
Uma em cada 10 pessoas pode ter níveis clinicamente relevantes de SARS-CoV-2 potencialmente infecciosos após um período de quarentena de 10 dias, revela um novo estudo sobre a Covid.
Liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, o trabalhou usou um teste recém-adaptado que pode detetar se o vírus ainda está potencialmente ativo e aplicou-o em cerca de duas centenas de amostras que testaram positivo em testes padrão de PCR.
Publicado no International Journal of Infectious Diseases, o estudo descobriu que 13% das pessoas ainda exibiam níveis clinicamente relevantes de vírus após 10 dias, o que significa que ainda podem ser infecciosas.
Algumas mantiveram esses níveis durante até 68 dias, o que leva s especialistas a aconselhar o uso deste novo teste em ambientes onde as pessoas são vulneráveis, para impedir a propagação da COVID-19.
Lorna Harries, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter, que supervisionou o estudo, considera que, “embora este seja um estudo relativamente pequeno, os resultados sugerem que o vírus potencialmente ativo pode persistir, às vezes, além de um período de 10 dias e pode representar um potencial risco de transmissão. Além disso, não havia nada clinicamente notável sobre estas pessoas, o que significa que não seríamos capazes de prever quem são”.
Os testes de PCR convencionais testam a presença de fragmentos virais. Embora possam dizer se alguém teve o vírus recentemente, não podem detetar se este ainda está ativo e se a pessoa é infecciosa. No entanto, o teste usado no estudo fornece um resultado positivo apenas quando o vírus está ativo e potencialmente capaz de transmissão.
Merlin Davies, autor principal do trabalho, refere que, “em alguns ambientes, com pessoas que regressam a lares após uma doença, aqueles que continuam a ser infecciosos após dez dias podem representar um sério risco para a saúde pública. Talvez seja necessário garantir que as pessoas nestes ambientes tenham um teste de vírus ativo negativo para garantir que não são infecciosas”.