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Como superar o medo do dentista: estratégias que realmente ajudam

medo do dentista

Acomodar-se numa cadeira reclinável e confortável e fechar os olhos pode ser tentador, exceto talvez se este cenário se passar no consultório do dentista. De acordo com um relatório recente do Journal of the American Dental Association, é grande a percentagem de pessoas com medo das consultas com estes profissionais de saúde. A boa notícia é que os dentistas estão bem preparados para acalmar os nervos, além de cuidar dos sorrisos.

“O medo é real. A boca é uma parte muito vulnerável e sensível do nosso corpo, e as pessoas têm medo da possibilidade de sentir dor”, afirma Christina Pastan, professora assistente clínica do Departamento de Endodontia da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Tufts, nos EUA. Juntamente com Edward Lahey, chefe do Departamento de Cirurgia Maxilo-Facial, explicam como tornar as visitas ao dentista menos assustadoras.

Partilhe os seus medos com o seu dentista

Um bom profissional reconhecerá a sua ansiedade e explicará cada passo do procedimento, juntamente com as opções de controlo da dor. “A sensibilidade é fundamental para construir confiança”, afirma Pastan. Ser sincero sobre o seu medo não magoará ninguém.

“Não tenha vergonha de o expressar. Acredito que a relação dentista-paciente se baseia na confiança, comunicação e conexão”, afirma. Com uma comunicação honesta, os médicos dentistas podem adaptar a sua abordagem; por exemplo, aconselhando os pacientes com aversão a agulhas a fecharem os olhos.

“Quando os pacientes sabem que os seus médicos dentistas estão presentes e atentos, sentem-se melhor”, reforça. “Os doentes podem dizer: ‘Sou muito sensível. Antes de começar, há alguma coisa que possa fazer para me garantir que não vou sentir nada?’”.

Pastan explica ainda que, apesar da anestesia, algumas situações dentárias podem ainda causar dor, podendo ser necessário um tipo diferente de injeção. Pastan tranquiliza os seus pacientes, garantindo que, caso sintam dor, será algo passageiro e que está preparada com outra técnica para resolver o problema.

“Transmitir confiança e apresentar um plano geralmente tranquiliza os pacientes. Estabelecer confiança pode ser incrivelmente reconfortante para todos, independentemente da ansiedade que sintam em relação ao médico dentista”, afirma.

Anote as suas preocupações com antecedência

Se estiver ansioso(a) no dia da consulta, anote as suas preocupações, experiências dentárias anteriores e dúvidas sobre medicamentos quando estiver mais tranquilo(a). “Os doentes por vezes não dão o melhor quando estão muito ansiosos”, diz Lahey. “Quando os doentes chegam com níveis elevados de ansiedade, quase sempre mencionam alguma má experiência que tiveram com um profissional de saúde no passado. Enquanto profissional, é útil saber isso logo à partida.”

Partilhe o seu histórico médico completo

O seu dentista precisa de conhecer todas as suas condições de saúde e medicamentos, especialmente se houver anestesia envolvida, para evitar interações medicamentosas.

“Os doentes podem chegar a pensar que nos estamos a focar apenas na boca ou na mandíbula. Estamos a cuidar da pessoa como um todo”, diz Lahey. “O historial clínico completo é importante, pois permite-nos saber quais as estratégias e medicamentos para o controlo da ansiedade que funcionaram no passado. Além disso, é fundamental que o profissional conheça quaisquer medicamentos que o doente tome regularmente para tratar a ansiedade, de forma a prevenir possíveis interações medicamentosas.”

Feche os olhos, se isso ajudar

“Quando estiver a fazer um procedimento no pé ou no braço, pode virar a cabeça para o lado”, diz Lahey. Fechar os olhos pode reduzir o stress visual durante injeções, como bloqueios nervosos.

Pratique a respiração pelo nariz

Os equipamentos dentários podem dificultar a respiração pela boca, levando ao pânico. Pastan incentiva os pacientes a praticarem a respiração nasal lenta com antecedência. Expirar pelo dobro do tempo da inspiração ativa o sistema nervoso parassimpático, acalmando o batimento cardíaco e aprofundando a respiração.

“Guio os pacientes nesta respiração e começo a vê-los relaxar na cadeira”, diz Pastan.

Nunca é tarde para fazer perguntas

Por vezes, os pacientes sentem-se presos a uma decisão assim que a consulta começa, como se estivessem a entrar numa montanha-russa. Lahey observa que expressar preocupações, mesmo que seja no último minuto, pode evitar que a ansiedade aumente. Pode ainda discutir o controlo da dor ou diferentes abordagens em tempo real.

“Não pense: não posso voltar atrás. Podemos avançar com o tratamento enquanto eu explico o que está a acontecer”, diz Lahey.

Pergunte sobre o controlo da dor

Para determinados procedimentos, muitos pacientes necessitam de ibuprofeno quando a anestesia passa. Pergunte quais os medicamentos seguros e quanto tempo costuma durar o desconforto. Saber o que esperar reduz o medo.

“Como profissionais de saúde, estamos aqui para melhorar as coisas. Ninguém quer causar dor”, explica Lahey.

Devem ser feitos ajustes para atender às suas necessidades. Se o seu dentista não reconhecer a sua ansiedade, não há problema em mudar de profissional. “Não se sinta como a vítima na cadeira… O paciente é a parte mais importante da interação”, diz Pastan.

Crédito imagem: Pexels

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