Fórum do Medicamento

Equidade, efetividade e sustentabilidade em debate no Fórum do Medicamento

Por Marque na Agenda

O progressivo envelhecimento populacional, a evolução tecnológica que, através da inovação, tem permitido a introdução de novos medicamentos e meios de diagnóstico mais eficazes, assim como as expectativas da população são variáveis que, juntas, pressionam os sistemas de saúde. A necessidade de investimento aumenta, assim como as restrições orçamentais, o que torna necessário e urgente repensar modelos e formas de financiamento da saúde. É sobre estas questões que se pretende refletir na 11ª edição do Fórum do Medicamento.

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insetos para consumo

Insetos são o alimento do futuro, mas falta convencer as pessoas a comê-los

Por Nutrição & Fitness

Está provado que os insetos são uma fonte de alimentação não só saudável, mas amiga do ambiente. Então porque é que não os comemos? E como é que as pessoas no mundo ocidental podem ser convencidas a comê-los?

No oriente, o seu consumo é comum. Contas feitas, dois mil milhões de pessoas em todo o mundo já o fazem. E não é para menos: a sua criação usa menos terra, energia, água e produz menos gases com efeito de estufa do que as carnes tradicionais, como frango e vaca. Mais ainda, 80 a 100% do seu corpo é digerível, comparando com apenas 40% da carne bovina.

O problema é mesmo o fator “repugnância”. Surge, então, a questão: tendo em conta os seus enormes benefícios, como podemos convencer as pessoas a superar esta aversão?

Tilly Collins, especialista do Centro de Política Ambiental do Imperial College London (ICL), tem vindo a investigar essa questão há algum tempo e um dos seus artigos mais recentes sobre o tema, escrito em parceria com uma ex-aluna do Mestrado, Pauline Vaskou, será publicado numa edição especial do Annals of the Entomological Society of America.

“Os argumentos nutricionais não foram suficientes para superar o fator repugnância para os consumidores ocidentais, mas o interesse em comer insetos está a aumentar nestes países – pelo menos em termos de conceito”, refere Tilly Collins.

“Agora é hora de capitalizar o interesse que borbulha na superfície. Investigações mostram que há uma oportunidade real de mercado nos produtos alimentícios à base de insetos.”

Copiar modelos anteriores

O trabalho não é novo. Já foi feito para outro alimento, a lagosta. Sim, leu bem. A lagosta era, no século XIX, o alimento dado aos escravos e prisioneiros americanos. Era considerada grosseira, muito parecida com insetos e foi graças à Segunda Guerra Mundial que teve a sua grande oportunidade, por ser uma fonte de proteína que não era racionada, lê-se num artigo do ICL.

Também o sushi tem visto a conquistar cada vez mais adeptos, depois de, inicialmente, a ideia de comer peixe cru ser repugnante para muitos. 

“Uma das coisas que torna o sushi popular é a sua adaptabilidade”, explica Collins. “Há pontos de venda de alta qualidade, mas também opções acessíveis e flexíveis, comercializadas para os jovens”, acrescenta.

É este o caminho que os insetos alimentares podem trilhar, acredita a especialista, que considera que quanto menos visíveis forem os insetos, melhor. Por exemplo, em forma de snacks ou barras energéticas.

Começar pelas crianças

Outro caminho passa pelas crianças. Tilly Collins é uma das primeiras investigadoras a fazer pesquisas de mercado com crianças. E descobriu que os mais pequenos com idades entre os seis e os 11 anos têm mais probabilidade de ingerir insetos e influenciar positivamente os seus pares.

Ou seja, a educação o mais cedo possível pode fazer crescer uma geração já se sente confortável com a ideia de comer insetos, para além de ser uma alternativa aos snacks açucarados, que contribuem para o aumento dos níveis de obesidade.

No caso dos adultos, se o argumento da sustentabilidade e da riqueza nutricional não são convincentes o suficiente, talvez o do preço seja. É que quanto mais se consome carne tradicional, mais provável é que o seu preço aumente, à medida que se torna mais insustentável. 

a dieta do futuro

A dieta que promete salvar o mundo

Por Nutrição & Fitness

Imagine um prato. Agora imagine que a maior parte desse prato se encontra coberta por vegetais. A fruta tem também lugar de destaque, assim como os cereais. A carne vermelha, essa não deve ultrapassar os 14 gramas diários, com o açúcar a reduzir para metade.

Este é o cenário da alimentação ideal em 2050, com o consumo da carne vermelha e do açúcar a cair para metade e o de frutos secos, fruta, verdura e legumes a aumentar para o dobro.

Um cenário que, de acordo com vários especialistas internacionais, será a única forma de alimentar a população crescente de 10 mil milhões de pessoas até 2050, de uma forma saudável e sustentável.

Evitar 11 milhões de mortes prematuras anuais

Um regime alimentar pouco saudável é a principal causa de doenças em todo o mundo. Mudar estes hábitos podia, por si só, evitar aproximadamente 11 milhões de mortes prematuras por ano.

Uma mudança em direção à alimentação saudável a uma escla planetária que garantiria ainda a sustentabilidade do sistema alimentar global, urgentemente necessária, segundo os especialistas, uma vez que mais de três mil milhões de pessoas estão desnutridas, com a produção de alimentos a ultrapassar os limites do planeta e a impulsionar as alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição.

Foi para isso que a Comissão EAT-Lancet decidiu fornecer os primeiros alvos científicos para uma dieta saudável a partir de um sistema sustentável de produção, que opera dentro dos limites planetários.

Um relatório que promove dietas que consistem numa variedade de alimentos à base de plantas, com baixas quantidades de alimentos de origem animal, grãos refinados, alimentos altamente processados ​​e açúcares adicionados e com gorduras insaturadas em vez de saturadas.

É preciso mudar a produção de alimentos

A alimentação está intrinsecamente associada à saúde e a sustentabilidade ambiental, mas as dietas atuais estão a empurrar a Terra para além dos seus limites, tornando o fornecimento de dietas saudáveis ​​a partir de sistemas alimentares sustentáveis ​um desafio imediato, já que a população continua a crescer e consumir cada vez mais alimentos de origem animal.

Para enfrentar este desafio, as mudanças na dieta devem combinar-se com uma melhor produção de alimentos e redução do seu desperdício. 

“Os alimentos que comemos e como os produzimos determinam a saúde das pessoas e do planeta, e atualmente estamos a errar seriamente”, garante um dos autores da comissão, Tim Lang, professor da Universidade de Londres, no Reino Unido.

“Precisamos de uma revisão significativa, de mudar o sistema global de alimentos numa escala nunca vista antes, de acordo com as circunstâncias de cada país. Embora este seja um território político não mapeado e estes problemas não sejam facilmente resolvidos, essa meta está ao nosso alcance.”

Menos carne vermelha, mais vegetais

Constituída por 37 especialistas de 16 países com experiência em saúde, nutrição, sustentabilidade ambiental, sistemas alimentares, economia e governação política, a Comissão tem como alvos científicos uma dieta saudável.

Dieta essa que, de acordo com as novas recomendações, exige que, até 2050, o consumo global de alimentos como carne vermelha e açúcar diminua em mais de 50%, enquanto o consumo de frutos secos, frutas, verduras e legumes aumente para o dobro.

Os alvos globais devem ser aplicados localmente. Por exemplo, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes a quantidade recomendada de carne vermelha, enquanto os países do sul da Ásia comem apenas metade do valor recomendado.

Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido (batatas e mandioca) do que o recomendado, com consumos que variam entre 1,5 vezes acima da recomendação no sul da Ásia e 7,5 vezes na África Subsariana.

“As dietas do mundo devem mudar drasticamente. Mais de 800 milhões de pessoas têm comida insuficiente, enquanto muitas mais consomem uma dieta pouco saudável, que contribui para a morte prematura e doenças”, afirma Walter Willett, da Universidade de Harvard.

“Para ser saudável, as dietas devem ter uma ingestão calórica apropriada e consistem numa variedade de alimentos à base de plantas, baixas quantidades de alimentos de origem animal, gorduras insaturadas e não saturadas, e poucos grãos refinados, alimentos altamente processados ​​e açúcares adicionados.”

refeições vegetarianas

Estudo nacional ‘oferece’ refeições aos participantes

Por Bem-estar

Uma equipa da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, em parceria com a Universidade de Aveiro, vai oferecer refeições aos participantes de um estudo que quer avaliar como uma alimentação à base de alimentos de origem vegetal pode influenciar a saúde.

O projeto chama-se “Impulse: Impact of a PULSE-based partial replacement diet on metabolome and health” e quer dar respostas a questões como qual será o impacto do consumo de leguminosas na saúde humana e quais os sistemas de produção e consumo alimentares mais sustentáveis a nível ambiental.

A este objetivo junta o de validar a hipótese de que as leguminosas como alternativa ao consumo de carnes vermelhas não são só uma fonte importante de proteína, mas também de “micronutrientes e de diversos compostos bioativos potencialmente benéficos para a saúde”.

Almoços para todos durante oito semanas

O projeto está ainda em fase de testes e à procura de voluntários. Em troca, oferece uma refeição diária, o almoço, confecionada pela equipa de investigação durante oito semanas consecutivas. Mas com uma condição, que não vai agradar aos amantes de carne, uma vez que o bife está fora do menu. As refeições serão todas, informa a instituição, vegetarianas.

Depois da barriga cheia, os participantes terão que preencher um questionário de satisfação e avaliação do prato.

No decorrer da investigação, serão ainda recolhidos materiais biológicos dos participantes, para avaliar os efeitos da intervenção na saúde dos indivíduos.

Voluntários precisam-se

Desenvolvido seguindo os princípios éticos para a investigação clínica, o estudo foi submetido à avaliação e aprovação por parte de uma comissão de ética de referência.

Os interessados em participar podem submeter a sua candidatura até 28 de setembro, através do inquérito disponível em http://inqueritos.porto.ucp.pt/site/index.php/517719/lang-pt.