rastreio do cancro do colo do útero

Cerca de 13% das mulheres não fazem o rastreio do cancro do colo do útero no País

Por País

Cerca de 13% das mulheres portuguesas nunca fizeram o rastreio do cancro do colo do útero e, entre as que fizeram, 12% não seguem as recomendações europeias relativas à periodicidade de realização do exame. Os dados são de um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que ainda assim dá conta de um aumento do número de mulheres que fazem este rastreio.

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medo pode afastar do rastreio do cancro do colo do útero

Vergonha pode afastar as mulheres do rastreio do cancro do colo do útero

Por Cancro

Os estigmas sociais e os mitos à volta do vírus do papiloma humano (HPV) podem deixar as mulheres ansiosas, levá-las a colocar em causa a fidelidade dos parceiros e colocá-las fora do rastreio do cancro do colo do útero, revela um inquérito apresentado na Early Diagnosis Conference, em Birmingham.

Realizado junto de mais de 2.000 mulheres do Jo’s Cervical Cancer Trust, os dados mostram que os estigmas associados ao HPV incluem vergonha, medo e promiscuidade.

Quase 40% das inquiridas revelaram preocupação com aquilo que as pessoas pensam deles se dissessem que tinham HPV e mais de 40% confessam sentirem-se preocupadas com o facto do seu parceiro ter sido infiel.

Sete em cada dez mulheres admitem medo de saber que têm HPV e dois terços preocupam-se que isso se traduza em cancro.

Informações erradas e desconhecimento

Os resultados permitem concluir que muitas mulheres não entendem o vínculo entre o HPV e o cancro: uma em cada três não sabe que pode este vírus causar cancro do colo do útero e quase todas desconhecem que pode causar cancro da garganta ou da boca.

De acordo com os investigadores, apenas 15% das entrevistadas sabem que a infeção pelo HPV é frequente. De facto, oito em cada 10 mulheres têm alguma forma de infeção por HPV durante a sua vida, mas apenas muito poucas vão desenvolver tipos específicos de alto risco, que dão origem ao cancro.

Sara Hiom, uma das diretoras do Cancer Research UK, considera “preocupante que haja muitos mal-entendidos sobre o HPV. É um vírus muito comum e, na maior parte das vezes, fica inativo e não causa problemas”.

“O teste ao vírus é uma forma de melhor identificar as pessoas que podem ter alterações no colo do útero que, se não forem tratadas, podem transformar-se em cancro do colo do útero. Portanto, o rastreio do HPV é uma excelente forma de prevenir o desenvolvimento deste cancro.”

A especialista acrescenta ainda que “todas as mulheres têm a escolha de fazer o rastreio, mas acabar com os mitos e remover os estigmas à volta do HPV é vital para garantir que as pessoas se sintam mais confiantes para marcar consultas e ir aos rastreios do colo do útero”.

novo rastreio para apneia do sono

Novo teste permite rastreio mais rápido da apneia do sono

Por Investigação & Inovação

Identificar de uma forma mais rápida e simples a apneia do sono, que afeta cerca de um milhão de portugueses, é o que pretende um novo teste, que promete gerar uma poupança de milhares de euros.

É verdadeiramente uma doença que não deixa dormir. A apneia obstrutiva do sono é uma perturbação da respiração, que torna a a hora de ir para a cama mais difícil, uma vez que se caracteriza pelo corte do fluxo respiratório mais de cinco vezes por hora, durante mais de 10 segundos. 

Uma situação que pode ser grave, mas cuja confirmação passa atualmente, entre outros, pela realização de um teste, a polissonografia, exame que visa analisar a qualidade do sono e detetar perturbações, ainda que cerca de 34% das que são feitas por suspeita de apneia do sono tenham um resultado normal. 

Para além de dispendioso, este teste exige a presença de técnicos, implica longas listas de espera e está muito limitado às áreas urbanas, o que dificulta a sua realização.

Ferramenta promete detetar mais de 90% dos casos de apneia do sono

O novo método, a usar na prática clínica, pretende detetar mais de 90% dos casos da doença e evitar que uma em cada cinco pessoas realize a polissonografia, com poupanças de milhares de euros em exames, consultas e recursos humanos. Até porque, segundo os dados disponíveis, cada exame custa cerca de mil euros.

Criado por uma equipa de investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, trata-se de uma ferramenta inovadora, cujo “objetivo é fazer uma triagem, identificando as pessoas que provavelmente sofrem desta doença, dando-lhes prioridade na marcação do exame”, explica Daniela Ferreira Santos, primeira autora do estudo sobre esta novidade, publicado na revista International Journal of Data Science and Analytics, que avaliou cerca de três centenas de doentes. 

“Da mesma forma, podemos evitar que muitas pessoas façam este exame desnecessariamente.”

A ferramenta online, que integra uma tabela de risco e um modelo gráfico, pode ser usada a partir de agora pelos médicos, entre os quais os médicos de família nos Cuidados de Saúde Primários, para calcular automaticamente a probabilidade de alguém sofrer de apneia do sono.

cancro do pulmão

Maioria de casos de cancro do pulmão detetados quando já é tarde

Por Cancro

Diagnosticar o cancro do pulmão nas suas fases mais precoces é o grande desafio dos especialistas, uma tarefa difícil, uma vez que, explica Fernando Barata, presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão, “o cancro do pulmão progride durante anos de forma assintomática. Em cerca de 60% dos doentes o diagnóstico faz-se numa fase avançada o que condiciona opções terapêuticas mais eficazes com uma consequente redução da sobrevivência”.

Mas “quando o tumor é diagnosticado numa fase precoce a cirurgia com intenção curativa é a terapêutica de eleição. Para esses estadios iniciais, a sobrevivência aos 5 anos ultrapassa os 50%, versus o diagnóstico já em fase avançada, com sobrevivências aos 5 anos inferiores a 5%”.

É, por isso, determinante estar atento aos sintomas. Tosse, expetoração, falta de ar são alguns dos mais comuns, mas é a expetoração raiada de sangue o sintoma mais alarmante para os doentes e aquele que os costuma levar ao médico.

Já a tosse, esclarece o especialista, muitas vezes atribuída ao tabaco ou a causas ambientais, não é valorizada, erradamente, como sinal de alarme. “Aqui, o que é importante é alertar para a persistência do sintoma. Se a tosse perdura ao longo do tempo, esta deve levar o doente ao seu médico de medicina geral e familiar.”

Programa de rastreio pode estar para breve

Não só a população em geral está mais informada sobre o tema, como se tem assistido também a um reforço da investigação sobre esta doença, sobretudo nas suas formas mais graves.

“Os últimos anos foram de revolução em relação à investigação sobre o cancro do pulmão. A imunoterapia e a terapia-alvo foram passos importantíssimos. A quantidade de novos fármacos de elevada eficácia e baixa toxicidade constitui uma verdadeira revolução”, reforça o médico.

Ainda assim, é preciso mais. A implementação de um programa de rastreio para o cancro do pulmão, tal como já acontece com outros tumores, pode vir a ser uma forma de conseguir um diagnóstico e uma intervenção terapêutica mais precoce com consequente redução na mortalidade por este flagelo.

Um caminho que Fernando Barata acredita que fará parte de um futuro não muito distante. “Nos próximos anos temos que definir quem rastrear, qual o melhor método de rastreio e criar a nível nacional toda uma estrutura para o implementar.”

Por isso, e enquanto este não é uma realidade, o especialista aproveita este mês de sensibilização para a doença para reforçar a mensagem que considera mais importante: a aposta numa redução dos fatores de risco.

“Aqui, refiro-me ao tabaco em todas as suas formas, em que se inclui o tabaco aquecido e o eletrónico. É importante que as pessoas que fumam deixem de o fazer e aqueles que nunca o fizeram se mantenham assim.”  

Desafios sobre os cuidados de saúde na mulher em debate

Por Cancro

A prevenção do cancro do colo do útero e os rastreios pré-natais são temas que vão estar em destaque no Women’s Health Symposium, evento que vai ter a sua 2ª edição no próximo sábado, dia 27, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

A iniciativa, organizada pela Roche, conta com a presença de especialistas nacionais e internacionais para debaterem a evolução e a realidade dos cuidados na saúde da mulher.  

O rastreio do cancro do colo do útero será o tema em análise na primeira parte do simpósio, cobrindo assuntos como os desafios da colposcopia, o papel dos biomarcadores emergentes e a antevisão do rastreio do cancro do colo do útero na próxima década.

Ainda que a introdução da vacina contra o vírus do papiloma humano se tenha configurado como uma nova forma de controlar a doença, o rastreio mantém-se como um elemento essencial na luta contra o cancro do colo do útero, especialmente tendo em consideração que a vacina não cobre todos os tipos de HPV de alto risco.

É por isso que a definição das estratégias de rastreio ganha cada vez mais destaque, tendo em conta que, em Portugal, o rastreio ainda tem uma implementação assimétrica e considerando também a existência de desafios humanos, técnicos e económicos que vão estar em debate no encontro.

Entre eles, a necessidade de aplicar ferramentas para melhor a eficiência do rastreio, a adesão do público-alvo a esse mesmo rastreio, que pode exigir a criação de campanhas de sensibilização ou a aplicação de dispositivos que permitam a autocolheita, algo que já se faz em algumas zonas do País.

Experiência testa autocolheita feita em casa

É na região Centro que se realiza um estudo, com o objetivo de aumentar a participação no rastreio do cancro do colo do útero, através da autocolheita e, desta forma, contribuir para melhor a saúde da mulher.

De acordo com informação partilhada pela Administração Regional de Saúde do Centro, o projeto, designado “Rastreio do Cancro do Colo do Útero em casa”, é dirigido a 800 mulheres, escolhidas aleatoriamente do universo das que não realizam o rastreio há quatro ou mais anos, convidando-as, por carta, a participar.

Caso aceitem,recebem em casa um estojo para a auto colheita de fluido cervicovaginal, que é depois enviado para laboratório, em envelope pré-pago.

cancro da próstata

“Auxiliares de decisão” ajudam na prevenção do cancro da próstata

Por Cancro

Há momentos em que a decisão em saúde não é fácil para o doente, momentos em que é preciso escolher intervenções que podem ter tanto de bom como de mau. Nestes casos, os “auxiliares de decisão” são fundamentais, revela um estudo nacional, que confirma que serem capazes de ajudar os homens a decidir se realizam ou não uma análise que pode identificar o cancro da próstata, mas que apresenta diversos riscos. E são os auxiliares disponibilizados através da web que melhor funcionam.

De acordo com os especialistas, estes auxiliares mais não são do que informação em saúde de qualidade, disponibilizada sob diferentes formatos, como sites, apps, vídeos ou panfletos, que aumentam o conhecimento dos doentes e permitem que estes tenham um papel ativo na decisão. 

A confirmação da sua importância foi dada por um grande estudo, realizado por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, que fez uma síntese estatística dos mais importantes trabalhos realizados sobre este tema, com honras de publicação no Journal of Medical Internet Research.

Dar ao doente uma voz na decisão

“Há casos em que as intervenções médicas apresentam uma probabilidade de causar dano semelhante, ou até superior, à probabilidade de causar benefício. Nestas situações, e para que o doente decida de um modo informado, deve ser encorajado a tomar parte no processo de decisão”, refere Carlos Martins, investigador do CINTESIS responsável pela investigação.

No caso do rastreio do cancro da próstata, o doente compreende o risco e gravidade da doença e é informado dos riscos, benefícios, alternativas e incertezas do teste PSA, um dos exames usados para ajudar a identificar a doença, cabendo-lhe a tarefa de os ‘pesar’ e de decidir.

Neste estudo, comparou-se o impacto dos auxiliares de decisão baseados na Internet com outros formatos para o apoio à decisão do rastreio do cancro da próstata. E confirmou-se que estes “melhoram o conhecimento sobre o rastreio, diminuem o conflito decisional e fomentam um papel ativo do doente na decisão”.

Podem, por isso, ser os mais indicados para aumentar a capacidade de os homens participarem no processo de decisão relativamente à realização do teste PSA, de forma fácil, anónima e com baixo custo.

Ricardo Carriço sensibiliza para o rastreio do cancro da mama

‘Olhe para elas, olhe por elas’: famosos unidos contra o cancro da mama

Por Cancro

Costuma fazer o rastreio do cancro da mama? Há quanto tempo não consulta o seu médico? A estas perguntas, a nova campanha da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) dá a mesma resposta: ‘Olhe para elas, olhe por elas’. 

Adelaide Sousa, Lídia Franco, Ricardo Carriço e Vanessa Martins são os protagonistas desta nova campanha. Os quatro, que dispensam apresentações, aceitaram o desafio da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e juntaram-se para as gravações do vídeo da campanha de sensibilização para a o cancro da mama.

A iniciativa, destinada a todas as mulheres e homens, independentemente da sua idade, tem como objetivo reforçar a mensagem sobre a importância da informação, rastreio e diagnóstico precoce, sublinhando a necessidade de cada pessoa ter um papel ativo em relação ao cancro da mama. Um assunto que diz respeito a todos.

O vídeo será lançado, nas redes sociais e no site da LPCC, com o apoio da Roche Farmacêutica, no âmbito do Mês de Sensibilização para o Cancro da Mama, que se assinala em outubro.

Cancro da mama mata 1.500 por ano

Apesar de todos os avanços, dos novos tratamentos, das campanhas de sensibilização, o cancro da mama continua a ser o tipo de cancro mais comum entre as mulheres, correspondendo à segunda causa de morte por cancro entre o sexo feminino.

De acordo com os dados da LPCC, entre nós são detetados, todos os anos, qualquer coisa como 6.000 novos casos de cancro da mama. A estes números juntam-se outros: os referentes às 1.500 mulheres que morrem com o problema.

Trata-se de uma das doenças “com maior impacto na nossa sociedade, não só por ser muito frequente, e associado a uma imagem de grande gravidade, mas também porque agride um órgão cheio de simbolismo, na maternidade e na feminilidade”, lê-se no site da LPCC, que esclarece sobre a importância da deteção precoce.

Faltam rastreios aos diabéticos

Menos de metade dos diabéticos fez um rastreio oftalmológico

Por Bem-estar

Estima-se que, em Portugal, cerca de um milhão de pessoas vivam com diabetes. E nem metade destes portugueses fez um rastreio num oftalmologista, apesar dos olhos serem um dos órgãos que podem ser gravemente afetados pela doença, que se manifesta sob a forma de retinopatia diabética.

No Dia Mundial da Retina, que se assinala a 29 de setembro, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) recorda os dados do Programa Nacional para a Saúde da Visão e alerta para a necessidade dos rastreios, e envio em tempo útil para centros de diagnóstico e tratamento, capazes de impedir uma das consequências mais graves da doença, a cegueira.

“As pessoas com retinopatia diabética veem limitada a realização do seu potencial de vida, para além de se tornarem membros menos ativos na sociedade civil”, refere Carlos Marques Neves, oftalmologista e Coordenador do Grupo Português de Retina e Vítreo da SPO.

Esta situação pode ser evitada com um rastreio regular e tratamento oftalmológico eficaz, seguindo o exemplo de Inglaterra, em que a retinopatia diabética deixou de ser a principal causa de perda de visão dos 20 aos 64 anos.

Pelo menos 250 mil diabéticos com retinopatia

Apesar de não existirem dados definitivos sobre a prevalência da retinopatia diabética em Portugal, e sobre a perda de visão que lhe está associada, dados de um estudo recente avançam para a existência de pelo menos 250 mil diabéticos tipo 2 com retinopatia diabética, em vários estádios da doença.

No DR Barometer Study, 25% dos diabéticos inquiridos revelaram dificuldade em tratar a sua própria diabetes. Destes, 83% com retinopatia diabética ou edema macular diabético referem ter dificuldades em conduzir ou fazer atividades domésticas e 27% não discutem as complicações oculares com o seu médico.

Falta uma política de rastreios nacionais

Tratar a retinopatia diabética é possível, estando o sucesso do tratamento da mesma, que inclui a manutenção da visão, associado ao diagnóstico precoce. É aqui que entram os rastreios.

“Um doente com diabetes deve fazer regularmente um exame médico ocular para detetar as alterações iniciais da retinopatia diabética”, reforça Carlos Marques Neves.

“Mas sem um esquema nacional implantado a maioria dos diabéticos não realiza rastreios e ou seguimento adequado da sua retinopatia.”

Recentemente, a Direção-Geral da Saúde emitiu um conjunto de normas, 016/2018, dirigidas aos médicos do Serviço Nacional de Saúde, para a realização do rastreio da retinopatia diabética. Estas recomendações definem ainda o esquema de seguimento e orientação até ao tratamento, que implica a criação de centros de diagnóstico e tratamento integrado.

Quanto ao rastreio, define que deve ser feito com periodicidade, dependente dos anos de diabetes e do tipo de retinopatia existente. Por isso, a mensagem é apenas uma: “alerte o seu familiar diabético para o rastreio oftalmológico”.