Decidir se as atividades ao ar livre são seguras no calor do verão exige mais do que apenas olhar para o termómetro. Um fisiologista do exercício da Universidade da Virgínia Ocidental (WVU), nos EUA, afirma que não é a temperatura que mais importa, mas sim a sensação térmica.
Brian Leary, professor assistente e diretor de fisiologia do desempenho tático na Divisão de Fisiologia do Exercício da Faculdade de Medicina da WVU, explica que o índice de calor tem em conta tanto a temperatura como a humidade. Por exemplo, a humidade baixa dá a sensação de ser mais fresco do que a humidade elevada.
Sugere a utilização de uma aplicação de previsão do tempo que ofereça uma “sensação térmica real” ou “temperatura aparente”, sobretudo para os mais suscetíveis a temperaturas extremas, incluindo crianças, idosos, trabalhadores ao ar livre e pessoas com doenças crónicas, como doenças cardiovasculares e diabetes.
“Quando o índice de calor for superior a 27 graus Celsius, as pessoas devem começar a tomar precauções, especialmente se forem responsáveis por crianças ou idosos, que são grupos de alto risco”, alerta.
“Para tornar as atividades ao ar livre mais seguras no calor, vista roupas leves e de cores claras que reflitam o calor e a luz solar. Beba muita água para repor os líquidos perdidos com a transpiração. Faça pausas frequentes à sombra ou em ambientes com ar condicionado. Diminua o ritmo e evite atividades extenuantes, principalmente durante o período mais quente do dia, geralmente das 10h às 16h. Se precisar de estar ao ar livre, programe as atividades para as horas mais frescas da manhã ou da noite.”
“As crianças têm menos eficiência na regulação da temperatura corporal e, por serem pequenas, conseguem aquecer mais rapidamente. Certifique-se de que estão vestidas adequadamente, bebem muita água e fazem pausas frequentes”, aconselha.
Quanto aos trabalhadores ao ar livre, “que realizam frequentemente atividades extenuantes durante o período mais quente do dia”, é preciso perceber que estas atividades elevam a temperatura corporal interna, o que agrava o efeito da temperatura e da humidade. Além disso, estas pessoas utilizam frequentemente equipamento de proteção individual, o que limita a capacidade do organismo de arrefecer.
“Os adultos com 65 anos ou mais e aqueles com doenças crónicas têm uma capacidade reduzida de se arrefecer, e alguns medicamentos afetam a regulação da temperatura”, refere.
O especialista reforça ainda que “os primeiros sinais de esforço excessivo no calor incluem tonturas ou vertigens, cansaço e boca seca ou sede. Continuar com o esforço excessivo pode resultar em cãibras de calor ou espasmos musculares, com suores intensos e fadiga ou sede. Isto pode levar a uma condição mais grave, a exaustão pelo calor. Os sinais incluem pele fria, húmida, pálida, avermelhada ou com rubor, suores intensos, dor de cabeça, tonturas, fraqueza ou exaustão e náuseas ou vómitos”.
“Se apresentar sintomas de exaustão pelo calor, interrompa a atividade e dirija-se para um local mais fresco, de preferência com ar condicionado. Beba pequenas quantidades de água ou bebidas isotónicas. Retire a roupa desnecessária. E ligue para o serviço de emergência se a pessoa se recusar a beber água, vomitar ou perder os sentidos. Se não ocorrer arrefecimento, a pessoa pode evoluir para insolação, que pode resultar em perda de consciência e morte. Os sinais incluem alterações na consciência, diminuição do estado de alerta ou perda completa de consciência, dor de cabeça pulsátil, confusão mental, pulso rápido e fraco, respiração rápida e superficial, vómitos, temperatura corporal acima dos 40,5 graus Celsius e convulsões.”
Para se preparar para a realização de atividades em climas quentes, o especialista aconselha a que se “comece com caminhadas leves em dias quentes que produzam um pouco de suor. Esta pequena exposição ensina o corpo a melhorar o seu sistema de arrefecimento. Ao longo de uma a duas semanas, aumentar gradualmente a duração e a intensidade das atividades ao ar livre. Isto dá ao corpo tempo para se adaptar ao calor, reduzindo os riscos de fadiga ou doenças relacionadas com o calor”.
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