagem contribuir para a valorização dos profissionais, na medida em que lhes confere a possibilidade de construir uma carreira profissional e incentiva à renovação contínua da sua formação.